Economia
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Finlândia na Otan e reação da Rússia: aumenta risco de instabilidade na Europa

Finlândia na Otan e reação da Rússia: aumenta risco de instabilidade na Europa

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

12 Mai 2022 às 19:05 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 6 min leitura

Redação EuQueroInvestir

12 Mai 2022 às 19:05 · 6 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

Selo da Otan, Organização do Tratado Atlântico Nort - a Finlândia pediu para entrar na Otan e a Rússia ameaça com retaliações

Reprodução

Após pouco mais de dois meses, a guerra entre Rússia e Ucrânia segue longe de uma possibilidade de solução no curto prazo, e a ameaça de instabilidade na região da Europa Oriental tende a aumentar nas próximas semanas. Em novo capítulo de uma disputa que, por ora, permanece no campo retórico, a Finlândia anunciou nesta quinta-feira (12) seu interesse em se juntar à Otan, aliança militar liderada pelos Estados Unidos.

O anúncio foi imediatamente rebatido pelo governo da Rússia, que teme “um aumento das ameaças à segurança nacional” e já havia prometido retaliações no caso de a Finlândia deixar sua neutralidade.

E não deve parar por aí: nesta sexta-feira, a Suécia, outro país historicamente neutro, também deve formalizar seu interesse em se associar à Otan.

Mas o que é a Otan, afinal?

A Otan, sigla em português para Organização do Tratado Atlântico Norte (em inglês usa-se NATO), é uma aliança militar surgida em 1949, logo após a Segunda Mundial. Liderada pelos Estados Unidos, ela reuniu a maior parte dos países de uma Europa Ocidental em busca de reconstrução após o conflito, como contraponto à União Soviética, a outra grande vencedora do conflito, na chamada “Guerra Fria”.

Os soviéticos, por sua vez, se juntaram no Pacto de Varsóvia, uma reunião dos países da Europa Oriental que também eram governados por regimes comunistas.

Nem toda a Europa, porém, tomou partido. Assim como a Suíça, os países do norte do continente nunca se alinharam a nenhuma das organizações, mantendo uma posição de neutralidade. Uma posição que parece estar mudando mais de três décadas após a dissolução da União Soviética, em 1991.

Mapa do norte da Europa mostrando a Finlândia e parte da Rússia

Reprodução/Google Maps

Finlândia x Rússia, uma rivalidade histórica

Mas as brigas entre Finlândia e Rússia vêm de séculos atrás. O pequeno país foi parte do Império Sueco por séculos e, no início do século 19, foi conquistado pelos russos. Obteve sua independência somente em 1917, nos estertores da revolução bolchevique que colocou os comunistas no poder e culminou na formação da União Soviética.

Mesmo assim, o gigante comunista sempre lutou para manter sua influência e reanexou a Finlândia em 1939, já depois do início da Segunda Guerra, com acusações de que os finlandeses colaboravam com o regime nazista de Adolf Hitler na Alemanha.

Só em 1945 a Finlândia recuperou sua independência, com a condição de manter-se em neutralidade – e assim o fez, durante todo o período da Guerra Fria e nas décadas passadas, até mudar de posição agora, após a invasão russa à Ucrânia.

Temor de uma guerra maior

Nos últimos trinta anos, após a dissolução da União Soviética e a queda dos regimes comunistas, os EUA, por meio da Otan, começaram a ampliar sua influência sobre os antigos aliados soviéticos, como Bulgária, Romênia e Albânia – todos membros da aliança, assim como as chamadas “repúblicas bálticas”, Lituânia, Letônia e Estônia, que faziam parte da antiga União Soviética e fazem fronteira direta com a Rússia.

O incômodo de Vladimir Putin e dos russos é que a Otan estabelece um “sistema de defesa coletiva”, ou seja: seus Estados-membros agirão em defesa mútua em resposta a um ataque por qualquer entidade externa à organização.

Foi essa cláusula que fez o Reino Unido e outros países europeus enviarem tropas ao Afeganistão em suporte aos EUA, após os ataques de 11 de Setembro de 2001 Se a Ucrânia fosse membro da Otan, os aliados já teriam colaborado para repelir os ataques russos na atual invasão.

Aliás, essa aproximação foi uma das justificativas de Putin para ordenar o início da guerra e uma das condições colocadas por diplomatas russos para um cessar-fogo é a promessa da Ucrânia de não mais pensar em adesão à Otan.

As declarações de Finlândia e Rússia no atual momento

As ações recentes de Putin na Ucrânia, desde a anexação da Crimeia, em 2014, até o atual conflito, deixaram os finlandeses em sinal de alerta com temor de que sejam os próximos alvos no caso de novas ações expansionistas da Rússia.

“A Finlândia deve se candidatar à adesão à Otan sem demora. Nós esperamos que os passos ainda necessários para tomar a decisão sejam tomados rapidamente”, diz declaração conjunta assinada pelo presidente Sauli Niinistö, chefe de Estado, e a primeira-ministra Sanna Marin, responsável pela condução do governo. Eles ainda dependem de aprovação do parlamento, que deve acontecer até a semana que vem.

O secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, afirmou que o processo de entrada será rápido e que a Finlândia será “muito bem-vinda” à aliança

O porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, reclamou que essa expansão da Otan “em nossa direção” não ajuda a aumentar a estabilidade da Europa. “Vai depender de como essa expansão ocorrerá, qual infraestrutura militar será movida para as nossas fronteiras”, disse, sobre uma possível reação.

Ok, e a economia?

Localmente, a Finlândia teme que a Rússia corte seu fornecimento de gás natural, o que ainda não aconteceu no caso de outros países vinculados à Otan na Europa.

De forma geral, a guerra entre Rússia e Ucrânia tem provocado forte impacto no cenário macroeconômico mundial, provocando instabilidade no preço do petróleo, produto do qual a Rússia é uma das maiores fornecedoras. O conflito pressiona também o preço de outras commodities, prejudica cadeias logísticas e, consequentemente, provoca pressão inflacionária planeta afora.

Além disso, a adoção de sanções à Rússia como retaliação à guerra acaba provocando forte impacto em um dos maiores mercados emergentes do planeta – a Rússia deve ter forte retração do PIB neste ano.

Ao lado das restrições provocadas pela nova onda de covid-19 na China, que vem adotando lockdown em metrópoles como Pequim e Xangai para evitar a propagação da doença, a instabilidade na Europa é um tema que, para analistas, desafia a economia mundial na busca por estabilidade e controle da inflação.

  • Quer entender o impacto da guerra entre Rússia e Ucrânia nos seus investimentos? Preencha este formulário e um assessor da EQI Investimentos entrará em contato para tirar suas dúvidas e sugerir as melhores opções de aplicação!
A retomada das Criptos?
newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias