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Por dentro dos Fundos de infraestrutura FIP-IE, FI-Infra e FDIC-Infra

Por dentro dos Fundos de infraestrutura FIP-IE, FI-Infra e FDIC-Infra

Osni Alves

Osni Alves

19 Set 2022 às 13:10 · Última atualização: 19 Set 2022 · 7 min leitura

Osni Alves

19 Set 2022 às 13:10 · 7 min leitura
Última atualização: 19 Set 2022

Imagem mostra um café, um note e algumas análises de fundos de infraestrutura sobre a mesa.

Os fundos de infraestrutura FIP-IE, FI-Infra e FDIC-Infra ganharam bastante espaço no mercado de capitais desde meados de 2019.

Essa “nova classe de ativos” é bem mais heterogênea do que parece, porém tem forte potencial para exercer um papel de protagonismo no financiamento aos setores de infraestrutura.

Entretanto, é preciso conhecer os diferentes tipos de fundos, como cada um deles pode ser categorizado, e como eles podem contribuir para a carteira dos investidores.

Imagem mostra um especialista analisando fundos de infraestrutura.

Quais são as diferenças do FIP-IE, FI-Infra e FDIC-Infra?

Existem três tipos de diferenças entre os fundos listados de infraestrutura que precisam ser levadas em consideração: a cobertura, o recheio e o sabor!

“A ‘cobertura’ diz respeito ao veículo utilizado para constituir o fundo. Os principais tipos de veículos utilizados pelas gestoras são os Fundos de Investimento em Participações de Infraestrutura (FIP-IE), os Fundos de Investimento em Infraestrutura (FI-Infra) e os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios de Infraestrutura (FDIC-Infra)”, destaca o banco de investimentos BTG Pactual (BPAC11).

E diz mais: “as principais características em comum entre esses veículos são o formato de condomínio fechado, listagem em bolsa, a obrigatoriedade de investir a maior parte do patrimônio em infraestrutura e a isenção de IR sobre os rendimentos e ganhos de capital para pessoas físicas.”

Também elencou que as principais diferenças entre eles são os limites de alocação e os tipos de ativo que podem compor a carteira. “O FIP-IE e o FDIC-Infra são destinados exclusivamente a investidores qualificados. Os FI-Infra podem ou não ser destinados a investidores em geral”.

Quais são as principais estratégias destes ativos?

O banco de investimentos elenca que a analogia do “recheio” reforça as macroestratégias e micro estratégias dos fundos. As principais macroestratégias são crédito e equity.

Enquanto alguns veículos compram apenas títulos de renda fixa, outros investem em participações de empresas e projetos.

Alguns fundos combinam essas duas estratégias (híbridos). As micro estratégias dizem respeito a como esses investimentos são realizados e como o fundo entrega valor aos investidores.

O “sabor” está diretamente relacionado ao nicho da infraestrutura que o fundo pode atuar. O termo “infraestrutura” é bem amplo e oferece oportunidades de alocação com riscos bastante distintos (água e saneamento, portos, transmissão de energia, geração eólica, geração hidrelétrica etc.).

Estes fundos são renda fixa ou renda variável?

Apesar de investirem em renda fixa ou renda variável, os fundos listados de infraestrutura são um instrumento de renda variável.

Isso porque o valor de mercado das cotas varia em função da oferta e da demanda por um determinado ativo (preço de tela), e porque a maior parte dos fundos possui prazo indeterminado e não existe um indexador específico de remuneração para os investidores finais (ex. IPCA+, % CDI etc.).

Os fundos listados de infraestrutura normalmente possuem o ticker “11”, porém não podem – e não devem – ser confundidos com os Fundos Imobiliários (FII).

Os fundos de infraestrutura investem em títulos emitidos por sociedades anônimas (S.A.) de capital aberto ou fechado que desenvolvem projetos de infraestrutura.

Os papéis podem ser de renda fixa ou variável e os critérios de concentração, elegibilidade dos ativos para composição da carteira e o tipo de investidor final dependem do veículo (FIP-IE, FIDC-Infra e FI-Infra) e do regulamento.

Como estes fundos são constituídos?

Os veículos são constituídos sob a forma de condomínio fechado e suas cotas só podem ser resgatadas no término do prazo de duração do fundo (quando houver) ou quando deliberado na assembleia de cotistas (investidores).

“Dada a natureza de longo prazo dos investimentos do fundo, o formato de condomínio fechado traz maior flexibilidade para os gestores alocarem os recursos sem se preocuparem com os resgates cotidianos (como é o caso dos fundos abertos)”, explica o BTG.

A listagem e a possibilidade de negociação em bolsa dão ao investidor a flexibilidade para negociar suas cotas no mercado secundário.  Já a liquidação dos ativos ocorre em D+2 (dois dias úteis após a solicitação).

Quais os benefícios destes ativos?

Os principais benefícios dos veículos listados de infraestrutura são a isenção de IR sobre os rendimentos e alíquota zero sobre os ganhos de capital para investidores pessoa física, a possibilidade de acessar ativos normalmente não disponíveis para investidores de varejo, o potencial de diversificação de carteira sem a necessidade de muitos recursos, a liquidez em bolsa e o acesso à gestão profissional.

Qual o nível de concentração de portfólio?

O relatório do BTG elenca que os fundos listados de infraestrutura são muito heterogêneos, porém é possível agrupá-los com base em sua macroestratégia.

Essa forma de agrupamento contempla as classes de ativos nas quais os recursos são aplicados (ex. crédito ou equity), os níveis de concentração do portfólio e a flexibilidade para investir e desinvestir em ativos.

Também informa que esse tipo de fundo investe em um ou mais ativos de crédito relacionado ao setor de infraestrutura.

Os ativos podem ou não ser incentivados, porém a estrutura do fundo permite a isenção de IR sobre os rendimentos e ganhos de capital para o investidor PF.

Assim como os demais ativos de crédito, esses fundos tendem a ser menos voláteis do que os fundos que alocam apenas em ativos de renda variável.

Isso não significa, no entanto, que não há volatilidade (tanto nas cotas do fundo como nos ativos da carteira).

Os ativos de crédito são mais previsíveis do que os ativos de renda variável, pois possuem um cronograma pré-definido de pagamento de juros e amortizações e têm prioridade de recebimento sobre os demais ativos de um projeto de infraestrutura.

Como operam os fundos equity?

Os fundos categorizados como equity adquirem participações em sociedades anônimas de capital aberto ou fechado e seu portfólio pode possuir um ou mais ativos.

Assim como os fundos de dívida, o veículo permite a isenção de IR sobre os rendimentos e ganhos de capital par o investidor final. Em geral, esse tipo de fundo é mais volátil do que os fundos que investem 100% do patrimônio em renda fixa.

Isso porque o retorno dos investidores depende da performance dos projetos após os compromissos com os ativos de dívida.

Apesar disso, a volatilidade do fundo varia em função do perfil dos ativos e, alguns veículos, por exemplo, alocam seus recursos em ativos com fluxos de caixa mais estáveis e, por isso, tendem a ser mais voltados para renda (ex. projetos de transmissão de energia).

Outros têm um perfil mais agressivo e têm como objetivo principal o ganho de capital com a venda do ativo-lastro, como expansão de um projeto de infraestrutura portuária.

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