O dólar hoje opera em queda nesta terça-feira (27), após a disparada registrada na segunda-feira, primeiro pregão depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às 10h25, a moeda americana era cotada a R$ 5,3445, com desvalorização de 1,30%, equivalente a uma queda de R$ 0,0704.
Na sessão anterior, o dólar avançou 8,36%, registrando sua maior alta diária em 23 anos. O movimento ocorreu após a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), e acompanhou a revisão das expectativas de investidores sobre a condução da economia brasileira.
Nesta terça-feira, a moeda devolve parte dos ganhos, enquanto o mercado acompanha as primeiras sinalizações do governo para 2027, principalmente em relação aos gastos públicos e à trajetória da dívida.
Dólar recua após pregão de forte oscilação no mercado brasileiro
A queda da cotação do dólar ocorre após uma sessão marcada por perdas expressivas na Bolsa brasileira.
Na segunda-feira (26), além da valorização da moeda americana, o Ibovespa encerrou as negociações com queda de 13,88%. O resultado eleitoral levou investidores a reavaliar suas posições diante das expectativas para o próximo mandato presidencial.
Parte dos investidores considerava a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), cenário descartado com a confirmação da reeleição de Lula.
Na manhã desta terça-feira, o dólar apresenta um movimento de correção, recuperando parte da estabilidade após as oscilações do pregão anterior.
Reeleição de Lula leva bancos a revisar perspectivas para o Brasil
A reeleição de Lula também provocou mudanças nas avaliações de instituições financeiras sobre os ativos brasileiros, em meio às expectativas para a política econômica do próximo mandato.
Citigroup e BCA Research revisaram suas recomendações após o resultado eleitoral. Entre os pontos considerados pelas instituições estão a trajetória da dívida pública, a disciplina fiscal e as perspectivas para reformas estruturais.
O Bradesco BBI e o Morgan Stanley também reduziram suas recomendações para ações brasileiras, adotando uma posição neutra em relação ao mercado acionário do país.
As contas públicas e as medidas econômicas previstas para 2027 estão entre os temas acompanhados pelos investidores. A relação entre o Executivo e o Congresso também integra as avaliações sobre a condução da política econômica.
Na segunda-feira (26), Lula se reuniu com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro ocorreu um dia após a confirmação do resultado eleitoral.
Como a queda do dólar afeta os investimentos no exterior?
A oscilação do câmbio tem efeitos diretos sobre os brasileiros que investem em ativos internacionais ou pretendem enviar recursos para outros países.
Com o dólar a R$ 5,3445, a compra de US$ 1 mil corresponde a aproximadamente R$ 5.344,50, sem considerar impostos, tarifas e custos de conversão.
Para quem realiza aportes em moeda estrangeira, a queda na cotação reduz o valor em reais necessário para adquirir a mesma quantia em dólares. Já os investidores que possuem patrimônio dolarizado podem observar mudanças no saldo convertido para a moeda brasileira.
O câmbio é um dos componentes que influenciam os resultados dos investimentos no exterior, incluindo ações americanas, fundos internacionais, ETFs e títulos negociados em dólares.
Além da variação cambial, o desempenho dessas aplicações depende das condições dos mercados em que são negociadas, dos juros internacionais e das características de cada ativo.
Banco Central e política fiscal seguem na agenda do mercado
Além das repercussões eleitorais, a programação do Banco Central também integra a agenda financeira desta terça-feira.
Às 11h, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, tem entrevista coletiva prevista para tratar do Relatório de Estabilidade Financeira.
Para as 11h30, está programado um leilão de rolagem de swap cambial de até US$ 4 bilhões. Ao meio-dia, o Banco Central prevê uma operação compromissada de até R$ 5 bilhões em títulos públicos.
Os próximos movimentos do dólar serão acompanhados em meio às expectativas sobre a política fiscal brasileira e às condições do mercado internacional. Para quem possui investimentos no exterior, as oscilações da moeda americana afetam tanto o custo de novos aportes quanto o valor do patrimônio convertido para reais.
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