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Embraer entra na briga por contrato de US$ 11 bil na Índia

Embraer entra na briga por contrato de US$ 11 bil na Índia

Contrato prevê 12 aeronaves prontas para voo e outras 48 produzidas localmente em parceria com a indústria indiana

A Índia abriu uma das maiores licitações militares de transporte aéreo dos últimos anos — e a Embraer (EMBJ3) está na disputa. O governo indiano aprovou a aquisição de 60 aeronaves de transporte militar de médio porte para a Força Aérea Indiana, em um contrato avaliado em aproximadamente US$11 bilhões.

O C-390 Millennium da Embraer e o C-130J da Lockheed Martin são os principais concorrentes, com o Airbus A400M Atlas também participando, embora sua capacidade superior o coloque fora do escopo ideal dos requisitos indianos.

Para a analista Luiza Mussi, do Banco Safra, o anúncio é estrategicamente relevante.

“Embora ainda seja cedo no ciclo de aquisição, o anúncio é estrategicamente relevante para a Embraer, considerando o movimento mais amplo da empresa para expandir sua presença na Índia tanto na aviação de defesa quanto na comercial”, avalia a analista.

O contrato

A estrutura do contrato prevê duas etapas: 12 aeronaves serão adquiridas em condição fly-away — prontas para voar — enquanto as 48 restantes serão produzidas localmente por meio de parcerias industriais.

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A Embraer firmou aliança com a Mahindra para essa etapa, enquanto a Lockheed Martin conta com a Tata Advanced Systems, parceira já estabelecida em programas de fabricação na Índia.

O Safra enxerga três fatores que podem favorecer a Embraer na disputa.

“A superioridade técnica e operacional da plataforma C-390 em relação ao antigo C-130J, os anúncios recentes da empresa sobre infraestrutura local e os laços diplomáticos estratégicos entre Brasil e Índia no âmbito do BRICS”, lista Mussi.

A modernidade do C-390, desenvolvido já com tecnologia de ponta, contrasta com o C-130J, plataforma com décadas de projeto e evolução incremental.

O desafio, porém, é real.

“A Força Aérea Indiana já opera 13 aeronaves da Lockheed Martin, e a empresa possui um programa industrial bem estabelecido com a Tata, o que pode beneficiá-la”, reconhece a analista.

A decisão final dependerá não apenas de desempenho técnico, mas também de transferência de tecnologia, capacidade de produção doméstica e desenvolvimento do ecossistema aeroespacial local — critérios nos quais ambas as empresas investem ativamente.

“A proposta seguirá agora para o Conselho de Aquisição de Defesa para aprovação formal antes do início do processo de licitação”, conclui Mussi. Para a Embraer, vencer na Índia seria um salto definitivo rumo ao mercado global de defesa.