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Monte Rodovias: conheça a holding que está na fila para IPO

Monte Rodovias: conheça a holding que está na fila para IPO

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

28 Jul 2021 às 13:14 · Última atualização: 28 Jul 2021 · 8 min leitura

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28 Jul 2021 às 13:14 · 8 min leitura
Última atualização: 28 Jul 2021

Monte Rodovias - Bahia

A Monte Rodovias, que detém o controle de três concessionárias do país, está na fila para IPO (Oferta Pública Inicial).

A holding, criada em 2020, surgiu a partir do grupo Monte Equity, fundado em 2015.

Com os recursos do IPO, a empresa quer pagar dívidas, reforçar o caixa e comprar outras companhias.

Vamos conhecer melhor a empresa?

Sobre a Monte Rodovias

A Monte Rodovias se descreve como uma plataforma única no Brasil formada por três concessionárias de rodovias no Nordeste brasileiro. A empresa tem 100% de participação nas rodovias Bahia Norte, Rota do Atlântico e Rota dos Coqueiros, localizadas nos Estados da Bahia e de Pernambuco e totalizando 182,5 km de extensão.

“Acreditamos que, pelas nossas concessionárias estarem localizadas em áreas industriais, urbanas e turísticas, que possuem boas perspectivas de crescimento de tráfego até o fim do período de concessão, possuímos ativos de alta qualidade”, afirma a Monte Rodovias.

A Monte Equity, grupo responsável pela criação da companhia, foi fundada em 2015 por Julio Zogbi.

No mesmo ano de fundação, a Monte Equity, na época ainda em fase de originação e análise de potenciais ativos, anunciou seu primeiro investimento, com a aquisição de participação em um terminal portuário especializado em lidar com cargas líquidas no porto de Paranaguá.

Em 2016, após o fechamento da transação, ele organizou um turnaround operacional da empresa, maximizando a capacidade do ativo, trazendo novos produtos ao portfólio, redimensionando a capacidade de escoamento via caminhões e ferrovia, além de empregar tecnologia, mais segurança e liderança à operação.

No ano seguinte, o terminal recebeu 3 ofertas de venda, não solicitadas e de diferentes compradores internacionais, permitindo a saída da Monte Equity da operação capturando os ganhos derivados das melhorias operacionais empregadas.

Ainda em 2017, a Monte Equity realizou seu segundo investimento, dessa vez em fazendas de energia solar no nordeste do país, em um projeto greenfield que foi administrado em parceria com profissionais do setor, permitindo mais uma vez potencializar os resultados pela qualidade empregada no material, localidade e no contrato firmado para a operação.

No ano seguinte, a Monte Equity teve a saída de seus 2 acionistas minoritários. Com oportunidades de investimento interessantes em vista, a Monte Equity realizou um aumento de capital no ano de 2019 para adquirir ações secundárias de um fundo de private equity, que, por sua vez, continha um portfólio de participações e dividas de empresas relacionadas à infraestrutura, inclusive estradas.

No mesmo ano, dois novos sócios-executivos entraram no grupo, Lucas Lacreta e Fabio Bonini, completando o quadro acionário, mantendo Julio ainda como maioritário na operação.

Por fim, o ano de 2020 foi marcado movimentações importantes: (i) o desinvestimento das plantas de energia solar; (ii) a criação da Monte Rodovias, veículo responsável pela aquisição das 3 concessões rodoviárias, a CBN, a CRA e a CRC.

Monte Rodovias

As três operações da empresa

A Monte Rodovias diz ter uma operação distinta dos players de infraestrutura que atuam no Brasil, dada pela nossa gestão de sólido track record de execução no setor e com um foco de private equity.

“Além de termos três ativos de qualidade, temos foco na triagem e seleção de potenciais novos negócios. Iniciamos o processo de investimento pela procura por ativos, normalmente em regiões que não são alvo dos maiores players do mercado, com contratos seguros, bem elaborados e que proporcionem segurança aos nossos investimentos, o que acreditamos ser um potencializador de nossos retornos”.

A Monte Rodovias foi constituída com o objetivo de deter participações acionárias (sociedade holding) em companhias do segmento operacional de rodovias. Os ativos operacionais da companhia são exclusivamente oriundos das suas controladas, cujas aquisições foram concluídas em abril de 2021.

Abaixo, um breve resumo das três controladas:

Concessionária Bahia Norte (CBN): concessionária que conecta oito cidades na região metropolitana de Salvador, Bahia, entre elas Lauro de Freitas, Simões Filho, Mata de São João e Pojuca, além do aeroporto internacional de Salvador e dos complexos industriais de Camaçari e Aratu. A concessão tem suas operações desde julho de 2011 e o prazo da concessão é de 35 anos.

