A Índia se tornou o país mais populoso do mundo em fevereiro de 2023 e caminha para ser uma super potência.
Esse movimento faz com que bancos de investimentos especializados no mercado asiático olhem para o país com alguma expectativa.
O que os investidores querem é sinais que mostrem para onde a economia indiana deverá apontar.
O país governado por Draupadi Murmu, o 14º presidente, empossada em 25 de julho de 2022. Murmu sucedeu Ram Nath Kovind, que governou o país por 5 anos.
Veja como fica o Top 10 dos países mais populosos:
- Índia: 1.417.000.000
- China: 1.412.000.000
- Estados Unidos: 337.000.000
- Indonésia: 275.000.000
- Paquistão: 234.000.000
- Nigéria: 216.000.000
- Brasil: 215.000.000
- Bangladesh: 170.000.000
- Rússia: 145.000.000
- México: 127.000.000
O parecer que trata do avanço da população mundial é da Organização das Nações Unidas (ONU).
O documento elenca que a população total do planeta chegou a 8 bilhões de pessoas em novembro de 2022.
Também traz que a população mundial chegará a 8,5 bilhões em 2030 e 10,4 bilhões em 2100, à medida que o ritmo de mortalidade diminui.

Mas o que a Índia produz?
Atualmente, a Índia se destaca na produção industrial de tecnologia de ponta, pois é grande produtora de eletroeletrônicos, agroindustriais, informática (maior produtora de softwares do mundo), biotecnologia. Tais produtos concorrem diretamente com as indústrias de países desenvolvidos.
Levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) coloca o país como a 12° economia do mundo, reportando crescimento anual na casa dos 6,3%, em média.
A questão geopolítica é um grande empecilho para a Índia, visto que o país tem um sério conflito com seu vizinho Paquistão, bem como com a própria China. Estes são dois países com os quais faz fronteira e, para se ter ideia, até a construção de uma ponta entre Índia e China foi, recentemente, motivo de discórdia entre os dois.
Outro ponto de atenção diz respeito à Rússia, que deflagrou uma guerra contra a vizinha Ucrânia e agora recorre à Índia para contornar as sanções impostas pelo Ocidente. Ou seja, o Kremlin tenta trazer a Índia para cada vez mais perto de si.
A China, por sua vez, já é o principal parceiro comercial dos russos, principalmente nestes dias de conflito militar no Leste Europeu.
Internamente, a Índia é adepta do protecionismo, o que significa dizer que o país prefere proibir exportações de commodities agrícolas para evitar o desabastecimento dentro de suas fronteiras, bem como conter a inflação no país.
A moeda local, a rúpia indiana, é uma das mais desvalorizadas do mundo, equivalendo a 0,012 centavos de euro, e 0,012 centavos de dólar. Em relação à moeda brasileira, mil rúpias correspondem a 64 reais, hoje.
Em que consiste a economia indiana?
Quando o homem ocidental volta seu olhar para a Índia, geralmente ele está observando sua cultura e religião. As centenas de milhares de deusas e deuses, e o pacifismo do país é uma atração à parte. A culinária também chama a atenção.
Entretanto, da perspectiva econômica, a Índia é a sétima maior do mundo em Produto Interno Bruto nominal e a terceira em paridade de poder de compra, bem como a terceira mais desenvolvida da Ásia em termos de PIB nominal, atrás apenas das economias do Japão e da República Popular da China.
Em se tratando de produção, o país trabalha com chá, algodão, trigo, juta, arroz, tabaco, milho e cana-de-açúcar. Mas, ainda assim, existem grandes áreas com monoculturas voltadas para a exportação. São as plantações cultivadas desde a época em que os ingleses colonizaram a região.
Também tem o segundo maior rebanho bovino do mundo, perdendo apenas para o Brasil. Índia, Brasil, República Popular da China e República da Coreia lideram o G-21 (grupo dos 21 países em desenvolvimento do mundo).
Voltando ao PIB, este alcança cerca de 1,8 trilhão por ano. O Brasil, por sua vez, tem um PIB de R$ 1,6 trilhão. Assim, para efeito de comparação, boa parte de sua “pobreza” provém de sua grande população, ou seja, esse contingente de pessoas joga a renda per capta no chão.
Dados do FMI mostram que a Índia ocupa a 135ª posição em termos de renda per capita (ou na 122.ª posição, pelo critério paridade do poder de compra), dentre 182 países e territórios do mundo. Cerca de 50% da população (ou cerca de 600 milhões de pessoas) depende diretamente da agricultura para se sustentar e sobreviver.
Existe indústria e serviços na Índia
Se você quer saber se existe indústria e serviços na Índia, saiba que não apenas existem como estão entre os mais bem cotados quando se trata de atividades em desenvolvimento. Atualmente, respondem por pouco mais de 26% – e menos de 55% – do PIB. A agricultura, por sua vez, contribui com cerca de 18%.
Segundo especialistas, o que falta para o país acelerar ainda mais seu crescimento é a infraestrutura interna. Também contribuem negativamente sua burocracia pesada, bem como suas altas taxas de juros e uma dívida social elevada (pobreza rural, significativo analfabetismo residual, sistema de castas, corrupção, clientelismo etc.).
