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Crescimento da Nucel é um risco subestimado pelo mercado

Crescimento da Nucel é um risco subestimado pelo mercado

A migração de 10 milhões de usuários para novos entrantes reduziria a receita de longo prazo da TIM em 2,8% e da Vivo em 2,2%

O mercado brasileiro de telefonia móvel conviveu com relativa estabilidade desde a consolidação de 2022 — mas esse equilíbrio começa a ser testado. O Bank of America alerta que a Nucel, operadora virtual do Nubank, está acelerando sua base de clientes após um início abaixo das expectativas, e isso representa um risco de baixa subestimado pelo mercado para TIM (TIMS3), Vivo (VIVT3) e Claro.

A disrupção não é o cenário-base dos analistas Rogerio Araujo e Lucca R. Brendim, mas a velocidade de expansão dos novos entrantes é “um pequeno risco de baixa não precificado”, nas palavras do banco.

A trajetória da Nucel ilustra bem o desafio de interpretar os dados.

“Seu último dado divulgado, em agosto de 2025, mostrava uma base de apenas 58 mil usuários, ante 200 milhões de usuários totais no Brasil”, destacam os analistas.

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O início foi lento e decepcionante. Mas o cenário mudou: a Anatel parou de reportar os números da Nucel separadamente, e os usuários da operadora passaram a aparecer dentro da base da Claro – rede sobre a qual a MVNO (empresa de telefonia que não possui infraestrutura própria) opera.

“Nos últimos meses, a Claro registrou aceleração expressiva tanto em adições líquidas quanto em ganhos de portabilidade, tendência que acreditamos ter sido apoiada pela Nucel e que coincide com a mudança estratégica da MVNO em outubro de 2025”, apontam Araujo e Brendim.

A estratégia de preços da Nucel também merece atenção. Com planos a R$ 45 mensais, a operadora se posiciona entre o pré-pago de R$ 30 e o híbrido de R$ 60 das incumbentes.

“A agressividade de preços da Nucel dependerá de seu objetivo estratégico: se o serviço visa reforçar o ecossistema mais amplo do Nubank, os retornos financeiros podem ser secundários, permitindo aquisição mais rápida de clientes com preços mais agressivos”, avaliam os analistas.

Efeitos do crescimento

O impacto potencial foi quantificado. Considerando perda de assinantes com ARPU (Receita Média por Usuário) médio das operadoras, uma migração de 10 milhões de usuários para novos entrantes reduziria a receita de longo prazo da TIM em 2,8% e da Vivo em 2,2%. O efeito sobre a AMX seria mais limitado, dado que a empresa mantém acordo de receita compartilhada com a própria Nucel.

As ISPs regionais adicionam outra camada de pressão.

A Brisanet (BRST3) já detém 5,1% do mercado em Fortaleza e 4,8% em Natal. A Unifique (FIQE3) alcançou 21,4% em Timbó.

“Embora não esperemos que qualquer ISP individualmente atinja escala nacional, vemos essas empresas como potenciais limitadores do crescimento das teles e fontes de disrupção regional”, concluem os analistas, citando o exemplo do MVNO do Walmart no México, que atingiu 12% de participação em cinco anos como referência do que pode vir.