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Fundos de investimentos: entenda de uma vez a nomenclatura de cada produto

Fundos de investimentos: entenda de uma vez a nomenclatura de cada produto

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

05 Mar 2022 às 19:00 · Última atualização: 05 Mar 2022 · 11 min leitura

Redação EuQueroInvestir

05 Mar 2022 às 19:00 · 11 min leitura
Última atualização: 05 Mar 2022

Pixabay

É comum os investidores encontrarem pela frente diferentes nomenclaturas usadas para designar e separar os produtos da indústria de Fundos de Investimentos.

Isso acontece, pois a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a Receita Federal e o próprio mercado financeiro podem ter divergências nesse sentido. 

Para não se confundir, conheça agora os conceitos adotados por cada entidade e também a divisão de nomenclatura adotada para as estratégias dos Fundos.

Como a CVM divide os Fundos de Investimentos? 

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estabeleceu na Instrução 555, de 2014, uma série de regras no que tange a constituição, administração, funcionamento e divulgação de informações sobre os Fundos.

Dessa forma, eles são classificados em quatro divisões: 

Quais são os tipos de Fundos, conforme a CVM?

Multimercado

Nos quais as políticas de investimento devem envolver vários fatores de risco, sem compromisso de concentração em nenhum fator

Renda Fixa

Nos quais o principal fator de risco deve ser taxa de juros, índice de preços ou ambos.

Ações

Nos quais o principal fator de risco deve ser a variação de preços das ações.

Cambial

Nos quais o principal fator de risco deve ser a variação de preços em moeda estrangeira ou cupom cambial.

Como a Anbima divide os Fundos de Investimentos?

Na divisão da indústria de Fundos pela Anbima, é utilizada uma estrutura de funil: 

  • Primeiro nível: no qual os fundos são divididos pela classe de ativos em que atuam;
  • Segundo nível: no qual são redistribuídos de acordo com o risco; 
  • Terceiro nível: no qual são classificados novamente de acordo com a sua estratégia.

Quais os tipos de Fundos, conforme a Anbima?

 

Como a Receita Federal enxerga os Fundos de Investimentos?

Já para fins de tributação na Receita Federal, a divisão de Fundos é bastante objetiva: só podem ser tributados de cinco formas (conforme veremos a seguir).

A escolha por uma ou outra vai depender muito de como o administrador do Fundo estruturou o produto.

Longo prazo e curto prazo

No caso dos Fundos de longo ou curto prazo, a classificação depende do prazo médio de vencimento da carteira de títulos que o Fundo carrega:

  • Longo prazo: quando o prazo é maior do que um ano, 
  • Curto prazo: quando é menor do que um ano.

Cada classificação tem a sua faixa de alíquotas. 

A grande confusão sobre os Fundos de curto e longo prazo reside na forma como a cobrança do imposto é feita: o recolhimento não é feito só no resgate. 

A cada seis meses, o investidor paga para a Receita Federal uma antecipação do imposto que seria recolhido no resgate. Esse mecanismo é o “come-cotas”.

Quando os recursos forem efetivamente resgatados, o investidor vai pagar proporcionalmente o que faltar: ou seja, não há cobrança dupla. 

Ações

Já no caso da classificação de ações, o recolhimento é feito apenas no resgate, com alíquota de 15% sobre o lucro do período. 

Alguns multimercados conseguem um enquadramento tributário de ações, por exemplo, dado que podem atuar com concentração na bolsa, como é o caso dos Fundos Long Biased. 

Previdência

O mesmo vale para Fundos de Previdência, em que o investidor escolhe se vai usar a tabela progressiva ou regressiva. 

A partir daí, os recursos ficam investidos e, quando houver o saque, paga-se o imposto de acordo com a tabela, sobre o lucro do período (se VGBL) ou sobre o montante total aplicado (se PGBL). 

Isento

Os Fundos isentos, como o nome sugere, são isentos de imposto de renda. 

É uma condição bastante específica, aplicável sobre os produtos de debêntures incentivadas. 

Como não há cobrança de imposto sobre o título diretamente negociado, também não há 

imposto para os Fundos que os compram, desde que ofertados ao varejo. 

