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Entenda como o petróleo mais caro pode afetar a taxa Selic

Entenda como o petróleo mais caro pode afetar a taxa Selic

A avaliação é de um relatório do Wells Fargo, que vê espaço para cortes mais graduais na taxa Selic

A recente alta dos preços do petróleo, combinada com a resiliência da atividade econômica brasileira antes da escalada das tensões envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã, pode levar o Banco Central (BC) do país a adotar um ritmo mais cauteloso de flexibilização monetária. A avaliação é de um relatório do Wells Fargo, que vê espaço para cortes mais graduais na taxa Selic, diferente do que o consenso de mercado projeta atualmente.

Nesse contexto, os analistas projetam que a autoridade monetária brasileira deve iniciar o ciclo de flexibilização com um corte moderado de 25 pontos-base na taxa básica. Após esse movimento inicial, a expectativa é de que o ritmo de redução dos juros permaneça gradual, refletindo um ambiente macroeconômico ainda marcado por incertezas.

Segundo o relatório, a melhora nos termos de troca — impulsionada principalmente pela valorização das commodities energéticas — tende a sustentar o nível de atividade econômica no curto prazo. Esse cenário, no entanto, também pode manter as pressões inflacionárias em patamares elevados, dificultando uma redução mais acelerada dos juros pelo BC.

Entre os fatores que justificam essa postura mais cautelosa está a combinação de inflação persistente, volatilidade cambial e dúvidas em torno da trajetória fiscal do país. O relatório destaca que pressões sobre o real podem voltar a aparecer, especialmente à medida que o arcabouço fiscal continue sendo testado em um ambiente político sensível.

Fator eleições na mira

A proximidade das eleições presidenciais também é apontada como um elemento-chave para as perspectivas macroeconômicas. De acordo com o banco, as pesquisas eleitorais indicam uma disputa apertada, o que adiciona incerteza ao cenário de política econômica nos próximos anos.

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Na avaliação do Wells Fargo, o cenário-base considera uma derrota do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a vitória de um candidato de perfil conservador, como Flávio Bolsonaro.

Caso esse cenário se confirme, o banco acredita que os prêmios de risco associados aos ativos brasileiros poderiam recuar, favorecendo um ambiente de maior estabilidade macroeconômica no médio prazo. Embora limitações estruturais ainda restrinjam uma recuperação fiscal rápida, uma mudança de orientação política poderia contribuir para melhorar a percepção dos investidores.

Nesse ambiente, o relatório avalia que o ciclo de flexibilização da taxa Selic poderia ser estendido de forma gradual ao longo dos próximos anos, potencialmente até 2027, à medida que as condições de risco e o cenário inflacionário permitam cortes adicionais na taxa de juros.