O iFood entregou mais um ano de forte desempenho financeiro, mesmo diante da intensificação da concorrência no mercado brasileiro de delivery de comida, segundo análise do BTG Pactual.
A receita superou R$ 10 bilhões no ano fiscal de 2026 – período entre abril de 2025 e março de 2026 -, com crescimento de 36% na comparação anual, enquanto o EBITDA aumentou 40%, alcançando R$ 2,2 bilhões, de acordo com a controladora Prosus.
“O crescimento é cada vez mais impulsionado por negócios além do delivery tradicional de restaurantes”, destacaram os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, do BTG Pactual. Novas verticais — incluindo fintech, soluções de ERP, entrega de mercado e farmácia — representaram 33% da receita total no ano fiscal de 2026, ante apenas 21% dois anos antes, com todos esses negócios já tendo atingido o ponto de equilíbrio.
Fintech responde por um quarto da receita total
O braço de fintech sozinho gerou R$ 2,5 bilhões em receita, crescendo mais de 100% na comparação anual e respondendo por aproximadamente um quarto das vendas totais da companhia.
“Isso reforça a estratégia da gestão de monetizar o ecossistema de comerciantes para além das comissões de delivery”, avaliaram Guanais, Cesquim e Cendon.
Enquanto o negócio principal de delivery de comida continuou crescendo cerca de 20% ao ano, a gestão enfatizou que a expansão futura virá cada vez mais da criação de novas ocasiões de consumo do que da simples adição de usuários.
Duas iniciativas se destacam nessa frente. O Turbo, serviço de entrega ultrarrápida, expandiu-se significativamente para farmácias, onde aproximadamente 70% das entregas já são concluídas em até 20 minutos.
Aproveitando inteligência artificial, o iFood identificou restaurantes capazes de preparar refeições de forma consistentemente mais rápida do que o estimado anteriormente, trabalhando junto a parceiros para otimizar operações.
Já o Hits, oferta de refeições acessíveis abaixo de R$ 30, finalmente atingiu um modelo economicamente sustentável após anos de desenvolvimento — desde setembro, o volume de pedidos mais que dobrou, já representando cerca de 8% do total de pedidos, com meta de penetração entre 15% e 20% até o fim do ano.
Concorrência aposta em subsídios, iFood aposta em ecossistema
A entrada de novos concorrentes, como 99 e Keeta, intensificou a atividade promocional no setor, particularmente em bairros de menor renda, por meio de subsídios agressivos. Entretanto, em vez de responder com guerra de preços, o iFood busca reforçar seu posicionamento competitivo aprofundando a integração com o ecossistema digital mais amplo da Prosus.
“Mais de 20% da receita brasileira da Decolar agora se origina de jornadas de clientes iniciadas dentro do aplicativo do iFood, ilustrando como o tráfego entre plataformas está se tornando uma vantagem competitiva cada vez mais valiosa”, destacaram os analistas do BTG.
Essa abordagem de ecossistema permite que o iFood monetize relacionamentos com clientes em múltiplas categorias, ao mesmo tempo em que aumenta os custos de troca tanto para consumidores quanto para comerciantes — um fator que dificulta a migração para concorrentes baseados apenas em preço.
O BTG continua vendo o iFood como um dos ativos de plataforma digital mais fortes do Brasil, com market share estimado em cerca de 80% no delivery online de comida.
“A combinação de alta frequência de uso, logística proprietária, melhorias operacionais impulsionadas por IA e crescentes capacidades de cross-selling cria um flywheel poderoso, no qual cada transação gera mais dados de clientes, maior engajamento e oportunidades adicionais de monetização”, concluíram Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.
Enquanto concorrentes continuam dependendo de subsídios para ganhar tração inicial, o BTG acredita que o iFood entra em uma nova fase, na qual a criação de valor será impulsionada pelo aumento da frequência de clientes, share of wallet e monetização do ecossistema.
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