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Brainstorming: 50 séculos de inteligência artificial

Brainstorming: 50 séculos de inteligência artificial

Guilherme da Nóbrega

Guilherme da Nóbrega

12 Ago 2022 às 08:52 · Última atualização: 12 Ago 2022 · 6 min leitura

Guilherme da Nóbrega

12 Ago 2022 às 08:52 · 6 min leitura
Última atualização: 12 Ago 2022

foto de inteligência artificial, com algoritmos e robô

Reprodução/Pixabay

É antiga a ideia de que o pensamento humano pode ser mecanizado. O nome moderno surgiu quando Artificial Intelligence batizou um projeto de pesquisa que em 1956 reuniu matemáticos e cientistas no Dartmouth College, em New Hampshire, considerado o the founding event of artificial intelligence.

Mas a IA avança há 5 mil anos, fazendo sempre evoluir nosso conhecimento de economia, mundo, gestão de riquezas e outros temas. A invenção de números e matemática na Mesopotâmia marcou seu início.

Há séculos, filósofos e pesquisadores se dedicam a ela. Aristóteles fez a análise formal do silogismo. O raciocínio formal é a essência do Elementos de Euclides. Al-Khwārizmī desenvolveu a álgebra e seu nome está nas palavras algarismo e algoritmo.

No século XVII, pensadores foram à ideia de que o pensamento racional pode ser tão sistemático quanto a álgebra ou a geometria. Hobbes escreveu em Leviatã: “A razão não é nada além de um cálculo”.

Leibniz vislumbrou que uma linguagem universal de raciocínio reduziria o debate a cálculo, desfazendo “a disputa entre dois filósofos”: bastaria usarem lápis, lousa e ter uma conversa assim: “Vamos calcular!”. Ou seja, especulou se a razão humana não pode ser reduzida a cálculos mecânicos. Faz pensar como o novo ciclo, batizado de IA, tem reduzido a incerteza e o debate em muitos campos.

Além das ciências, é claro que os seres da mitologia grega tinham de IA. Mais recentemente, era artificial a inteligência do ser criado com partes humanas pelo estudante Victor Frankenstein, aquele personagem curioso com a origem da vida do clássico Frankenstein, da jovem Mary Shelley – publicado em 1818 e tido como o primeiro romance de ficção científica.

Antes, inventar números e letras fora o primeiro passo para ir-se além do uso do cérebro: e entregar à matemática a resolução de problemas, e ao texto as memórias e as ideias.

A Suméria é a mais antiga civilização mapeada da Mesopotâmia, no sul do Iraque atual. Em torno de 3.500 a.C., os geniais sumérios inventaram a primeira forma de somar quantias e desenhar em barro pessoas, animais, plantas, locais…

Primeiro sistema de armazenar e processar informações fora do cérebro e começo da matemática, que levaria à agricultura, cidades, impérios, medicina, ciências e planejamento.

Ainda não incluía letras ou algarismos. Depois os babilônios criaram a primeira medida digital (usando dedos, ou dígitos). Seu código tinha 60 algarismos, mas depois prevaleceu o decimal. Afinal, termos 10 dedos tornou mais natural a matemática de 10 algarismos, ainda que seja bem simples contar até 60 com as falanges…

Os 10 números do sistema decimal foram batizados de algarismos árabes, dado o papel de árabes e hindus em sua disseminação. Ainda usamos três outros sistemas:

  • O hexadecimal, da computação, tem 16 algarismos (0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, A, B, C, D, E, F). Nosso hábito é ler e escrever só e decimais. Fôssemos fluentes em hexadecimais, chamaríamos o ano de 2022 de 7E6.
  • O duodecimal também segue vivo. Os egípcios usavam 12 números. As estrelas os levaram a dividir o dia em dois ciclos de 12 horas que os gregos adotaram. Quando europeus se habituaram a usar horas para traçar a vida, mesclaram o dia egípcio de 24 horas à prática babilônica de dividir a hora em 60 minutos. Seguiu-se hexadecimal nossa medida de ângulos e de coordenadas geográficas.
  • É mais recente o sistema binário na matemática da computação. Estamos em 2022. Quando escrevo isso no computador ele armazena o binário 11111100110. Ilegível para humanos, mas supera os decimais como forma de armazenar dados e fazer contas. Computadores são fluentes no decimal e sabem converter números a ele para conversar com você.

A IA fez parte da invenção de agricultura e cidades e nos aproximou do mundo econômico: da gestão de famílias, cidades, impérios, patrimônios, moedas e outros temas. Reis aprenderam a organizar povos, colheitas, criar leis, impostos, alianças e regras.

A partir da segunda metade do século 20, foi batizada de IA uma firme parceria entre matemática e estatística. Os avanços que cria não são automáticos, como foi por exemplo o caso da eletricidade: a busca por mapeá-la era antiga, mas só no século 20 seu uso ficou popular e inescapável. Surgiram os ambientes sem janela, o trabalho noturno, as máquinas e muito mais. Hoje, quem pode viver sem eletricidade?

Da mesma forma, adiante quem poderá abster-se dos muitos novos usos de IA? Serão mais dados guardados e mais contas feitas fora do cérebro. De uso cada vez mais natural em arte, política, ciências, história, gestão, planejamento… Tudo continuará a exigir intuição e raciocínio, mas seu papel seguirá mudando, como sempre ao longo desses 50 séculos.

A maioria de detentores de patrimônio ainda toma decisões com base nas notícias e artigos que lê, nos debates a que assiste, na opinião de amigos que respeita, e em como crê que atuarão governos e empresas.

A inteligência humana seguirá rica e capaz de oferecer intuições e opiniões econômicas e financeiras. Mas não de, em um segundo, fazer milhares de contas sobre a relação entre ativos; facilitar a navegação por textos e vídeos relevantes a decisões; ou compreender e mapear a evolução diária do cenário.

A inteligência artificial se firma como parte integral dessa história, como foram todos os avanços desde as descobertas de sumérios e babilônios. Em áreas como o streaming. Útil ter em mente que o streaming – como outros serviços – continuará a evoluir, inclusive por avanços em IA. Lembra-me que a Monett bem se descreve como “muito mais que um streaming”.

Veja também: Filme “O Código Quant: A Sistematização da Mente Humana”, sobre o uso dos algoritmos e da análise quantitativa nos investimentos.

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Por Guilherme da Nóbrega, colunista Monett 

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