A Barnes & Noble, livraria fundada em 1886 nos Estados Unidos, teve de se reinventar em um mercado em constante transformação – e evolução. A tradicional varejista foi impactada negativamente com o avanço do mundo digital, sobretudo com a ascensão da Amazon (AMZO34).
Após anos em declínio, as vendas da rede de livrarias aumentaram e seus custos caíram. Com a Amazon dominando o varejo online, a B&N sofreu sete anos de queda em sua receita. Foram quase US$ 20 milhões perdidos e 1,8 mil funcionários demitidos.
Hoje, praticamente toda a indústria editorial torce pela Barnes & Noble, incluindo livrarias independentes, que viam a rede como inimiga anteriormente.
O papel da marca é ajudar os leitores a descobrirem novos títulos e as editoras a manterem o investimento em lojas físicas, o que torna a Barnes & Noble um player essencial em um mundo abalado pelas vendas online.
A pandemia prejudicou fortemente a Barnes & Noble. Por quase dois anos, não houve leituras ou autógrafos na maioria de suas lojas, e até seu negócio de cafeterias seguia em baixa.
Em esforços para transformar seu negócio e tentar voltar ao topo, de primeira, a B&N apostou em novos produtos, como brinquedos, cartões de aniversário, cafés e mais. Ainda assim, faltavam livros nos estoque.
A Amazon também entrou nesse cenário como um inimigo comum do varejo de livros. Comprar um livro online é fácil: o processo consta em procurar, clicar e comprar – e pode ser realizado em qualquer lugar, a qualquer momento
Para autores conhecidos, a Barnes & Noble é importante por seu tamanho, e sempre foi uma parada estratégica em qualquer grande turnê de livros, com suas 600 unidades.
Novo CEO mudou negócio
Em 2018, o conselho da Barnes & Noble demitiu seu CEO – o quarto em cinco anos – o que levantou temores sobre o fechamento da rede.
Posteriormente, o fundo de hedge Elliott Advisors comprou a rede por US$ 638 milhões e colocou James Daunt no comando. O livreiro conceituado foi contratado para resolver um problema semelhante na Waterstones, a maior rede de livrarias do Reino Unido, que estava à beira da falência em 2011.
Daunt acreditava que as redes deveriam agir mais como lojas independentes, com liberdade para adaptar suas ofertas aos gostos locais. Na Barnes & Noble, ele acabou com os descontos nas lojas, já que esse tipo de promoção desvaloriza os produtos, em sua visão.
O CEO também negou incentivos feitos pelas editoras, para vender livros que elas indicassem. A fim de criar uma identidade para a rede, apenas melhores livros deveriam ser colocados nas estantes e vitrines das lojas.
O novo CEO também procurou capacitar os gerentes para selecionarem suas prateleiras com base nos gostos locais. Com isso, cada unidade tinha mais autonomia para se adaptar de acordo com os compradores de cada região.
A Barnes & Noble também voltou a se concentrar na venda de livros, em vez da vasta variedade de itens que apostou anteriormente.
Com isso, os compradores da B&N passaram a frequentar a rede novamente não apenas em busca de livros, mas também para fazer parte de uma comunidade e em busca de uma experiência personalizada.
Entre 2012 e 2022, foram abertas 16 novas livrarias da Barnes & Noble, e as vendas aumentaram. Em 2023, a rede quer abrir mais 30 unidades.






