A confiança dos consumidores nos EUA apresentou leve recuo em outubro e continuou próxima dos menores patamares já registrados. O avanço dos preços, associado às tensões no Oriente Médio, segue pressionando a percepção das famílias sobre a economia em um momento decisivo para o cenário político dos Estados Unidos.
De acordo com levantamento divulgado nesta sexta-feira (23) pela Universidade de Michigan, o índice de confiança do consumidor ficou em 48,0 pontos, ante 48,1 em setembro. O resultado superou a expectativa dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam 46,3 pontos, valor correspondente à estimativa preliminar para o mês.
Apesar da pequena variação, o indicador permanece em nível historicamente baixo. A menor marca da série foi registrada em maio, quando o índice atingiu 44,8 pontos, pouco depois do início da guerra envolvendo o Irã.
Segundo Joanne Hsu, diretora das Pesquisas com Consumidores da universidade, o custo de vida continua sendo um dos principais fatores que influenciam a avaliação dos americanos sobre a economia. Atualmente, a confiança está 10% abaixo do nível observado há um ano e 15% inferior ao registrado em fevereiro, antes da escalada do conflito.
Expectativas de inflação voltam a subir
A pesquisa também apontou uma piora nas projeções de inflação das famílias. A expectativa para a variação dos preços nos próximos 12 meses avançou de 4,6% em setembro para 4,7% em outubro. Em fevereiro, antes do início da guerra, essa estimativa era de 3,4%.
Para um horizonte de cinco anos, a inflação esperada passou de 3,4% para 3,5% no período.
Os números reforçam a preocupação com a perda de poder de compra dos consumidores, especialmente diante da elevação dos combustíveis e dos efeitos econômicos da instabilidade geopolítica.
Indicador pode influenciar cenário eleitoral
A divulgação ocorre às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Milhões de americanos já participaram da votação antecipada, que definirá a composição do Congresso durante os dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump.
Pesquisas eleitorais indicam que os republicanos enfrentam o risco de perder a maioria na Câmara dos Representantes e também podem ter dificuldades para manter o controle do Senado.
O aumento dos preços dos combustíveis, relacionado aos ataques ordenados por Trump contra o Irã no fim de fevereiro, também tem pressionado a avaliação popular do presidente. Uma pesquisa Reuters/Ipsos aponta que sua aprovação atingiu o menor nível da série.
Eleitores independentes demonstram maior pessimismo
Os dados da Universidade de Michigan segmentados por preferência partidária mostram que a queda mais expressiva da confiança ocorreu entre os eleitores independentes, grupo considerado relevante para o resultado das disputas eleitorais.
Entre esses entrevistados, o índice recuou de 47,7 pontos em setembro para 42,4 em outubro, aproximando-se do recorde negativo de 40,6 registrado em maio.
Em contrapartida, os indicadores de confiança entre democratas e republicanos apresentaram melhora no mês.
O resultado evidencia que, apesar das diferenças entre grupos políticos, o custo de vida permanece como uma preocupação central para os consumidores americanos, com possíveis repercussões tanto sobre os hábitos de consumo quanto sobre o ambiente eleitoral.






