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Desenrola 2.0 pode movimentar até R$ 30 bilhões para o Nubank, apontam analistas

Desenrola 2.0 pode movimentar até R$ 30 bilhões para o Nubank, apontam analistas

Relatórios da Ágora Investimentos e do Bradesco BBI indicam que os efeitos do programa para Nubank e Inter dependerão do perfil das dívidas renegociadas

O Desenrola 2.0 pode representar uma nova oportunidade para bancos digitais ampliarem a recuperação de créditos em atraso, mas os reflexos sobre os resultados financeiros tendem a ser diferentes conforme o perfil das operações incluídas no programa. Essa é a avaliação de analistas da Ágora Investimentos e do Bradesco BBI, que veem potencial relevante para Nubank e Inter, embora com efeitos distintos para cada instituição.

Segundo a Ágora Investimentos, o Nubank (ROXO34) reúne o maior potencial de exposição ao programa, com um mercado estimado em cerca de R$ 30 bilhões em créditos passíveis de renegociação. Para o Inter, esse universo é bem menor, abaixo de R$ 3 bilhões. Ainda assim, o impacto projetado sobre os resultados das duas instituições pode ser semelhante, alcançando aproximadamente 5,5% do lucro antes dos impostos de 2026 para o Nubank e perto de 5% para o Inter.

Tipo da carteira faz diferença nos resultados

Na visão dos analistas, o desempenho financeiro dos bancos dependerá principalmente da origem dos créditos renegociados.

Quando as dívidas ainda permanecem registradas na carteira de crédito da instituição, a renegociação costuma exigir condições mais favoráveis aos clientes, como descontos, juros menores ou prazos mais longos para pagamento. Isso reduz a rentabilidade dessas operações e pode gerar pressão sobre os resultados no curto prazo.

Já as dívidas que foram baixadas como perda contábil apresentam uma dinâmica diferente. Como esses valores já haviam sido considerados praticamente irrecuperáveis, qualquer quantia recebida por meio da renegociação passa a representar uma recuperação de ativos e tende a beneficiar o desempenho financeiro.

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“A carteira renegociada de empréstimos registrados no balanço pode gerar um impacto negativo inicial, enquanto os empréstimos baixados a prejuízo parecem trazer um retorno mais positivo”, afirmam os analistas da Ágora Investimentos.

Bradesco BBI vê avanço mais acelerado do programa

Em relatório recente, o Bradesco BBI destaca que o Desenrola 2.0 começou com uma adesão mais forte do que a observada na primeira edição do programa. Para os analistas, o novo formato amplia o alcance das renegociações e pode acelerar a recuperação de créditos em atraso.

A instituição também avalia que o programa pode contribuir para melhorar a qualidade das carteiras de crédito dos bancos voltados ao varejo, reduzindo parte das perdas com inadimplência e favorecendo os indicadores financeiros ao longo do tempo.

Nubank concentra maior oportunidade

O Nubank aparece como a instituição mais exposta ao Desenrola 2.0 devido ao tamanho de sua carteira de crédito e ao número de clientes elegíveis para participar do programa.

No caso do Inter, embora o mercado potencial seja significativamente menor, os analistas entendem que a recuperação de créditos anteriormente considerados perdidos também pode produzir efeitos relevantes sobre os resultados.

Apesar do cenário favorável, tanto a Ágora Investimentos quanto o Bradesco BBI ressaltam que os ganhos dependerão do volume de adesões ao programa, da qualidade das dívidas renegociadas e da efetiva recuperação dos valores pelos bancos.