O Bitcoin hoje (20) disparava 4,88% por volta das 16h59, cotado a US$ 72.679,99. A criptomoeda começou o dia perto de US$ 69,4 mil, rompeu a barreira psicológica dos US$ 70 mil durante a manhã e chegou a se aproximar de US$ 73 mil.
O avanço levou o BTC ao maior nível desde o início de junho e ampliou a valorização observada na quarta-feira (19), quando a moeda já havia subido 6,18%. Em dois dias, a alta acumulada ficou próxima de 12%.
O movimento confirmou o cenário técnico apresentado pelo Mercado Bitcoin antes da aceleração. A volatilidade realizada do BTC em 14 dias havia caído para 17,9%, menor nível desde janeiro de 2023, enquanto o preço permanecia pressionado entre a média móvel de 200 semanas e a resistência de US$ 65 mil.
“Esse tipo de compressão costuma funcionar como uma mola: quanto mais o preço fica preso em uma faixa estreita, mais forte tende a ser o movimento quando ele escolhe uma direção. A direção veio para cima”, afirma Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin.
Short squeeze acelera alta do Bitcoin
O rompimento das resistências de US$ 65 mil, US$ 67 mil e US$ 70 mil surpreendeu investidores que mantinham posições vendidas, montadas para lucrar com uma eventual queda da criptomoeda.
Com o avanço do preço, essas operações atingiram os limites de garantia e foram encerradas compulsoriamente pelas plataformas. Para fechar as posições, os investidores precisaram recomprar Bitcoin, criando uma nova onda de demanda e acelerando ainda mais a valorização.
Em 24 horas, mais de US$ 3,1 bilhões em posições vendidas foram liquidadas no mercado de criptomoedas. Desse total, aproximadamente US$ 1,77 bilhão estava relacionado ao Bitcoin, segundo dados da Coinglass citados pelo Investor’s Business Daily.
Esse mecanismo, conhecido como short squeeze, ajuda a explicar a velocidade da alta. A valorização inicial força o encerramento das apostas na queda, e as recompras necessárias para cobrir essas posições alimentam o próprio movimento de alta.
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Tesouro americano foi o gatilho do movimento
O gatilho inicial ocorreu após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar que dobrará o tamanho de algumas operações de recompra de títulos públicos de longo prazo.
Entre 9 de setembro e 4 de novembro, o limite para a recompra de Treasuries com vencimentos de dez a 30 anos passará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A medida busca aumentar a liquidez do mercado após o rendimento do título de 30 anos superar 5,3%, maior patamar desde 2007.
“Esse movimento não é um QE clássico, porque não é o Federal Reserve criando dinheiro para comprar títulos. Mas a leitura do mercado é parecida: quando o custo da dívida aperta demais, alguma forma de suporte de liquidez aparece”, explica Fontes.
A redução inicial dos juros longos e o enfraquecimento do dólar favoreceram ativos alternativos, como Bitcoin e ouro. O movimento, porém, perdeu parte da força posteriormente, com os rendimentos voltando a subir diante das dúvidas sobre a duração do alívio, segundo a Reuters.
Os ETFs à vista de Bitcoin contribuíram como confirmação da demanda institucional, mas não aparecem como o principal gatilho da disparada. Na quarta-feira (19), os produtos receberam US$ 517,2 milhões, maior entrada diária desde 4 de maio.






