O balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) da Smart Fit (SMFT3) apresentou números sólidos, ainda que com margens mais pressionadas no curto prazo em razão dos investimentos na TotalPass e da forte expansão de novas unidades. Essa é a avaliação do BTG Pactual (BPAC11) em relatório divulgado nesta quarta-feira (11).
O banco destaca que a Smart Fit negocia a 12x P/L estimado para 2026 e segue como uma das teses mais consensuais entre os investidores locais.
Os analistas apontam que a tese de investimento na companhia se apoia em três pilares: escala incomparável na América Latina; economia de unidade com alto retorno e margens crescentes via alavancagem operacional; e mercado fragmentado com grande espaço para consolidação.
Mesmo diante de riscos de curto prazo — como um cenário macroeconômico mais desafiador, canibalização entre unidades e aumento da concorrência —, o BTG projeta CAGR de lucro por ação de 32% entre 2025 e 2028.
“A Smart Fit continua sendo uma das histórias de crescimento mais duradouras do varejo latino-americano, motivo pelo qual mantemos recomendação de compra para a ação”, destaca o BTG.
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Balanço da Smart Fit tem números sólidos
Os analistas reforçam que a Smart Fit entregou mais um conjunto sólido de resultados no 4T25, com forte crescimento de receita e EBITDA, em linha com as estimativas do banco.
“As margens ficaram pressionadas pelos investimentos na TotalPass e pelas despesas relacionadas à abertura de novas unidades, impulsionadas pela maior concentração de inaugurações no período e pelo aumento de custos associados às unidades ainda em fase inicial de operação”, explica o BTG.
Outro ponto destacado pelos analistas é o crescimento de membros, principalmente no exterior. A companhia encerrou o trimestre com 5,2 milhões de membros (excluindo TotalPass), alta de 8% na comparação anual e estabilidade frente ao trimestre anterior. Os assinantes digitais somaram 455 mil, avanço de 23% ano a ano.
A divisão de membros por região foi a seguinte: Brasil: +1% a/a (-2% t/t); México: +7% a/a (-3% t/t); outros países da América Latina: +17% a/a (+3% t/t). O desempenho confirma o forte momento da empresa fora de seus dois principais mercados.
“O segmento ‘Outros’ teve a receita duplicada para R$ 199 milhões (10% do total), impulsionada pela consolidação da Velocity e da Fitmaster, além do forte crescimento da TotalPass, que atualmente possui parcerias com cerca de 40 mil academias no Brasil e no México”, destacam os analistas.
Rentabilidade sólida, apesar das dores de crescimento
O BTG Pactual destacou que a rentabilidade permanece robusta, a despeito das “dores de crescimento”. Os analistas ressaltam o crescimento do lucro bruto, do lucro líquido e do EBITDA, todos acima de 20% na comparação anual.
Ainda assim, os números indicaram leve compressão de margem, decorrente da maior concentração de inaugurações e do aumento de custos em unidades ainda em fase inicial de operação.
“Excluindo os custos pré-operacionais, a margem bruta teria subido 30 pontos-base na comparação anual. Por região: Brasil — margem bruta caiu 110 bps, impactada por 88 novas unidades abertas no trimestre; México — margem caiu 400 bps, devido à estabilidade da receita média por academia e ao aumento do custo de mão de obra”, informou o BTG.
Além disso, os analistas apontam que unidades abertas em 2023 apresentam margem bruta de 53%, enquanto academias maduras atingem 52%.
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TotalPass e Smart Fit: dois motores do mesmo ecossistema
O BTG destacou que o TotalPass tem se tornado um tema central na tese da Smart Fit. A plataforma já conta com cerca de 32 mil academias parceiras no Brasil, presença em quase 1.900 cidades e mais de 8 mil academias parceiras no México — totalizando mais de 40 mil academias registradas nos dois países.
“O TotalPass tem assumido um papel cada vez mais estratégico, contribuindo para a geração de demanda, maior recorrência de usuários e diversificação das fontes de receita do ecossistema Smart Fit”, exemplifica o BTG.
Em 2025, visitas de usuários TotalPass representaram 15% das visitas nas academias próprias no Brasil e 12% das receitas. Em 2024, esses números eram 13% e 8%, respectivamente.