Não bastase isso, o país é caracterizado por uma desigualdade social muito elevada. O 1% mais rico da população ganha mais de 20% do rendimento nacional total em 2021, enquanto os 50% mais pobres ganham apenas 13% do rendimento nacional total.
A Índia está agora entre os países mais desiguais do mundo, segundo o ‘Global Inequality Report 2022’, que descreve a Índia como “um país pobre e altamente desigual com uma elite rica”.
Tem mercado de capitais na Índia?
Os países da eurásia costumam ter suas empresas listadas nas bolsas da Região. Portanto, Shanghai e HSI, de Xangai e Hong Kong, especificamente, contam com boa parte das companhias listadas por lá. O Nikkei, do Japão, também.
Ainda assim, o mercado de ações da Índia atingiu um recorde histórico, com o crescimento econômico robusto, as reformas financeiras e um governo pró-negócios atraindo maior interesse dos gestores de fundos globais. As informações são do Financial Times, cuja reportagem foi publicada em 5 de dezembro de 2022.
De acordo com a revista de economia, o Nifty 50 subiu 7% este ano, em comparação com o amplo índice MSCI que acompanha ações de mercados emergentes em moeda local, que caiu 16%. O novo pico do benchmark de ações no início deste mês ocorre quando as empresas multinacionais se voltam cada vez mais para a Índia como uma alternativa à China para expansão internacional e para obter acesso a um grupo de consumidores de renda média em rápida expansão.
Já as interrupções na cadeia de suprimentos na China devido à política estrita de Covid-zero de Pequim aumentaram o apelo da Índia para empresas globais. A Apple, por exemplo, alertou recentemente que as remessas de seu novo iPhone 14 seriam menores do que o previsto, pois as restrições da Covid na China interromperam sua principal instalação de montagem em Zhengzhou.
A empresa deve transferir 5% de sua produção do iPhone 14 para a Índia este ano e um quarto de todos os iPhones pode ser fabricado na Índia já em 2025, de acordo com o JPMorgan.
Conforme a reportagem, o afastamento da China está acontecendo em uma série de setores.
“As empresas envolvidas nos setores de montagem eletrônica, têxtil, engenharia, produtos químicos e farmacêuticos estão transferindo parte de sua produção da China para a Índia”, disse Zafar Ahmadullah, que dirige uma estratégia concentrada na Índia com cerca de 20 participações na Theleme Partners, uma empresa privada com sede em Londres.
O que colocou a Índia no radar dos investidores?
A Índia sempre esteve no radar dos investidores, porém, agora, mais do que nunca, o país pode se beneficiar com os constantes picos de covid-19 na China.
Acontece que os lokdowns constantes no país de Xi Jinping deixam as empresas temerosas e muitas delas já cogitam transferir suas operações para Taiwan e Cingapura. A terceira opção, como já visto, é a própria Índia que corre para se vender como possibilidade mais viável.
Isso porque a Índia é um país continental, grande, superpopuloso, cuja mão de obra é barata e tem uma classe trabalhadora vibrante.
Não à toa, é possível encontrar indianos espalhados pelo mundo nas mais diferentes posições sociais e funções. É um povo bastante elogiado por sua dedicação e foco.
A Índia está prestes a experimentar um boom econômico?
Se a Índia está prestes a experimentar um boom econômico, há quem aposte nisso, e não são sardinhas tuitando. Pelo contrário, é gente de peso, sentado em escritórios dos principais bancos de investimentos do mundo.
É o que diz, por exemplo, o S&P Global ao elencar em relatório que o país pode se tornar a terceira maior economia do mundo até 2030, superando a Alemanha e o Japão. O Morgan Stanley também corrobora com essa tese.
A S&P Global prevê que o crescimento nominal do produto interno bruto (PIB) indiano seja de 6,3% em média até 2030, enquanto o Morgan Stanley espera que o PIB mais do que dobre em relação aos níveis atuais até 2031.
Em relatório, o Morgan Stanley destaca que a Índia está prestes a experimentar um boom econômico alimentado por offshoring, investimento em manufatura, transição energética e infraestrutura digital avançada do país.
O bancão reforça que esses fatores farão do país do sul da Ásia a terceira maior economia, atrás dos EUA e da China, bem como “o maior mercado de ações do mundo antes do final da década”.
Já o S&P Global projeta que a economia indiana crescerá graças às políticas governamentais de liberalização comercial e financeira, reforma do mercado de trabalho e investimento em infraestrutura e capital humano.
A Índia vale o risco?
Todo o mercado de capitais é permeado de risco. Entretanto, quando instituição renomadas mostram interesse por ativos proveniente de países como a Índia, é importante prestar a atenção.
Vale lembrar que a economia é cíclica, ou seja, vive de ciclos econômicos e isso faz com que o capital migre de um lugar a outro de quando em quando. Desta forma – e ao que tudo indica, a Índia pode se tornar “a bola da vez” em um futuro próximo.
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