Relatório do BTG Pactual (BPAC11) aponta que o Banco do Brasil (BBAS3) trabalha com a expectativa de uma inflexão relevante na qualidade da carteira do agronegócio a partir do segundo semestre de 2026, após um período de forte pressão observado ao longo de 2025. A sinalização foi reforçada pela CEO Tarciana Medeiros em entrevista recente, indicando que o pior momento do ciclo pode ter ficado para trás.
Segundo a análise, o principal ponto de atenção segue sendo o crédito rural, que ainda concentra os maiores riscos de deterioração. No entanto, a leitura da administração é de que o estresse é cíclico, e não estrutural, o que sustenta a visão de normalização gradual ao longo dos próximos trimestres.
De acordo com o relatório, cerca de 95% da carteira agro do banco permanece adimplente, o que implica uma taxa de inadimplência (NPL) ao redor de 5%. Apesar disso, o BTG chama atenção para dados de mercado que ainda indicam deterioração em curso no segmento, citando, por exemplo, a elevação da inadimplência reportada por outros bancos.
A pressão recente é atribuída a uma combinação de fatores: aumento da alavancagem por produtores durante o ciclo de juros baixos, elevação dos custos de insumos após a guerra entre Rússia e Ucrânia, frustrações de safra em determinadas regiões e, posteriormente, queda nos preços das commodities agrícolas.
Mesmo diante desse cenário, o banco mantém a avaliação de que não há uma crise generalizada no setor agrícola brasileiro, mas sim um ajuste pontual após um ciclo atípico.
Reestruturação ajuda
Outro ponto destacado pelo BTG é o impacto positivo das medidas de reestruturação de crédito, em especial a MP 1314, que permitiu a reorganização de dívidas rurais. O Banco do Brasil contratou cerca de R$ 5 bilhões dentro do programa antes do encerramento da medida, contribuindo para reequilibrar a situação financeira de milhares de produtores.
Na prática, a iniciativa tende a conter novos avanços da inadimplência e, ao mesmo tempo, destravar a concessão de crédito para clientes que estavam temporariamente pressionados pelo endividamento.
Crescimento seletivo
O relatório também ressalta que o Banco do Brasil deve adotar uma postura mais conservadora na expansão do crédito em 2026. A expectativa é de crescimento mais moderado da carteira total, especialmente em comparação com o restante do sistema financeiro.
A estratégia, segundo a administração, será priorizar linhas com melhor retorno ajustado ao risco, com destaque para o crédito de varejo. Já nos segmentos agro e corporativo, o foco será preservar a rentabilidade, evitando uma expansão agressiva de volumes.
Capital sob controle
No campo de capital, o BTG interpretou como positiva a decisão do banco de postergar cerca de R$ 2 bilhões em pagamentos ao Tesouro Nacional. A medida foi classificada pela CEO como parte de um planejamento prudente, e não como reação a eventuais pressões financeiras.
Para o banco, a disciplina na gestão de capital segue sendo um pilar central, garantindo flexibilidade para atravessar o atual ciclo e sustentar a rentabilidade.
Assim, a combinação entre normalização gradual no agro, melhora na composição da carteira e gestão conservadora de capital sustenta a visão de que o Banco do Brasil pode atravessar 2026 com recuperação consistente, ainda que em ritmo gradual.
Leia também:






