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iFood ganha caminho para avançar em medicamentos e aumenta pressão

iFood ganha caminho para avançar em medicamentos e aumenta pressão

Essa é a avaliação do BTG Pactual, após a Anvisa revogar medidas que restringiam a venda de medicamentos por meio de plataformas digitais

A entrada de plataformas como o iFood no mercado de medicamentos deve aumentar a competição com as grandes redes de farmácias, mas ainda não é suficiente para mudar o equilíbrio do setor. Essa é a avaliação do BTG Pactual (BPAC11) após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogar medidas que restringiam a comercialização, distribuição e publicidade de medicamentos por meio de plataformas digitais.

Para o banco, o iFood aparece como a ameaça competitiva mais imediata às redes tradicionais. Com grande tráfego de consumidores, uso frequente do aplicativo e uma ampla infraestrutura de entregas rápidas, a plataforma está bem posicionada para ganhar espaço principalmente em compras urgentes e em categorias como medicamentos isentos de prescrição (OTC) e produtos de higiene e cuidados pessoais (HPC).

A mudança regulatória, no entanto, não permite que o iFood ou outros marketplaces passem simplesmente a vender medicamentos por conta própria. A operação continua tendo de ser realizada em parceria com farmácias e drogarias devidamente licenciadas. A Lei 15.357, sancionada em março deste ano, autorizou esses estabelecimentos a contratar plataformas digitais para logística e entrega, desde que sejam cumpridas as regras sanitárias.

As novas medidas da Anvisa, publicadas no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira, retiram parte da incerteza regulatória que ainda cercava o modelo de intermediação digital. Para o BTG, o movimento deve acelerar a entrada de plataformas no segmento, mas não representa uma mudança fundamental sobre quem pode dispensar medicamentos.

iFood aposta em conveniência

Na avaliação do BTG, o principal diferencial do iFood no mercado farmacêutico não é o conhecimento sobre medicamentos nem a variedade de produtos, mas a combinação entre tráfego e logística de última milha.

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A estratégia da empresa consiste em colocar farmácias diante de consumidores que já estão habituados a utilizar o aplicativo para compras com entrega rápida. A plataforma vem recrutando estabelecimentos do setor e oferece integração de estoque, acesso à rede de entregadores e ferramentas de marketing.

Segundo dados destacados pelo banco, a proposta atual do iFood envolve entregas por uma rede de mais de 400 mil parceiros. A plataforma trabalha com comissão de 6% quando a entrega é realizada pela própria farmácia e de 12% quando utiliza a logística do iFood.

O aplicativo também vem desenvolvendo recursos específicos para o setor, como integração com descontos de programas de benefícios de medicamentos e programas de fidelidade.

O potencial disruptivo, contudo, deve ser maior em determinadas ocasiões de consumo. Para o BTG, o iFood pode ganhar relevância principalmente quando o consumidor precisa de um produto com rapidez, mas não necessariamente deve substituir a farmácia tradicional como principal destino para todas as compras de medicamentos e produtos de saúde.

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Grandes redes ainda têm uma vantagem difícil de replicar

É justamente nesse ponto que o BTG mantém uma visão mais favorável às grandes redes de farmácias. Empresas como a Raia Drogasil possuem uma infraestrutura física que funciona, ao mesmo tempo, como rede de lojas, estoque distribuído, canal de aquisição de clientes e estrutura de entrega.

Essa combinação dá às grandes redes uma vantagem importante no comércio eletrônico farmacêutico. O consumidor pode encontrar uma variedade maior de produtos, ter maior chance de encontrar o medicamento específico que procura e receber o pedido rapidamente a partir de uma unidade próxima.

A questão do estoque é especialmente relevante no setor farmacêutico. Diferentemente de categorias em que o consumidor pode substituir facilmente um produto por outro, medicamentos costumam envolver uma busca específica por molécula, dosagem, marca ou apresentação.

Por isso, disponibilidade de estoque e profundidade de sortimento podem ser tão importantes quanto a velocidade da entrega.

O iFood, por sua vez, depende das farmácias parceiras para garantir esses atributos. A plataforma pode controlar a experiência digital e a logística, mas não possui o mesmo controle sobre o estoque e o sortimento de uma grande rede verticalmente integrada.

Entrada das plataformas deve aumentar a concorrência entre empresas de saúde

Para o BTG, o efeito mais provável da decisão da Anvisa é uma intensificação gradual da competição entre diferentes modelos de varejo farmacêutico.

Além do iFood, empresas como Rappi e Mercado Livre também passam a ter mais espaço para explorar o mercado. Cada plataforma, porém, possui uma vantagem diferente.

O iFood tem maior afinidade com compras de entrega rápida. Os grandes marketplaces possuem enorme tráfego e capacidade de apresentar uma ampla variedade de produtos. Já as grandes redes de farmácias conseguem combinar tráfego qualificado, conhecimento do segmento, sortimento, estoque, logística e presença física.

Por isso, o BTG não vê a disputa como uma simples batalha entre empresas digitais e farmácias tradicionais. A tendência, segundo o banco, é de uma competição entre diferentes ecossistemas omnichannel.

Essa mudança deve afetar empresas de saúde de diferentes maneiras. A maior exposição de preços entre plataformas pode aumentar a pressão sobre margens, enquanto os custos para conquistar e reter consumidores podem subir. Ao mesmo tempo, os novos canais digitais podem representar uma oportunidade de aquisição de clientes para as próprias redes de farmácias.