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Inflação: IPCA é de 1,06% em abril, maior para o mês desde 1996

Inflação: IPCA é de 1,06% em abril, maior para o mês desde 1996

Redação EuQueroInvestir

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11 Mai 2022 às 12:16 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 6 min leitura

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11 Mai 2022 às 12:16 · 6 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

Índice de confiança do consumidor americano cai 9,9% em maio

Tânia Rêgo/Agência Brasil

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 1,06% em abril, depois de ficar em 1,62% em março. O valor ficou acima das expectativas do mercado, que eram em torno de 1,0%, e é o maior registro para o mês desde 1996, quando o índice foi de 1,26%.

No ano, o indicador acumula alta de 4,29% e, nos últimos 12 meses, de 12,13%, acima dos 11,30% observados nos 12 meses anteriores. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números confirmam a tendência de arrocho monetário demonstrada na ata do Copom, que deve voltar a aumentar a Selic, taxa básica de juros, na reunião de junho.

IPCA: gráfico com resultado da inflação, que foi de 1,06% em abril

Alimentação e transportes seguem puxando a inflação

Em abril, os principais impactos vieram de alimentação e bebidas – maiores variação (2,06%) e impacto (0,43 p.p.); e dos transportes – alta de 1,91% e 0,42 p.p. de impacto. Juntos, os dois grupos contribuíram com cerca de 80% do IPCA de abril.

No caso dos transportes, a alta foi puxada, principalmente, pelo aumento nos preços dos combustíveis que continuaram subindo (3,20% e 0,25 p.p.), assim como no mês anterior, com destaque para gasolina (2,48%), produto com maior impacto positivo (0,17 p.p.) no índice do mês.

Houve ainda aceleração nos grupos Saúde e cuidados pessoais (1,77%) e Artigos de residência (1,53%). O único grupo a apesentar queda no IPCA de abril foi Habitação, com -1,14%. Os demais ficaram entre o 0,06% de Educação e o 1,26% de Vestuário.

Impacto da alta dos medicamentos

A aceleração do grupo Saúde e cuidados pessoais decorre principalmente da alta observada nos preços dos produtos farmacêuticos (6,13%), que contribuíram com 0,19 p.p. no índice geral. No dia 1º de abril, foi autorizado o reajuste de até 10,89% no preço dos medicamentos, dependendo da classe terapêutica. As maiores variações no item vieram dos remédios hormonais (7,96%) e hipotensores e hipocolesterolêmicos (6,81%).

Além disso, houve alta também nos produtos de higiene pessoal (0,85%), com impacto de 0,03 p.p. O plano de saúde (-0,69%) segue com variação negativa, refletindo o reajuste negativo de -8,19% aplicado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no ano passado.

O grupo habitação (-1,14%) foi o único a apresentar variação negativa em abril, devido à queda nos preços da energia elétrica (-6,27%).

Por outro lado, foram registradas altas no gás de botijão (3,32%) e no gás encanado (1,38%). Neste subitem, houve reajuste tarifário de 7,72% no Rio de Janeiro (4,07%), a partir de 16 de março.

Inflação em alta em todas as áreas do país pesquisadas

A pesquisa mostra ainda que todas as áreas pesquisadas tiveram alta em abril. A maior variação ocorreu na região metropolitana de Rio de Janeiro (1,39%), onde pesaram as altas dos produtos farmacêuticos (6,38%) e da gasolina (2,62%). A menor variação, por sua vez, ocorreu na região metropolitana de Salvador (0,67%), onde houve queda nos preços da gasolina (-3,90%) e da energia elétrica (-3,41%).

INPC foi de 1,04% em abril

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC teve alta de 1,04% em abril, abaixo do registrado no mês anterior (1,71%). Foi a maior variação para um mês de abril desde 2003, (1,38%). No ano, o INPC acumula alta de 4,49% e, nos últimos 12 meses, de 12,47%, acima dos 11,73% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2021, a taxa foi de 0,38%.

Os produtos alimentícios passaram de 2,39% em março para 2,26% em abril. Os não alimentícios também desaceleraram e registraram 0,66%, frente aos 1,50% do mês anterior.

O INPC subiu em todas as áreas pesquisadas. O menor resultado foi no município de Goiânia (0,65%), em função da queda na energia elétrica (-10,49%). A maior variação, por sua vez, ficou com a região metropolitana do Rio de Janeiro (1,45%), influenciada pelas altas de 13,57% no leite longa vida e de 6,25% nos produtos farmacêuticos.

A diferença entre os dois índices é que o IPCA abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o INPC as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Análise dos resultados

Detalhamento do IBGE

André Almeida, analista da pesquisa realizada pelo IBGE, deu alguns exemplos de produtos que causaram impacto na inflação.

“Alimentos e transportes, que já haviam subido no mês anterior, continuaram em alta em abril. Em alimentos e bebidas, a alta foi puxada pela elevação dos preços dos alimentos para consumo no domicílio (2,59%). Houve alta de mais de 10% no leite longa vida, maior contribuição (0,07 p.p.), e em componentes importantes da cesta do consumidor como a batata-inglesa (18,28%), o tomate (10,18%), o óleo de soja (8,24%), o pão francês (4,52%) e as carnes (1,02%). No caso dos transportes, a gasolina é o subitem com maior peso no IPCA, mas os outros combustíveis também subiram. O etanol subiu 8,44%, o óleo diesel, 4,74% e a ainda houve uma alta de 0,24% no gás veicular”, explicou o analista.

Análise do Time Macro & Estratégia do BTG Pactual

Os analistas do Time Macro & Estratégia do BTG Pactual justificam a taxa menor que a de março pela perda de ímpeto em vetores mais voláteis da inflação (Alimentação no Domicílio e Combustíveis) e deflação no subgrupo de energia elétrica decorrente da mudança da bandeira tarifária de escassez hídrica para verde desde o dia 16 de abril.

Nesse sentido, mesmo com a dissipação na margem do aumento em segmentos voláteis, a média dos núcleos permaneceu bastante pressionada e em patamar elevado (0,95%). Além disso, o banco observa a continuidade de uma composição amplamente desfavorável, com aceleração do indicador de difusão, em 78,25%. No ano, o IPCA acumula alta de 4,3%, acima do centro da meta de inflação.

Para o mês de maio, os analistas ainda esperam impacto baixista remanescente da mudança da bandeira tarifária para Verde.

“Adicionalmente as coletas do início de mês tem apontado para uma desaceleração na margem, especialmente, em preços administrados e Alimentos. Por sua vez, o reajuste de 8,9% no preço do Diesel deve ter impactos altistas sobre o índice. Além disso, para o curto prazo, o balanço de riscos segue assimétrico para cima, refletindo a elevada incerteza no cenário global com uma política monetária mais restritiva vinda do FOMC e a deterioração dos problemas das cadeias produtivas diante das medidas de restrição social na China. Este cenário tem provocado uma relevante desvalorização do Real nas últimas semanas, podendo resultar em novas pressões altistas. Além disso, a alta defasagem no preço da gasolina também pode te impactos negativos sobre as expectativas de 2022”, concluem os analistas.

 

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