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ETFs ativos ganham força e atraem investidores em busca de retorno e proteção

ETFs ativos ganham força e atraem investidores em busca de retorno e proteção

Com maior busca por renda, proteção e diversificação, ETFs ativos registram forte crescimento e ampliam espaço no mercado global

Os ETFs ativos ganham força no mercado financeiro global à medida que investidores buscam novas formas de diversificação, geração de renda e proteção contra riscos. Dados recentes indicam que os ETFs ativos ultrapassaram US$ 1,8 trilhão em ativos no mundo e passaram a registrar fluxos significativamente maiores que os fundos passivos, evidenciando uma mudança relevante no mercado de ETFs.

A evolução desse segmento reflete uma mudança no comportamento dos investidores. Inicialmente conhecidos por replicar índices de mercado, os ETFs agora são utilizados para buscar retornos superiores, conhecidos como “alfa”, além de oferecer soluções mais sofisticadas de gestão de portfólio.

Segundo Brendan McCarthy, chefe global de distribuição de ETFs da Goldman Sachs Asset Management, a demanda por inovação no setor é crescente. Para ele, os investidores querem mais opções e estratégias capazes de superar o desempenho do mercado, e não apenas acompanhá-lo.

Crescimento acelerado dos ETFs ativos

O ganho de força dos ETFs ativos tem sido expressivo nos últimos anos. No final de 2025, os ativos globais dessa categoria alcançaram cerca de US$ 1,8 trilhão, com crescimento orgânico de 53% no ano anterior, de acordo com dados da Morningstar e da Goldman Sachs Asset Management.

Além disso, os fluxos direcionados para ETFs ativos passaram a representar uma parcela cada vez maior do mercado. Nos Estados Unidos, quase um terço de todos os recursos investidos em ETFs no último ano foi destinado a estratégias ativas, o dobro da participação registrada em 2022.

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Outro indicador importante é o número de novos produtos lançados. Mais de 85% dos novos ETFs lançados no mercado americano recentemente seguem estratégias de gestão ativa, reforçando a expansão desse segmento dentro do investimento em ETFs.

ETFs de renda variável e resultado definido ganham espaço

Entre as estratégias que mais crescem dentro do universo de ETFs de renda variável, destacam-se os produtos voltados à geração de renda e os chamados ETFs de resultado definido, conhecidos como “buffer”.

Os ETFs de renda variável focados em renda buscam oferecer fluxo financeiro recorrente aos investidores, mantendo ao mesmo tempo exposição ao potencial de valorização das ações. Esse modelo tem sido utilizado tanto por investidores em idade ativa que desejam complementar a renda quanto por aposentados que buscam substituir parte da renda do trabalho.

Já os ETFs de resultado definido são estruturados para limitar perdas em períodos de queda do mercado, mantendo algum potencial de ganhos. Ao utilizar estratégias com opções, esses produtos oferecem um nível predeterminado de proteção, o que tem atraído investidores interessados em gestão de risco com ETFs.

ETFs de renda fixa transformam o acesso ao mercado de títulos

Os ETFs de renda fixa também vêm ganhando destaque ao mudar a forma como investidores acessam o mercado de títulos. Tradicionalmente mais complexo e menos transparente que o mercado de ações, o setor de renda fixa demorou mais para adotar a estrutura dos ETFs.

Com o avanço da tecnologia e a evolução da infraestrutura de negociação, gestores e investidores passaram a adotar com mais confiança esses instrumentos. Hoje, um único ETF pode oferecer exposição a centenas ou até milhares de títulos, simplificando o acesso ao mercado.

Esse modelo também contribuiu para melhorar a liquidez e reduzir custos de negociação, além de facilitar a diversificação. Para os gestores ativos, o mercado de renda fixa apresenta diversas oportunidades de gerar alfa, especialmente pela fragmentação das negociações e pela complexidade dos diferentes segmentos de crédito.

Ativos privados podem ser a próxima fronteira dos ETFs

O próximo passo na evolução do mercado de ETFs pode estar nos ativos privados. Embora ainda em estágio inicial, especialistas apontam que existe potencial para desenvolver estruturas capazes de oferecer exposição a investimentos privados dentro do formato de ETF.

O desafio está na diferença de liquidez entre esses mercados. Enquanto os ativos privados costumam ser ilíquidos, os ETFs são negociados diariamente em bolsa. Essa diferença exige inovação para equilibrar acesso e eficiência.

Uma das alternativas em estudo envolve a criação de índices investíveis que utilizem dados avançados e estratégias quantitativas para replicar características de investimentos privados por meio de ativos negociados publicamente.

Ao longo de mais de três décadas, os ETFs transformaram a forma como investidores acessam ações, títulos e derivativos. Agora, com o avanço dos ETFs ativos, essa transformação continua, reforçando o papel dessas estruturas como ferramentas centrais de diversificação, gestão de risco e geração de renda no mercado global.

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