O minério de ferro hoje opera em baixa diante de novos sinais de enfraquecimento da economia chinesa, aumentando as preocupações sobre o ritmo da demanda por aço no maior mercado consumidor da matéria-prima. A queda, porém, é parcialmente limitada pela paralisação de trabalhadores em uma importante operação de exportação na Austrália.
Na Bolsa de Commodities de Dalian (DCE), o contrato de minério de ferro com maior volume de negociações terminou a sessão diurna com recuo de 0,35%, aos 713,5 iuanes por tonelada, equivalente a cerca de US$ 105,79.
No mercado internacional, o contrato de referência para setembro apresentava pouca variação nas primeiras horas do pregão, próximo de US$ 95 por tonelada. Com isso, a commodity permanecia abaixo da marca de US$ 100 pelo 15º pregão consecutivo.
A pressão sobre os preços aumentou após indicadores econômicos da China apontarem para um cenário menos favorável à atividade industrial. Em julho, a inflação ao produtor recuou mais do que o esperado e atingiu o menor nível em três meses. A inflação ao consumidor também desacelerou no período, influenciada, entre outros fatores, pela redução dos preços internacionais de energia.
Segundo analistas da Galaxy Futures, o comportamento da demanda por aço está entre os principais fatores que determinam a trajetória do minério de ferro. A instituição avalia que o consumo doméstico de aço pela indústria manufatureira chinesa pode registrar uma retração maior do que a projetada anteriormente.
As condições climáticas também pesaram sobre as perspectivas de consumo. Chuvas intensas e tempestades associadas à passagem do tufão Dolphin atingiram diferentes províncias do leste da China, prejudicando atividades ao ar livre e afetando o uso de aço em algumas regiões.
Na outra ponta, uma greve nas operações da BHP na Austrália ajudou a conter uma queda mais expressiva dos preços. A adesão de trabalhadores à paralisação aumentou no domingo nas instalações da companhia em Port Hedland, na Austrália Ocidental.
O complexo de Port Hedland tem papel relevante no comércio internacional da commodity. No período de 12 meses encerrado em junho, o centro respondeu por aproximadamente 75% das exportações de minério de ferro da região de Pilbara.
O mercado, portanto, segue dividido entre fatores de oferta e demanda. Enquanto os sinais de desaceleração econômica e a possibilidade de menor consumo de aço na China pressionam os preços, eventuais interrupções nos embarques australianos podem oferecer sustentação à commodity nos próximos pregões.






