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Bitcoin hoje volta aos US$ 60 mil, mas PCE mantém pressão sobre cripto

Bitcoin hoje volta aos US$ 60 mil, mas PCE mantém pressão sobre cripto

Criptomoeda ensaia recuperação após perder suporte, mas inflação americana, dólar forte e vencimento bilionário de opções limitam o apetite por risco

O Bitcoin hoje (26) opera em leve alta e tenta recuperar a região dos US$ 60 mil, após ter perdido esse patamar na véspera. A reação, porém, ainda é limitada pela inflação nos Estados Unidos, pela expectativa de juros mais altos e pela cautela dos investidores com ativos de risco.

Por volta das 12h29, o Bitcoin subia 0,64%, cotado a US$ 60.088,97, segundo dados do Google Finance. Durante o dia, a criptomoeda chegou a cair para perto de US$ 58,5 mil, mas conseguiu voltar à casa dos US$ 60 mil no início da tarde.

Segundo André Franco, CEO da Boost Research, o principal fator de pressão segue sendo o PCE, índice de inflação preferido do Federal Reserve. O indicador veio em 4,1% no acumulado em 12 meses, maior patamar em três anos, e reforçou a leitura de que os juros americanos podem permanecer elevados por mais tempo.

“O ativo perdeu a zona de demanda de US$ 60.000 a US$ 61.000, que agora vira resistência, e chegou a marcar mínima de cerca de 20 meses em US$ 59.018 antes de se estabilizar”, afirma Franco.

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PCE reforça aposta em juros mais altos

A inflação americana voltou a ocupar o centro do mercado. De acordo com a análise da Boost Research, o PCE mais forte aumentou a percepção de que o Fed pode manter uma postura dura por mais tempo.

Com a reaceleração da inflação, o mercado passou a precificar cerca de 80% de chance de alta de juros em dezembro. A leitura pressionou bolsas globais e reduziu o apetite por risco, afetando também o Bitcoin.

O ambiente ficou mais pesado após quedas nas bolsas asiáticas e a continuidade da pressão sobre grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos. Segundo Franco, o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas, segue forte e drena liquidez de ativos que dependem de maior disposição ao risco.

Vencimento de opções pode ampliar volatilidade

Além da pressão macroeconômica, o mercado cripto acompanha um fator técnico importante nesta quinta-feira: o vencimento de US$ 10,6 bilhões em opções de Bitcoin na Deribit.

Segundo Franco, o “max pain” está em US$ 72 mil, enquanto cerca de 80% dos contratos estão fora do dinheiro. Esse cenário pode ampliar a volatilidade, especialmente em uma sessão já marcada por incerteza em torno dos juros e do dólar.

Na prática, o Bitcoin tenta se sustentar acima dos US$ 60 mil, mas ainda opera sem força suficiente para afastar o risco de nova rodada de queda.

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Regulação e exchanges seguem no radar

No campo regulatório, a Boost Research também destaca o impasse envolvendo o projeto que proíbe a criação de um dólar digital nos Estados Unidos. Segundo Franco, Donald Trump condicionou a assinatura do texto à aprovação de uma lei eleitoral separada, o que também trava o calendário do Digital Asset Market Clarity Act, uma das principais apostas regulatórias da indústria cripto.

Na Europa, a Binance retirou o pedido de licença na Grécia poucos dias antes do fim do período de transição da regulação MiCA. A exchange afirmou que buscará autorização em outro país da União Europeia e que não pretende deixar o bloco.

Para os próximos pregões, o ponto central será observar se o Bitcoin consegue transformar novamente os US$ 60 mil em suporte ou se a região passará a funcionar como resistência. Enquanto isso, PCE, juros americanos, dólar e fluxo de opções devem continuar determinando o ritmo do mercado.