Alô, câmbio, tudo bem com vocês?
Nos últimos dias, a mídia especializada (e nem tão especializada assim) tem feito várias matérias sobre o bom momento da moeda brasileira.
Quando você vai para as plataformas de streaming então, a quantidade de “especialistas” dando opinião tem batido recordes… Todos querendo dar o seu palpite sobre o “Dólar”. Mas e aí?
Balança Comercial
As exportações brasileiras seguem dando show e ajudando bastante a manter o fluxo de recursos estrangeiros no azul.
Seja pelo bom momento dos preços das commodities ou mesmo pela eficiência do agronegócio nacional, desde 2012 não tínhamos um trimestre assim tão positivo nas vendas ao exterior.
Posição na B3
Os contratos futuros em aberto demonstram que os investidores seguem apostando cada vez mais na valorização futura do Real.
Lembrando que, dadas as características do mercado local, este é o melhor termômetro quando estamos avaliando a “saúde” do câmbio por aqui…
Brasília, quem diria…
Até mesmo o Governo, para surpresa de alguns, tem ajudado.
O novo arcabouço fiscal acabou sendo ruim quando comparado ao Teto de Gastos… Porém, saiu melhor do que as previsões mais pessimistas. Isso ajudou também no sentimento de alívio e na relativa euforia com o real nas últimas semanas.
Nem tudo são flores
Porém, a alegria pode sim ter prazo de validade… E me refiro a algo bem conhecido por você caro leitor… A taxa básica de juros.
A moeda brasileira está onde está hoje muito por conta do diferencial entre as taxas locais e lá fora. Em outras palavras, vale muita a pena para o investidor estrangeiro colocar o seu rico dinheiro aqui no Brasil com tanto “yield” por essas bandas.
Autonomia do Bacen
Por isso mesmo, enquanto o Planalto ficar só na bravata e não tentar derrubar os juros na marra, tudo bem.
Agora, qualquer movimento interpretado pelo mercado como interferência indevida, levando a uma queda brusca da Selic, tende a fazer o com que o real perca rapidamente todo esse brilho acumulado. Justamente por conta do carry trade que ficaria menor que o atualmente praticado.
Não existe almoço grátis
Apesar de alguns economistas defenderem o contrário, alterar os juros não deixaria o restante dos índices inalterados, ou pouco alterados.
O principal deles, e centro desta nossa discussão, tende a ser o primeiro da reagir.
Primeiro viria o câmbio, seguido por bolsa, DI futuro, etc. Isto sem falar da inflação, que ainda preocupa bastante e ainda não deu seta de desacelerar tão cedo. Nem no Brasil, tampouco no exterior.
Money Week
Antes de dizer tchau… Nos dias 2 e 3 de maio teremos a Money Week – 100 dias de Governo, evento online e gratuito da EQI. Inscreva-se aqui. Vamos debater as primeiras ações do governo e saber o que esperar para os próximos meses. Participe!
O meu muito obrigado e até semana que vem!
Câmbio, desligo.
Por Alexandre Viotto, co-head de Banking da EQI Investimentos
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