O mercado de óleo e gás no Brasil deve continuar atento às discussões sobre o imposto de exportação de petróleo, enquanto a Petrobras (PETR3; PETR4) enfrenta um cenário que combina mudanças regulatórias, subsídios aos combustíveis e oscilações do preço do Brent.
Em relatório publicado, o BTG Pactual avalia que o noticiário sobre a tributação das exportações deve permanecer intenso nos próximos dias ou até semanas, diante da relevância da arrecadação para o orçamento federal.
A avaliação ocorre depois de dois acontecimentos relevantes. Segundo o banco, uma decisão judicial de primeira instância anulou, na quinta-feira, a resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex) relacionada ao imposto. No mesmo dia, a Camex renovou a cobrança por mais 60 dias, já que o formato então vigente expiraria em 7 de setembro.
O BTG considera provável que o governo federal recorra da decisão judicial. Com isso, a discussão tributária permanece como um dos principais pontos de atenção para investidores das produtoras brasileiras de petróleo.
Petrobras pode compensar impacto do imposto com subsídios
Em um exercício sobre os efeitos da tributação, o BTG analisou um cenário no qual a alíquota de 12% sobre as exportações de petróleo permanece em vigor durante todo o quarto trimestre de 2026. Para a Petrobras, o banco também considera a extensão, até o fim do ano, dos subsídios relacionados a diesel e gasolina.
Nesse cenário, a instituição calcula que o efeito líquido combinado continuaria positivo para a estatal. A receita adicional obtida com os combustíveis em razão dos subsídios seria suficiente para mais do que compensar o impacto negativo do imposto de exportação de petróleo.
Os gráficos apresentados pelo BTG reforçam essa diferença. No cenário em que a cobrança se estende até o quarto trimestre, o FCFE Yield estimado para 2026 da Petrobras sobe de 9,8% para 11,1%, enquanto o dividend yield passa de 9,2% para 9,9%. Para PRIO (PRIO3), o efeito estimado é menor, com o FCFE Yield recuando de 16,1% para 15,7% e o dividend yield de 6,8% para 6,5%.
PRIO tem impacto limitado, enquanto Brava enfrenta pressão adicional
Para PRIO e Brava Energia (BRAV3), o BTG considera relativamente limitado o impacto direto da permanência do imposto de exportação de petróleo. A Brava, porém, apresenta uma particularidade que pode aumentar a pressão sobre seus resultados.
Segundo a análise, o campo de Papa-Terra sofre um efeito negativo adicional porque a redução do preço de paridade de exportação amplia o desconto do preço realizado pelo ativo em relação ao preço do Brent. No cenário apresentado pelo banco, o FCFE Yield de 2026 da Brava cairia de 11,8% para 9,8% com a extensão da tributação até o quarto trimestre. Já o dividend yield permaneceria em 3,5%.
Na comparação de empresas de upstream acompanhadas pelo BTG na América Latina, PRIO continua apresentando indicadores relevantes de geração de caixa. O banco estima FCF Yield de 14% em 2026, 28% em 2027 e 26% em 2028. Para a Petrobras, as projeções são de 10%, 12% e 14%, respectivamente.
Brent cai 5% e cenário internacional entra nas contas
Além das questões domésticas, o preço do Brent permanece como variável importante para o desempenho do setor de óleo e gás no Brasil. Na semana analisada pelo BTG, a referência internacional recuou cerca de 5%, para aproximadamente US$ 89 por barril.
De acordo com o relatório, a queda ocorreu em meio aos avanços nas conversas entre Irã e Omã, que elevaram as expectativas de uma possível reabertura do Estreito de Ormuz. A perspectiva reduziu parte das preocupações com a oferta que vinham sustentando as cotações do petróleo.
Os fluxos pelo estreito, no entanto, continuavam instáveis no momento da publicação. Para o BTG, os acontecimentos em torno de Ormuz devem permanecer como o principal direcionador dos preços do petróleo. Novos avanços em direção à reabertura poderiam exercer pressão adicional sobre o Brent.
Importação de diesel pode pressionar ambiente das distribuidoras
O BTG também chama atenção para o mercado brasileiro de distribuição de combustíveis. A expectativa do banco é que os dados de comércio exterior de agosto indiquem importações de diesel em volume semelhante ou ligeiramente superior ao observado em julho, quando chegaram a aproximadamente 1,4 milhão de metros cúbicos.
Dois fatores sustentam essa projeção: a Petrobras continuava ativa na importação de diesel e outros participantes, como distribuidoras regionais e tradings, também mantinham as compras externas aproveitando uma subvenção de R$ 1,12 por litro. Ao mesmo tempo, as refinarias da estatal operavam em níveis elevados.
A combinação entre importações maiores e alta utilização do parque de refino criou, segundo conversas do BTG com participantes da indústria, uma percepção de leve excesso de oferta. O cenário pode ser menos favorável para as margens das distribuidoras. Ainda assim, o banco espera níveis relativamente fortes, estimando margem Ebitda próxima de R$ 320 por metro cúbico no terceiro trimestre de 2026, patamar que deve continuar sustentando resultados e geração de caixa de Ultrapar e Vibra.
Investidores monitoram Petrobras, Ultrapar e Brava
Os movimentos dos investidores também mostram um cenário mais dividido para o setor de óleo e gás no Brasil. Segundo o BTG, as posições vendidas apresentaram comportamento misto na semana, com aumento significativo do short interest em Petrobras e Ultrapar (UGPA3). PRIO também registrou avanço, embora mais moderado.
A Brava seguiu na direção contrária. O volume de posições vendidas recuou em relação aos níveis elevados observados recentemente, enquanto PetroReconcavo (RECV3) e Vibra (VBBR3) permaneceram relativamente estáveis.
Nesse ambiente, a disputa em torno do imposto de exportação de petróleo tende a continuar no centro das atenções. Ao lado do comportamento do preço do Brent, das importações de combustíveis e das decisões do governo, a definição sobre a cobrança pode determinar como o mercado diferencia Petrobras, PRIO, Brava e outras companhias brasileiras nas próximas semanas.