É uma forma de estimular o investimento em infraestrutura, uma área crítica no Brasil e que consome recursos em prazos muito longos.

Como o mercado divide os Fundos de Investimentos?

Já o mercado financeiro adota uma classificação para os Fundos que pode mesclar características atribuídas pela Anbima e pela CVM, adicionando algumas divisões. 

Neste quesito, o mais comum é ver uma separação dos Fundos tendo como base sua estratégia. 

Isso se deve, pois o mercado entende que esse é o ponto de análise mais relevante para atestar sua eficiência.

Mercado: separação dos Fundos de Investimento, conforme estratégia 

De acordo com o BTG Pactual, a separação dos Fundos de Investimento é a seguinte:

Renda fixa pós-fixado

Produtos que compram, preferencialmente, dívida privada (corporativa e bancária) do tipo high grade (melhor qualidade) ou high yield (maior retorno e maior risco) com benchmark CDI.

Renda fixa (Investimento no exterior)

Produtos que compram dívida privada ou pública offshore (emitidas fora do Brasil), com ou sem exposição cambial.

Inflação (Incentivados)

Produtos que compram debêntures incentivadas (enquadramento na Lei 12.431/2011) e têm benchmark atrelados à inflação (IPCA, IMA-B, IMA-B 5, etc.).

Retorno Absoluto (Macro)

Multimercados que buscam retornos independentemente da direção do mercado e utilizam pesquisa macroeconômica para operar todas as classes de ativos, dentro de um limite estabelecido de volatilidade.

Retorno Absoluto (Long & Short)

Multimercados ou fundos da classe ações que operam nas pontas compradas e/ou vendidas, com exposição neutra (sem preferência por um mercado) ou direcional limitada (com viés em algum mercado).

Retorno Absoluto (Investimento no exterior)

Fundos alternativos líquidos expostos ao mercado internacional, em geral agnósticos a qualquer índice de mercado e livres para operar várias classes de ativos.

Renda variável (Long Bias)

Fundos da classe ações ou multimercados com risco principal em renda variável, mas com maleabilidade para ter posição vendida (short) em um único papel, conjunto de papéis, índice ou derivativos, para reduzir a volatilidade e preservar patrimônio.

Renda variável (Long only)

Fundos da classe ações que carregam risco direcional comprado acima de 67% de seu patrimônio (concentrado ou diversificado) no mercado de renda variável e buscam superar benchmarks como IBr-X ou Ibovespa.

Renda variável (Investimento no exterior)

Fundos da classe ações com concentração em renda variável global, por regiões geográficas ou países e que ofereçam proteção contra a variação do dólar.

Equity (USD/Sem hedge cambial)

Fundos da classe ações com concentração no mercado de renda variável global, por regiões geográficas ou países, mas sem hedge cambial, ou seja, sem proteção contra a variação do dólar.

Fundos de investimentos; ação

Long Only, Long Short e Long Biased: entenda as estratégias

O que são Fundos Long Only?

Os fundos Long Only são aqueles que adotam estratégias apenas “compradas”, apostando sempre na valorização das ações que investem. 

Do que são compostos os Fundos Long Only?

Como exigência da CVM, no mínimo 67% do patrimônio líquido do fundo de ações deve ser composto por ações, bônus ou recibos de subscrição, cotas de fundos de ações, cotas de fundos de índice de ações ou BDRs (Brazilian Depositary Receipts). 

Características dos Fundos Long Only

  • Como só pode ficar comprado, a maneira que um gestor tem de se proteger em momentos de baixa do mercado é aumentando seu caixa, ou seja, diminuindo sua exposição líquida.
  • Dentre os fundos que operam ações, são os que possuem a maior correlação com o índice Ibovespa. 
  • Por isso, são os que tendem a subir mais em momentos de alta do mercado mas também tendem a cair mais nas baixas.
  • No curto e médio prazo pode sofrer bastante com a volatilidade do mercado. Dessa forma, acabam sendo mais indicados para estratégias de longo prazo.

O que são Fundos Long Short? 

Os fundos Long Short, apesar de poderem investir em qualquer tipo de ativos, já que são multimercados, geralmente investem prioritariamente em ações.

