O Bitcoin hoje (20) opera em alta e supera os US$ 65 mil, mesmo diante da escalada das tensões no Oriente Médio e da pressão do petróleo sobre as expectativas de inflação. Por volta das 14h58, a criptomoeda avançava 1,35%, cotada a US$ 65.559,43, segundo dados do Google Finance.
A valorização levou o BTC novamente à faixa de resistência entre US$ 65 mil e US$ 67 mil. O ativo também se mantém acima da média móvel de 200 semanas, próxima dos US$ 63 mil, apesar de o petróleo ter ultrapassado US$ 90 por barril durante a sessão.
Além da sustentação técnica, a melhora recente dos fluxos dos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos oferece suporte ao preço. Após oito semanas consecutivas de resgates, os fundos registraram entradas líquidas nas duas últimas semanas.
Bitcoin hoje resiste à pressão do petróleo
A alta do Bitcoin ocorre em um ambiente externo adverso. O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a ganhar intensidade, enquanto a disputa pelo Estreito de Ormuz manteve o mercado atento ao risco de interrupções no transporte de petróleo.
A commodity chegou a superar US$ 90 por barril após novas ofensivas na região. Petróleo mais caro tende a elevar as preocupações com inflação e pode reduzir o espaço para uma postura mais branda do Federal Reserve.
Esse cenário normalmente prejudica ativos sensíveis à liquidez. Mesmo assim, o Bitcoin preservou a recuperação recente e voltou a superar os US$ 65 mil.
Para Fabricio Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, o comportamento do ativo indica redução da pressão vendedora.
“Mesmo assim, o BTC não devolveu a recuperação recente. Isso reforça a leitura de que a força marginal de venda está diminuindo e que o mercado começa a reagir mais intensamente a surpresas positivas do que negativas”, afirma.
Bitcoin volta a testar resistência entre US$ 65 mil e US$ 67 mil
A região entre US$ 65 mil e US$ 67 mil permanece como a principal resistência técnica de curto prazo. O Bitcoin já encontrou dificuldade para sustentar os ganhos nessa faixa em sessões anteriores.
Um rompimento consistente poderia abrir espaço para a criptomoeda buscar a região dos US$ 72 mil. Caso o ativo volte a perder força, a média móvel de 200 semanas, próxima dos US$ 63 mil, seria novamente o primeiro suporte relevante.
“A principal resistência continua entre US$ 65 mil e US$ 67 mil. Essa é uma zona difícil de ser superada, mas um rompimento consistente poderia abrir espaço para o Bitcoin buscar a região dos US$ 72 mil”, explica Tota.
Abaixo da média de 200 semanas, o suporte psicológico dos US$ 60 mil voltaria ao radar. Por enquanto, porém, o BTC permanece acima das duas principais regiões de defesa acompanhadas pelo mercado.
ETFs voltam a atrair recursos
Outro ponto positivo vem dos ETFs à vista de Bitcoin negociados nos Estados Unidos. Na semana encerrada em 17 de julho, os produtos receberam aproximadamente US$ 75,7 milhões em entradas líquidas.
Na semana anterior, a captação havia alcançado US$ 197,4 milhões. Somados, os dois períodos registraram cerca de US$ 273 milhões em novos recursos.
A melhora ocorre depois de oito semanas consecutivas de saídas líquidas, período em que os investidores retiraram mais de US$ 8 bilhões dos fundos. Apenas na sexta-feira (17), os ETFs atraíram aproximadamente US$ 132,3 milhões.
Ainda não é possível afirmar que o fluxo institucional iniciou uma reversão definitiva. A sequência positiva, porém, reduz uma das principais fontes de pressão enfrentadas pelo Bitcoin nas últimas semanas.
“Se os fluxos positivos continuarem, eles podem voltar a funcionar como suporte para a recuperação do BTC”, avalia o executivo do Mercado Bitcoin.
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Consolidação pode anteceder nova fase do Bitcoin
Hugo Benicio, head comercial da Brasil Bitcoin, avalia que o ativo atravessa uma fase de consolidação após as máximas alcançadas no início do ano.
Segundo ele, períodos de lateralização, correções menores e realização de lucros fazem parte da maturação do mercado e podem anteceder uma nova etapa de valorização.
“O Bitcoin vive hoje um momento de consolidação. É um comportamento esperado depois do ciclo de alta que levou o ativo às máximas do início do ano, com pequenas correções, realização de lucro e ausência de uma alta expressiva no curto prazo”, afirma.
Para Benicio, os principais gatilhos neste momento estão fora do próprio mercado cripto.
“No cenário atual, os principais gatilhos de curto prazo são macroeconômicos, como as decisões de juros do Federal Reserve e o fluxo de entradas e saídas nos ETFs de Bitcoin, mais do que fatores internos do próprio ativo”, conclui.
Nos próximos pregões, a sustentação acima dos US$ 65 mil dependerá da continuidade das entradas nos ETFs, do comportamento do petróleo e dos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã.






