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Ações da Venezuela sobem mais de 130% e alcançam recordes históricos após queda de Maduro

Ações da Venezuela sobem mais de 130% e alcançam recordes históricos após queda de Maduro

Alta expressiva do mercado venezuelano reflete expectativas de reestruturação econômica, alívio de sanções e retomada do setor petrolífero

As ações da Venezuela registraram uma valorização expressiva nas últimas semanas e passaram a operar em recordes históricos, segundo levantamento divulgado pela CNBC. O movimento ocorre após a destituição do ex-presidente Nicolás Maduro, capturado em uma operação conduzida por forças americanas no início de janeiro, fato que reacendeu expectativas de recuperação econômica no país.

O principal índice da bolsa local, o Indice Bursatil de Capitalizacion (IBC), acumulou alta superior a 130% desde 3 de janeiro. Analistas ouvidos pela CNBC destacam que o avanço reflete, sobretudo, uma mudança nas expectativas dos investidores, que passaram a enxergar a possibilidade de estabilização após anos de sanções internacionais, má gestão econômica e sucessivos calotes da dívida.

Mesmo diante do histórico recente de instabilidade, o mercado acionário venezuelano não apenas ignorou o impacto político imediato da prisão de Maduro, como respondeu com forte otimismo. Para especialistas, o rali mostra como o mercado antecipa cenários, muitas vezes antes que mudanças concretas ocorram na economia real.

Otimismo com reestruturação e retomada do petróleo

O avanço das ações da Venezuela está diretamente ligado à esperança de que um novo arranjo político permita a retomada da produção de petróleo e a normalização das relações com os Estados Unidos. Segundo a CNBC, investidores acreditam que a saída de Maduro seja uma condição essencial para o alívio das sanções econômicas que estrangularam o país nos últimos anos.

Esse sentimento também se reflete no interesse crescente por instrumentos financeiros ligados à Venezuela. A gestora americana Teucrium, por exemplo, entrou com um pedido na SEC para lançar o que seria o primeiro ETF focado em empresas com exposição ao país. O movimento sinaliza uma tentativa de institucionalizar o acesso ao mercado venezuelano, ainda considerado pequeno e de difícil entrada.

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“Em um ambiente tão instável, acreditamos que a Venezuela tem maior probabilidade de vivenciar a continuidade do regime com realinhamento comportamental”, afirmou a BMI em nota, citada pela CNBC. Para a consultoria, uma reorganização controlada poderia favorecer interesses estratégicos dos EUA, especialmente no setor energético.

Riscos, baixa liquidez e cautela dos analistas

Apesar dos recordes históricos, especialistas alertam que o mercado de ações da Venezuela continua altamente volátil. A bolsa local é descrita como pequena, ilíquida e pouco acessível a investidores globais, o que amplia oscilações de preços diante de qualquer mudança nas expectativas.

Em 2025, o índice IBC acumulou uma valorização impressionante de 1.644%, um número que, segundo analistas, reforça tanto o potencial quanto o risco. “A alta reflete esperança e especulação, não resultados confirmados”, escreveu Alice Blue, da TradingView, em relatório citado pela CNBC.

O interesse também se estendeu aos títulos soberanos e à dívida da estatal petrolífera, impulsionado pela expectativa de uma possível reestruturação. No entanto, o peso dos passivos externos — estimados entre US$ 150 bilhões e US$ 170 bilhões, segundo a Reuters — ainda representa um obstáculo significativo. Para gestores como Jeff Grills, da Aegon Asset Management, o momento exige cautela: a valorização atual parece mais uma reação tática às manchetes do que uma mudança estrutural consolidada.