A Fitch Ratings colocou os ratings da Amaggi em Observação Negativa após a companhia anunciar a aquisição de 40% de participação na FS Indústria de Biocombustíveis e empresas relacionadas. Segundo a agência, a operação, financiada por uma nova dívida de US$ 700 milhões, deve elevar significativamente a alavancagem da empresa e reduzir sua flexibilidade financeira.
Foram colocados em Observação Negativa os IDRs (Issuer Default Ratings) de Longo Prazo em moedas local e estrangeira ‘BB-’ da Andre Maggi Participações S.A., além do Rating Nacional de Longo Prazo ‘AA(bra)’ e do rating ‘BB-’ da dívida sênior emitida pela Amaggi Luxembourg International S.a r.l.
De acordo com a Fitch, caso a operação receba aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e seja concluída, os ratings da companhia provavelmente serão rebaixados em um nível.
A agência avalia que os indicadores de crédito da Amaggi ficarão pressionados por um período prolongado. A projeção é de que a alavancagem ajustada por estoques com liquidez imediata (Readily Marketable Inventories – RMI) atinja 7,1 vezes em 2026, recuando para 6,6 vezes em 2027 e 6,1 vezes em 2028. Já a alavancagem líquida ajustada por RMI deve permanecer acima de 4 vezes ao longo do período.
Segundo a Fitch, esses patamares não são compatíveis com a atual categoria de rating ‘BB’ e aumentam o risco de rebaixamento adicional caso o desempenho operacional da companhia fique abaixo do esperado ou o processo de desalavancagem sofra atrasos.
Diversificação de negócios
Apesar da pressão financeira, a agência considera que a aquisição traz benefícios estratégicos relevantes para o perfil de negócios da Amaggi. A entrada na FS amplia a diversificação das operações e fortalece a integração da companhia na cadeia de valor do milho, além de aumentar a exposição a produtos de maior valor agregado.
Ainda assim, a Fitch pondera que os ganhos estratégicos são neutralizados, no curto e médio prazos, pelo impacto negativo sobre o perfil financeiro da empresa. Além disso, o acesso da Amaggi à geração de caixa da FS ficará restrito ao recebimento de dividendos.
No cenário operacional, a Fitch projeta estabilidade para a produção de soja em Mato Grosso em 2026, estimada em cerca de 51 milhões de toneladas, em linha com 2025. A expectativa é de melhora na concorrência pela originação de grãos após os desafios climáticos enfrentados em 2024, favorecendo spreads mais saudáveis e diluição de despesas logísticas.
No entanto, a agência alerta para riscos relacionados aos efeitos do El Niño no segundo semestre deste ano, que podem provocar secas e irregularidade nas chuvas. Para 2027, a Fitch prevê queda na produção de soja em razão do aumento dos custos de fertilizantes e fretes, influenciados pelo conflito no Irã.
Em relação aos preços das commodities, a agência estima a soja em US$ 11,30 por bushel em 2026 e US$ 11,10 em 2027, enquanto o milho deve permanecer em US$ 4,47 por bushel nos dois anos. Segundo a Fitch, esses níveis não devem pressionar significativamente a necessidade de capital de giro da companhia, embora os custos de fertilizantes devam permanecer no radar.
A Fitch também destacou a posição competitiva da Amaggi em Mato Grosso, principal região produtora de soja e milho do país. A estrutura logística e a capacidade de processamento em larga escala permitem que a empresa dispute mercado com gigantes globais do setor, como ADM, Cargill e Bunge.
As margens de Ebitda da companhia devem ficar em torno de 5,3% em 2026, segundo as projeções da agência, após 3,6% em 2024 e 6,1% em 2025. A expectativa é de que a Amaggi gere fluxo de caixa operacional (CFO) de US$ 209 milhões em 2026 e de US$ 252 milhões em 2027.
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