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Bitcoin hoje sobe, mas ETFs e geopolítica ainda desafiam retomada

Bitcoin hoje sobe, mas ETFs e geopolítica ainda desafiam retomada

Criptomoeda reage após defender os US$ 60 mil, mas mercado monitora saídas dos ETFs, inflação ao produtor nos EUA e tensão entre EUA e Irã

O Bitcoin hoje (11) opera em alta, recuperando parte das perdas recentes e tentando se sustentar acima da região dos US$ 60 mil. A melhora ocorre após o ativo voltar a encontrar compradores perto desse suporte, mas o mercado ainda monitora saídas dos ETFs, inflação nos Estados Unidos e a escalada geopolítica envolvendo EUA e Irã.

Por volta das 11h20, no horário de Brasília, o Bitcoin subia 2,12%, cotado a US$ 62.749,18, segundo dados do Google Finance. 

Segundo Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, o movimento é relevante porque devolve o preço para perto da média móvel de 200 semanas, localizada próxima dos US$ 62 mil, e reforça a percepção de interesse comprador na faixa dos US$ 60 mil.

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Bitcoin hoje: Recuperação ainda é limitada

Apesar da alta, o movimento ainda não elimina os riscos de curto prazo. Segundo o MB, a primeira resistência técnica relevante aparece perto dos US$ 64 mil. Portanto, o mercado ainda monitora se a recuperação atual será sustentada ou se representa apenas uma reação após a queda recente.

As altcoins também acompanham a melhora, mas com menor intensidade. A dominância do Bitcoin avançou de 58,6% para 59%, sinal de que investidores ainda preferem concentrar posições na principal criptomoeda antes de assumir mais risco em outros ativos digitais.

A Boost Research também aponta para um cenário de curto prazo neutro a levemente negativo. Para André Franco, CEO da casa, o Bitcoin mostra alguma resiliência ao recuperar parte das perdas e se manter acima da região psicológica dos US$ 60 mil, mas ainda enfrenta um ambiente desfavorável para ativos de risco.

ETFs seguem negativos

Os ETFs à vista de Bitcoin voltaram a pressionar o mercado. De acordo com o Mercado Bitcoin, os fundos registraram saída líquida de US$ 213,9 milhões na sessão anterior.

Com isso, dos últimos 24 dias de negociação, 21 tiveram mais saídas do que entradas nesses produtos. O saldo acumulado já supera US$ 5,7 bilhões em retiradas.

Esse fluxo continua sendo um dos principais obstáculos para uma recuperação mais consistente do BTC. Como os ETFs foram uma das forças da alta anterior, a permanência de resgates limita o fôlego da retomada.

PPI dos EUA no radar

No campo macroeconômico, os investidores aguardam a divulgação do PPI, índice de inflação ao produtor dos Estados Unidos. O indicador é relevante porque mede a pressão de custos nas empresas e pode antecipar movimentos futuros da inflação ao consumidor.

O mercado espera alta de 0,5% na leitura cheia e de 0,3% no núcleo, ambos na comparação mensal. Segundo o MB, apesar de ainda indicarem pressão inflacionária, esses números representariam desaceleração em relação aos dados de abril.

Na véspera, o CPI veio praticamente em linha com as expectativas. A inflação cheia subiu para 4,2% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou para 2,9%. Mesmo sem surpresa negativa, os dados mantêm a inflação distante da meta de 2% do Federal Reserve.

Com isso, segue no radar a possibilidade de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, fator que costuma pesar sobre ativos de risco, como tecnologia e criptomoedas.

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Geopolítica ainda pesa

O cenário geopolítico também continua no centro das atenções. Segundo o MB, Estados Unidos e Irã trocaram ataques pelo segundo dia consecutivo, com explosões registradas em regiões próximas ao Estreito de Ormuz e declaração iraniana de fechamento da passagem marítima.

A tensão mantém o mercado atento ao petróleo e aos efeitos sobre inflação global. Ainda assim, o petróleo tem reagido de forma mais contida do que o esperado, negociando próximo de US$ 90 por barril, segundo a análise do Mercado Bitcoin.

Para a Boost Research, a combinação de petróleo em alta, dólar firme e queda em ações de tecnologia segue pesando sobre o apetite por risco. Nesse contexto, o Bitcoin tende a oscilar em uma faixa volátil, com suporte na região dos US$ 60 mil e resistência próxima dos US$ 63 mil a US$ 64 mil.

Japão avança em cripto

No campo regulatório, o Japão trouxe uma notícia positiva para o setor. A Câmara Baixa aprovou uma proposta que reclassifica criptoativos como instrumentos financeiros regulados, reduzindo a tributação sobre ganhos de capital para uma alíquota fixa de 20%.

A mudança também abre caminho para produtos como ETFs de criptoativos no país, permite compensação de prejuízos por até três anos e facilita o acesso de instituições financeiras ao setor.

Apesar de não ter efeito imediato sobre o preço do Bitcoin, a medida reforça a integração gradual entre o mercado cripto e o sistema financeiro tradicional.

Daqui para frente, o mercado deve acompanhar a divulgação do PPI dos Estados Unidos, os fluxos dos ETFs, o comportamento do petróleo e os desdobramentos entre Estados Unidos e Irã. Para o Bitcoin, a sustentação acima dos US$ 60 mil segue como ponto central, enquanto a recuperação precisa superar a região dos US$ 64 mil para ganhar mais força.