A Medicina é uma das carreiras com maior prestígio social e com boas remunerações para os profissionais. Mas sempre há especialidades com maior potencial de ganhos. Diante disso, a Deloitte, uma das principais consultorias empresariais do mundo, divulgou um relatório apresentando as especialidades com maior e menor demanda nos próximos dez anos.
Com menor demanda para o futuro, o estudo cita as áreas de radiologia, clínica geral, anatomia patológica e medicina do trabalho. Em contrapartida, as especialidades que devem crescer na próxima década são geriatras, oncologistas, psiquiatras e médicos de família.
Atividades simples da Medicina devem ser mecanizadas e atendimento mais humanizado
“A radiologia vai ser impactada pela inteligência artificial. Os algoritmos já são capazes de fazer o diagnóstico. Isso aconteceu muito com exames de imagem para detecção da covid. A máquina é capaz de cruzar milhares de dados rapidamente”, afirma Luis Fernando Joaquim, líder da área de saúde da Deloitte, para o jornal Valor Econômico.
Joaquim cita que a função do radiologista está mais focada na decisão clínica e menos no diagnóstico dos exames. Essa é a mesma lógica adotada pela anatomia patológica.
Essas atividades consideradas mais simples e repetitivas podem ser substituídas por uma máquina no futuro.
Entretanto, a personalização com um atendimento humanizado oferece um valor a mais nos serviços, como as carreiras de médico de família e clínico geral.
Segundo a Deloitte, há uma tendência de aumentar a procura por esses profissionais, que têm um acompanhamento individualizado do paciente, enquanto que um clínico geral sem um vínculo histórico com os pacientes deve perder a atratividade.
Sem contar que em diversas atividades médicas mais simples já são encontradas no meio digital, com ferramentas que fazem perguntas mais generalistas, como verificar se o paciente tem febre, dor no corpo, sonolência, entre outros sintomas, em que a inteligência artificial promove um diagnóstico inicial.
“Além disso, os pacientes podem estar munidos de mais informações de saúde, de seus tratamentos, e procurar diretamente um médico especialista”, cita Marta Santiago, gerente da área de saúde da Deloitte, para uma reportagem do Valor.
Aumento no número de médicos
O relatório informa que a oferta no número de médicos deve aumentar nos próximos anos, sobretudo na especialidade de clínico geral. Este movimento é possível graças ao aumento de vagas de cursos de medicina. Em muitos casos, os profissionais não fazem uma especialização e se mantém na área mais generalista.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) e da consultoria Hoper Educação, em 2020, informaram que havia mais de 200 mil alunos de medicina. Para efeito de comparação, o número de estudantes de graduação pulou de 23,1 mil em 2014 para 40,2 mil em 2020, considerando as redes pública e privada.
Geriatria, oncologia e psiquiatria são as especialidades do futuro
De acordo com a Deloitte, as carreiras de geriatria e oncologia devem ter uma demanda maior nos próximos anos diante do envelhecimento da população brasileira. “A geriatria deve ser a especialidade que mais vai crescer. Haverá uma busca por melhor qualidade de vida por parte da população diante da expectativa de vida mais longeva”, declarou Joaquim para o jornalão.
O período pandêmico trouxe consequências para a saúde mental das pessoas. Diante disso, a psiquiatria deve crescer. “A pandemia da covid-19 mostrou que a saúde mental e física são indissociáveis, colaborando para uma redução no estigma de parcela da população em buscar assistência com psiquiatras, psicólogos, terapeutas”, diz trecho do estudo da Deloitte, que foi antecipado pelo Valor.
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