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Fim da hegemonia do dólar? Lula fala em moeda alternativa; veja análise de Alexandre Viotto

Fim da hegemonia do dólar? Lula fala em moeda alternativa; veja análise de Alexandre Viotto

Durante a cerimônia de posse de Dilma Rousseff como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou a utilização do dólar como moeda padrão para as transações comerciais entre os países emergentes integrantes dos BRICs.

Lula aventou a utilização de uma moeda alternativa ao dólar.

“Todo mundo depende de uma única moeda, e tem muita gente mal acostumada”, disse.

“Quem decidiu que era o dólar a moeda depois que desapareceu o ouro como paridade? Hoje um país precisa correr atrás de dólar para poder exportar, quando poderia exportar com sua própria moeda e os bancos centrais poderiam cuidar disso”, afirmou.

Para Alexandre Viotto, co-head de Banking da EQI Investimentos, o que Lula fez foi apenas “colocar em palavras” o que a diplomacia brasileira já vem realizando, inclusive desde o governo anterior: uma busca por outras divisas para facilitar as transações comerciais.

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“A hegemonia do dólar não vai acabar agora. Tem analista que fala em décadas que ainda levaremos usando o dólar como moeda principal de negociação. Mas existe mesmo essa busca por uma alternativa”, analisa.  

“Eu, particularmente, acredito que isso está longe de acontecer, mas existe, sim, esse movimento”, complementa.

Como evidência, Viotto enfatiza que o yuan vem ano a ano expandindo sua relevância na reserva internacional brasileira.

Em 31 de março, o Banco Central divulgou relatório que aponta que o yuan chinês ultrapassou o euro e se tornou a segunda moeda mais importante nas reservas internacionais brasileiras, reflexo do aprofundamento dos laços econômicos do Brasil com seu maior parceiro comercial.

Até 2018, o yuan estava ausente das reservas estrangeiras do país. Agora, representa 5,37% do total, superando a participação de 4,74% do euro.

“Nossa principal reserva sempre foi e segue sendo o dólar, que representa mais de 80% do total. Mas é preciso observar que o yuan já superou o euro na segunda colocação, o que é um fato relevante”, diz.

O co-head de Banking da EQI Investimentos enxerga as falas de Lula, na verdade, como um “afago” ao governo chinês, em meio a uma viagem em que o presidente Lula busca fechar acordos comerciais com o país oriental.

“Novamente friso: estamos longe de uma mudança geopolítica macro relevante, com Brasil abandonando dólar e privilegiando yuan”, ressalta. “Mas o dólar sendo cada vez menos utilizado é um caminho no qual já estamos”, complementa.

imagem de notas de dólar
Freepik

Por que o dólar é a principal moeda para transações comerciais?

A padronização do dólar para as relações comerciais entre os países remonta ao ano de 1944, mais especificamente ao Acordo de Bretton Woods.

Os Estados Unidos adotaram o dólar em 1792. A criação oficial veio com a chamada “Lei da Moeda”. Trata-se de um ato do congresso norte-americano para criar e regulamentar uma base de troca na então nova nação. Ela foi aprovada em 2 de abril daquele ano.

Porém, é bem verdade que o dólar passou por algumas dificuldades. Isto ocorreu até 1944, quando havia problemas em determinar o valor do dólar em comparação ao de outras unidades monetárias do mundo.

Porém, a Conferência de Bretton Woods, realizada entre 1º e 22 de julho de 1944, ainda em meio à Segunda Guerra Mundial, pôs um fim nesse problema, ao elaborar um conjunto de regras para o sistema monetário internacional. Daí, surgiram o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Com o fim da guerra, os EUA e o dólar emergiram como a principal força político-econômica mundial e o país tentou estabelecer um padrão em que o grama do ouro teria um valor estabelecido em dólares.

Esse sistema vigorou até os anos 70, quando a moeda enfrentou uma brutal desvalorização. A partir de 1971, deixou de ser lastreado ao ouro. 

Com os avanços tecnológicos e a velocidade das negociações, o câmbio flutuante sobre o dólar passou a ocorrer em escala cada vez maior, consolidando a moeda dos EUA como principal base para as relações econômicas internacionais.

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Moeda Brasil-China

Recentemente, Brasil e China têm avançado em conversas para a realização de trocas comerciais sem a necessidade de conversão para o dólar, mas não há previsão sobre quando esse novo arranjo poderia entrar em vigor.

Os dois países anunciaram a criação de uma Cleaning House, ou câmara de compensação, que funcionará como uma instituição bancária para permitir a realização de negócios e a concessão de empréstimos em real e yuan, sem o uso da moeda norte-americana.

“Atualmente, o funcionamento das transações se dá da seguinte forma: você converte de real para dólar e de dólar para yuan. E você perde no spread (diferença no valor de venda e compra). Ao fazer a transação em yuan diretamente você tira a moeda intermediária e aumenta a competitividade”, explica Viotto.

Quem são os BRICs?

O bloco dos BRICs, que poderia, segundo Lula ser favorecido pelo uso de moedas alternativas ao dólar nas transações comerciais, é formado por Brasil, Índia, China e África do Sul e tem sua origem em 2000.

O objetivo do bloco é promover a aproximação entre as nações e estimular acordos comerciais.

Quer saber mais sobre câmbio e moeda alternativa ao dólar? Fale com a equipe da EQI!