O investidor bilionário Ray Dalio acendeu um alerta durante o Fórum Econômico Mundial em Davos na semana passada: segundo ele, o mundo está “próximo de uma guerra dos capitais”, um estágio avançado da disputa geopolítica em que países e investidores deixam de confiar nas moedas uns dos outros. Dalio argumenta que, “em um ambiente parecido com o de guerra, países não querem manter a dívida de outros por medo de sanções”, como observou Benjamin Picton, estrategista sênior do Rabobank.
A análise faz parte do relatório Global Daily – Capital Punishment, publicado por Picton, que interpreta a fala de Dalio como um sintoma da crescente “desconfiança estrutural” entre nações e do enfraquecimento da fé no sistema de moedas fiduciárias (“fiat”). Nas palavras do estrategista, Dalio aponta que o fenômeno atual não é uma simples desdolarização, mas “de-fiatização” – uma fuga de moedas nacionais em direção a ativos reais.
Picton destaca que investidores e governos temem tanto sanções quanto a perda de valor causada por políticas fiscais e monetárias expansionistas: “outros investidores não querem manter ativos financeiros por medo de debasement por meio de gastos deficitários e monetização da dívida”. Nesse cenário, cresce a busca por instrumentos que não carregam risco de contraparte, risco político ou risco de diluição monetária.
O ouro e a prata voltaram ao centro do sistema. “O ouro agora negocia bem acima de US$ 5.000 a onça, e a prata acima de US$ 100”, escreve Picton, ressaltando que ambos renovam máximas históricas. Além disso, o Bloomberg Commodity Index está no ponto mais alto desde meados de 2022, enquanto petróleo e gás natural acumulam fortes altas. Para Picton, esses movimentos “sinalizam escassez do material em relação ao financeiro”, reforçando a preferência por ativos físicos.
Paralelamente, moedas nacionais enfrentam pressões. A expansão de déficits, o prolongado uso de políticas de estímulo e as tensões comerciais, como as investidas dos EUA contra China, Venezuela e até Canadá, ampliam a percepção de que governos podem impor controles de capital ou restringir o comércio internacional rapidamente.
O relatório conclui com um aviso direto: se a disputa comercial entre EUA e China continuar a evoluir, “os investidores fariam bem em prestar atenção ao alerta de Dalio de que o castigo pode vir na forma de uma guerra global de capitais”.
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