Brasil e China vão usar suas moedas próprias em transações comerciais. Os dois países anunciaram nesta semana a criação de uma Cleaning House, ou câmara de compensação, que funcionará como uma instituição bancária para permitir a realização de negócios e a concessão de empréstimos em real e yuan, sem o uso da moeda norte-americana.
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A China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil, que exportou US$ 89,4 bilhões ao país em 2022, ou 26,8% de suas vendas para o exterior, e importou US$ 60,7 bilhões, ou 22,3% das compras. O saldo positivo na balança, porém, se deve principalmente à exportação de commodities, enquanto o Brasil importa produtos de maior valor agregado, como eletrônicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha viagem prevista ao país nesta semana, mas o encontro foi adiado porque ele foi diagnosticado com pneumonia. O acordo seria divulgado durante a viagem, e acabou realizado durante encontro com empresários brasileiros em Pequim, mantido mesmo sem a presença do presidente.
O ICBC (Banco Industrial e Comercial da China, na sigla em inglês) será o responsável pela operação, que permitirá a brasileiros transações comerciais e empréstimos em yuan, com conversão imediata para o real e não apenas em dólar, como acontece hoje entre os dois países.
Como se trata de uma grande instituição financeira chinesa, o banco seria capaz de garantir aos empresários brasileiros a conversão imediata de seus ganhos em real, caso eles decidam fechar negócios em yuan.
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Brasil e China vão usar moedas próprias: repercussão
Empresários chineses afirmam que a nova modalidade de negociação vai ajudar empresas brasileiras que vendem produtos mais valorizados a faturar em exportação para o país. Os brasileiros ainda veem a possibilidade com reservas, sem uma projeção de aumento ou queda no faturamento.
Uma discussão similar já esteve em pauta na recente viagem de Lula à Argentina, quando se discutiu a criação de uma moeda comum para o comércio exterior entre os dois maiores países sul-americanos – que também não empolgou o mercado no Brasil.
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A China inclusive já usa a estratégia de negociar na própria moeda com a Argentina e também o Chile, parceiros via Iniciativa Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês), um programa de empréstimos e financiamentos de infraestrutura criado pelo governo de Pequim. Os chineses querem a entrada do Brasil no acordo, tema que é visto com reservas e divisões no governo brasileiro e já acendeu sinal de alerta nos Estados Unidos.
Sem Lula, um evento realizado nesta semana com empresários brasileiros em Pequim não teve dois anúncios de negócios relevantes:
- a compra da fábrica da Ford em Camaçari (BA) pela BYD, fabricante chinesa de carros elétricos;
- a compra de cerca de 20 aviões comerciais E-195-E2, da Embraer (EMBR3), num negócio estimado em mais de US$ 1 bilhão que está “bem adiantada”, segundo a empresa, mas que ainda depende de conversas entre Lula e o líder chinês, Xi Jinping.
Ainda não há nova data prevista para a viagem de Lula à China.
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Depois de ler que Brasil e China vão usar suas moedas próprias em vez do dólar, que tal investir com assertividade e compreender o impacto dessa decisão no mercado financeiro? Preencha este formulário e um assessor da EQI Investimentos vai entrar em contato para tirar suas dúvidas.