O dólar hoje encerrou o pregão desta quinta-feira (5) em alta de 0,68%, cotado a R$ 5,4886. Durante a sessão, a moeda americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4270 e a máxima de R$ 5,4948, em um dia marcado por declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre os juros no Brasil e pela divulgação de dados sobre o mercado de crédito dos Estados Unidos.
O movimento ocorreu um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Após a decisão, Durigan avaliou que o patamar dos juros continua elevado e defendeu a adoção de medidas que permitam uma redução sustentável da taxa no país.
Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o ministro afirmou que os juros elevados prejudicam diferentes setores da economia, incluindo o financeiro e o produtivo.
“É uma taxa de juros bastante alta, muito ruim para economia, para todos os setores, mesmo o setor financeiro, o setor produtivo. Nós precisamos fazer as medidas necessárias para que a gente dê as condições e, de maneira sustentável e estrutural, a taxa de juros diminua do Brasil”, declarou.
Durigan acrescentou que o governo pretende trabalhar para criar condições estruturais que favoreçam a redução dos juros durante o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Governo defende equilíbrio das contas públicas
O ministro também destacou que o governo continuará buscando o fechamento das contas públicas com superávit, por meio de ajustes graduais e medidas de revisão de despesas.
Segundo Durigan, a estratégia envolve a revisão de benefícios, a redução de privilégios e o controle dos gastos primários, sem prejudicar a população de menor renda.
“A gente nunca vai propor medidas que prejudiquem as pessoas mais pobres. Ao contrário, quando a gente vai fazendo ajustes graduais, vai implementando medidas olhando para corte de privilégio, a retomada de uma série de revisões de benefícios, revisões de gasto primário, a gente dá as condições para que o orçamento seja superavitário”, afirmou.
A condução da política fiscal e as perspectivas para os juros estão entre os fatores acompanhados pelos investidores na avaliação dos ativos brasileiros, incluindo o câmbio.
Bancos dos EUA endurecem critérios para concessão de crédito
Outro fator de atenção para o mercado internacional foi a divulgação de uma nova pesquisa do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. O levantamento apontou que instituições financeiras dos Estados Unidos começaram a tornar mais rigorosos os critérios para concessão de empréstimos, diante de preocupações com as perspectivas econômicas.
A Pesquisa de Opinião de Diretores de Crédito Sênior sobre Práticas de Empréstimo Bancário (SLOOS, na sigla em inglês), referente a outubro e publicada em 2 de novembro, identificou condições de crédito mais restritivas durante o terceiro trimestre.
O estudo reuniu respostas de 61 bancos nacionais e 18 filiais americanas de instituições financeiras estrangeiras. Foram analisadas mudanças nos padrões de concessão, nas condições dos empréstimos e na demanda por crédito.
De acordo com o levantamento, pequenas empresas, famílias com maior risco de inadimplência e o setor de imóveis comerciais estão entre os segmentos mais afetados pelas restrições.
No crédito comercial e industrial destinado a grandes e médias empresas, os critérios permaneceram praticamente estáveis em comparação com a pesquisa anterior. Já as pequenas empresas enfrentaram maior rigor na concessão de financiamentos.
O relatório também apontou que os bancos passaram a exigir condições mais rigorosas para empréstimos considerados arriscados, independentemente do porte das empresas.
Entre as justificativas apresentadas pelas instituições financeiras estão uma perspectiva econômica menos favorável ou mais incerta e o agravamento de problemas específicos em determinados setores.
A pesquisa da SLOOS acompanha as percepções dos bancos sobre os padrões de concessão, as condições e a demanda por empréstimos. Portanto, os resultados indicam mudanças nas condições de crédito e no sentimento das instituições financeiras, mas não representam diretamente os volumes efetivos de financiamentos concedidos.
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