SAÍDA FISCAL DO BRASIL: VALE A PENA?
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Notícias
Negócios
Brasil se prepara para boom de baterias em leilão inédito, com interesse crescente da China

Brasil se prepara para boom de baterias em leilão inédito, com interesse crescente da China

Leilão inédito de armazenamento mira até 2 GW em capacidade e pode reduzir perdas bilionárias da geração solar e eólica no país

O Brasil deve dar um passo decisivo na modernização de seu sistema elétrico ao realizar, em abril, o primeiro leilão de eletricidade voltado exclusivamente a baterias de grande porte. A iniciativa ocorre em meio ao avanço das fontes renováveis no país e já desperta interesse de grandes grupos internacionais, incluindo empresas chinesas, que podem disputar os contratos com companhias como Tesla e Petrobras.

A contratação de sistemas de armazenamento em larga escala ganha relevância diante do crescimento acelerado da geração solar e eólica, que tem provocado um problema estrutural conhecido como curtailment — quando usinas renováveis são obrigadas a reduzir ou interromper a produção por falta de demanda ou limitações da rede elétrica.

Brasil busca reduzir desperdício de energia renovável com leilão de baterias

Em 2025, o país desperdiçou, em média, cerca de 26% da geração solar e 19% da geração eólica por causa do curtailment, segundo a consultoria BloombergNEF (BNEF). As perdas financeiras associadas a esse desperdício podem chegar a R$ 7 bilhões (US$ 1,3 bilhão). As baterias surgem como solução para absorver a energia excedente em momentos de baixa demanda e devolvê-la à rede quando o consumo aumenta.

O governo federal informou que espera contratar aproximadamente 2 gigawatts de capacidade no leilão. A BNEF estima que as adições anuais de armazenamento em baterias no Brasil possam alcançar cerca de 1,3 gigawatt por ano até 2030, indicando um mercado em rápida expansão.

China amplia presença no setor elétrico brasileiro e surge como forte candidata no leilão

O leilão representa mais uma oportunidade para a ampliação da presença chinesa no setor elétrico brasileiro. Entre 2007 e 2024, projetos de energia responderam por cerca de 45% de todos os investimentos da China no Brasil, somando aproximadamente US$ 35 bilhões, de acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China. Com domínio da cadeia global de baterias e custos competitivos, empresas chinesas despontam como candidatas relevantes no certame.

Publicidade
Publicidade

A movimentação brasileira acompanha uma tendência já observada em outros países da América Latina. O Chile foi um dos primeiros da região a adotar baterias em escala de concessionárias e planeja uma expansão significativa nos próximos cinco anos.

A Argentina contratou 667 megawatts de armazenamento em seu primeiro leilão, realizado em setembro do ano passado, com entrada em operação prevista até 2027. No México, a estatal de energia anunciou ao menos 2,2 gigawatts de capacidade de armazenamento em seu plano de expansão para os próximos cinco anos.

Relatório da Ágora Investimentos avalia que o cenário é negativo para a WEG, em razão do aumento da concorrência — especialmente com a entrada de fabricantes chineses —, mas sem impacto imediato nas estimativas financeiras ou no preço das ações da companhia.

Segundo a análise, a pressão competitiva deve se intensificar à medida que o leilão de armazenamento de baterias previsto para abril de 2026 se aproxima.