Investidores estrangeiros retiraram R$ 2,85 bilhões da bolsa brasileira na segunda-feira (26), no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo os dados da B3 divulgados nesta quarta-feira (28), foi a terceira maior saída diária de 2026.
Para Roberta Folgueral, diretora comercial, de câmbio e operações da B&T XP, a redução de exposição pode se prolongar enquanto faltarem sinais concretos sobre o controle dos gastos públicos e a condução econômica.
“O mercado está olhando para a capacidade do governo de conter os gastos públicos, fazer a economia crescer e mostrar como pretende financiar as medidas anunciadas. Tudo isso cria um cenário de incerteza e o investidor estrangeiro começa a retirar dinheiro do Brasil. Não acho que seja uma reprecificação pontual”, afirma.
Vendas começaram antes do segundo turno
O recuo já aparecia antes da votação. Conforme dados da B3, os estrangeiros venderam R$ 1,03 bilhão líquido na quinta-feira (22) e R$ 2,94 bilhões na sexta-feira (23). Com a segunda-feira, as retiradas somam R$ 6,82 bilhões em três pregões.
Apesar dessas vendas, o saldo estrangeiro permanecia positivo em R$ 13,34 bilhões em outubro e R$ 40,73 bilhões no ano, até o dia 26.
A mudança de posições também apareceu no câmbio. Segundo levantamento com dados da B3, estrangeiros fizeram compras líquidas equivalentes a US$ 6,84 bilhões em derivativos de dólar na segunda-feira, o maior saldo comprador diário desde pelo menos julho de 2022.
Operações com dólar futuro podem servir à proteção cambial ou à especulação e têm liquidação financeira. O volume negociado nesses contratos não representa, por si só, uma remessa de dólares ao exterior.
Leia também:
O que pode trazer o estrangeiro de volta?
Na segunda-feira, o Ibovespa caiu 13,88%, com acionamento do circuit breaker, enquanto o dólar avançou 8,21%, a R$ 5,403. Os números dimensionam a reação inicial dos ativos brasileiros ao resultado eleitoral com a reeleição de Luis Inácio Lula da Silva (PT).
Folgueral considera que a recuperação da confiança depende de medidas fiscais verificáveis, segurança jurídica e clareza nas políticas econômicas. Ela também cita a tensão política após a eleição como fator adicional de incerteza institucional.
“O investidor estrangeiro só volta a aumentar sua exposição ao Brasil quando enxerga um cenário de previsibilidade. Isso passa por dizer concretamente como o governo vai conter os gastos, quais medidas serão adotadas e se elas serão suficientes para controlar o déficit fiscal”, diz.
Na terça-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o governo pretende apresentar um projeto de lei complementar para perseguir o centro da meta fiscal. Apesar disso, o conteúdo e o prazo de apresentação não foram detalhados.
Na Bolsa, Roberta vê maior exposição ao risco em varejistas e empresas dependentes de crédito para financiar a operação. No câmbio, sua avaliação é que ainda faltam condições para uma volta rápida do dólar aos patamares anteriores ao segundo turno.