Este tipo de fundo tem como foco a compra de um ativo e a venda de outro, quase que simultaneamente, e que tenham uma correlação entre si. 

O ganho vem dos momentos de alta ou de baixa de determinados ativos.

A categoria “Long Short” é um tipo de fundo multimercado que está entre a que mais capta recursos. 

Como funcionam os Fundos Long Short

Os Fundos Long Short conjugam posições compradas (long) com posições vendidas (short). 

Ou seja, o gestor opera tanto comprado (apostando na alta dos preços dos ativos) quanto vendido (apostando na queda dos preços dos ativos).

Assim, o gestor faz a análise das ações para definir quais estão valorizando mais ou menos e, assim, decidir comprar ou vender e em quais quantidades. 

Desta forma, o lucro do fundo vem dos movimentos de compra e venda feitos pelo gestor.

Estratégias dos Fundos Long Short

Nos fundos Long Short podem ser usadas estratégias como a intersetorial, intrassetorial ou, então, operações relacionadas a uma mesma empresa:

  • Intersetorial: é quando o gestor compra ações de um setor e vende de outro; 
  • Intrassetorial: o objetivo é a diferença de performance entre companhias de um mesmo setor;
  • Operações relacionadas a uma mesma companhia: como PN x ON ou holding x subsidiária.

Vantagens dos fundos Long Short 

  • Baixa correlação com o Ibovespa;
  • Possibilidade de retornos independente da situação do mercado;
  • Possibilidade de alavancagem;
  • Aplicações maiores que o capital do fundo;
  • Risco relativamente controlado.

O que são fundos Long Biased?

Tanto os fundos de ações como os multimercados podem ser Long Biased ou Long Bias.

A alocação de um fundo Long Biased diz respeito às posições compradas e vendidas dos ativos da carteira. 

Sendo assim, parte do capital é alocado na compra e outra parte na venda.

Como funciona a estratégia Long Biased e quais são as vantagens?

 A posição comprada traz retornos positivos com a alta de preços, enquanto que as posições vendidas se beneficiam com a queda do mercado.

A intenção com esse tipo de estratégia é “ganhar nas duas pontas”, como se diz no mercado.

Como essa estratégia precisa operar na venda, ela obrigatoriamente usa os artifícios disponíveis no mercado de ações e de derivativos. 

Sendo assim, somente os fundos que operam nesse mercado estão aptos a montarem posições Long Biased.

Qual a divisão dos fundos Long Biased?

Segundo o BTG Pactual, pode-se dividi-los em dois grandes grupos.

Retorno absoluto

Apesar de utilizar o mercado de ações como seu principal fator de risco e alocação do capital, os Fundos Long Biased do tipo retorno absoluto não fazem referência a qualquer índice ou mercado específico. 

Assim, eles passaram a ser considerados por muitos uma versão evoluída dos Fundos Long & Short, já que extraem ganhos do valor relativo entre as ações, negociadas em pares (pair trade) no mesmo setor (intrassetorial) ou em setores distintos (intersetorial), e adicionando a isso as estratégias de alfa por seleção de ações. 

Os “quase” long only 

O segundo grupo de Long Biased são fundos na escala entre Long & Short e Long Only, mais próximos dos Long Only, mas com uma dose a mais de liberdade. 

Aqui, também se adiciona a capacidade do gestor de fazer a seleção da parcela short, além da possibilidade de reduzir a exposição ao mercado de ações abaixo do exigido para os fundos dessa natureza. 

Qual tipo de Fundo de Investimento escolher?

Com todas essas nomenclaturas e conceitos esclarecidos sobre Fundos de Investimento, fica mais simples entender a relação com o mercado e qual o risco de cada estratégia.

Conhecer esse universo ajuda o investidor a diversificar sua carteira de investimentos com mais segurança.

Assim como qualquer ativo, o tipo de fundo ideal para você depende de sua estratégia de investimentos e do seu perfil como investidor.

  • Quer conhecer mais sobre alocação de ativos e investimentos? Então preencha este formulário que um assessor da EQI Investimentos entrará em contato para apresentar as aplicações disponíveis!

 

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