Concessionária Rota do Atlântico (CRA): a concessionária é uma das principais vias rodoviárias de Pernambuco, ligando Recife a Ipojuca, passando por Cabo Santo Agostinho. A concessão tem suas operações desde agosto de 2010 e o prazo da concessão é de 30 anos.

Concessionária Rota dos Coqueiros (CRC): parceria público-privada que conecta a região metropolitana do Recife ao Litoral Sul de Pernambuco, uma das regiões mais ricas do Nordeste do Brasil. A concessão tem suas operações desde dezembro de 2006 e o prazo da concessão é de 33 anos e cinco meses.

Perspectivas de crescimento dos ativos

Tanto a CRA quanto a CRC apresentam alto potencial de crescimento, segundo a Monte Rodovias, por estarem localizadas em Pernambuco, um estado cujo PIB vem crescendo a taxas superiores à do Brasil devido, principalmente, à entrada de novas indústrias e centros de distribuição na região.

Uma das principais vantagens do Estado, por exemplo, é sua localização geográfica que favorece a distribuição de produtos para os Estados Unidos e a Europa.

Ainda há expectativa de crescimento do tráfego de veículos na região impulsionado pelas atividades industriais e de distribuição próximo à Recife, aumento da demanda de açúcar e granéis sólidos, inauguração de novos prédios corporativos e negócios que, por sua vez, aumentarão os negócios do ramo imobiliário e de lazer na região.

Vale destacar a presença de diversas indústrias âncoras na região, que devem garantir um intenso fluxo de veículos e pessoas no Estado, entre eles: Amanco, Arcor, Coca-Cola, Duratex, Fiat, Liquigás, Pepsico, Tegma, Toyota, Ultragaz, Unilever.

Outras potenciais avenidas de crescimento da CRA e CRC advêm dos fatores listados abaixo:

  • Melhoria de rodovias próximas, como a BR-101, que é a segunda maior rodovia do Brasil. Essa rodovia conecta o Rio Grande do Norte com o Rio Grande do Sul. O seu projeto de regeneração de asfalto, visa diminuir o tempo de viagem de Jaboatão à Paulista em 80%.
  • Recuperação dos projetos de duplicação que ocorrem na BR-232 que conecta o centro de Pernambuco à costa.
  • Desenvolvimento do “Arco Metropolitano”, uma via expressa que conectará o Norte ao Sul de Pernambuco e que tinha seu final previsto para 10 anos atrás (com investimentos na casa de R$1 bilhão). Dado que o projeto nunca foi finalizado, o Governo decidiu implementar uma nova versão chamada de “Miniarco Metropolitano”, aliviando as BR-101 e BR-232 do congestionamento de tráfego e facilitando o trânsito de veículos.

Vantagens competitivas e estratégia

  • Gestão alinhada e com track record de execução em infraestrutura e no mercado financeiro;
  • Processo disciplinado na originação de ativos, postura criativa e inovadora no desenvolvimento das soluções e rigor da execução;
  • Foco na região Nordeste e Centro-Oeste.

A empresa tem como estratégias:

  • Expandir e diversificar regionalmente o portfólio de concessões rodoviárias por meio da participação em novos leilões;
  • Focar em eficiência operacional e retorno sobre o capital investido;
  • Contratação de consultorias especializadas;
  • ESG (Environmental, Social and Governance).

Principais fatores de risco

A extensão da pandemia, a percepção de seus efeitos, ou a forma pela qual tal pandemia impacta ou continuará impactando os negócios da Monte Rodovias, depende de ações passadas, presentes e futuras, que são altamente incertas e imprevisíveis.

Caso a empresa seja incapaz de administrar os problemas e riscos relacionados a aquisições e alianças, os seus negócios e estratégia de desenvolvimento podem ser afetados.

As aquisições futuras da empresa podem ser contestadas pelas autoridades brasileiras.

A companhia poderá estar sujeita a eventuais desequilíbrios econômico-financeiros em seus contratos de concessão em decorrência da Lei 14.157/2021, que estabelece condições para a implementação da cobrança pelo uso de rodovias por meio de sistemas de livre passagem.

A Monte Rodovias pode enfrentar responsabilidades por contingências em decorrência de suas aquisições que não tenham sido identificadas antes da transação e podem não ser suficientemente indenizáveis nos termos do contrato de aquisição.

Sobre o IPO da Monte Rodovias

O pedido de IPO foi protocolado pela Monte Rodovias na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em 14 de julho. A empresa quer ser listada no Novo Mercado.

A oferta é apenas primária, quando os recursos vão para o caixa da empresa. A companhia pretende usar os valores para pagar dívidas, reforçar o caixa, investir em expansão orgânica e para aquisições.

Goldman Sachs, BTG Pactual, XP e UBS BB coordenam a operação.

Informações sobre prazos e datas da operação ainda não foram divulgados.

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