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Sapatos de luxo que transformaram o trabalho artesanal em desejo

Sapatos de luxo que transformaram o trabalho artesanal em desejo

Materiais nobres, técnicas artesanais e décadas de tradição explicam por que alguns sapatos são considerados peças atemporais do guarda-roupa masculino

Muito antes de chegarem às vitrines, os sapatos de luxo passam por processos minuciosos de corte, costura e acabamento realizados por sapateiros altamente especializados. No Dia do Sapateiro, celebrado neste domingo (25), conheça marcas tradicionais que transformaram o trabalho artesanal em sua assinatura, produzindo calçados com materiais nobres, construção refinada e elegância atemporal.

Antes de apresentar as marcas, é importante entender que nem todo sapato é igual. Os sapatos de luxo costumam ter preços mais elevados por diversos fatores, entre eles a qualidade dos materiais utilizados na produção.

Couros nobres, como o de crocodilo, por exemplo, são valorizados pela exclusividade e pela aparência. Além disso, técnicas de fabricação como as construções Goodyear e Blake podem contribuir para a durabilidade dos calçados e, dependendo do método, facilitar reparos.

Vale ressaltar que o design também desempenha um papel importante, sem abrir mão da funcionalidade. Nas marcas de alto padrão, os modelos costumam atravessar tendências e permanecer relevantes por décadas. Por isso, esses sapatos não são vistos apenas como itens de consumo, mas como peças que podem acompanhar o consumidor por muitos anos.

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John Lobb

Imagem: Distribuição/@johnlobb

John Lobb é uma tradicional marca de calçados com mais de 150 anos de história na Inglaterra. A história da marca começou com a chegada do fundador a Londres, em 1851, para trabalhar como jovem aprendiz de sapateiro. Após uma breve passagem pela Austrália, ele se tornou sapateiro do então Príncipe de Gales, e em 1866 inaugurou a primeira boutique de sob medida.

Desde então, a marca expandiu sua presença internacional. Em 1976, a Hermès adquiriu a operação parisiense da John Lobb. Atualmente, a John Lobb possui 19 lojas ao redor do mundo e conta também com um ateliê sob medida em Paris e uma oficina em Northampton, na Inglaterra, onde são produzidas as coleções prêt-à-porter.

Já a John Lobb Ltd., que permanece sob gestão familiar, continua atendendo clientes de sapatos sob medida na St. James’s Street, em Londres. Incorporando técnicas manuais e silhuetas sofisticadas, a John Lobb reúne modelos versáteis e atemporais, que vão de botas e mocassins a sandálias e tênis, pensados para acompanhar o cliente em diferentes ocasiões.

O modelo da foto, chamado Turner, é um Oxford de couro de bezerro com construção Goodyear welted, técnica que contribui para a resistência e a durabilidade do calçado. O sapato custa US$ 3.550, valor equivalente a aproximadamente R$ 18 mil na cotação utilizada.

Edward Green

Imagem: Distribuição/@edwardgreen1890

Ainda aprendiz, Edward Green já tinha a ambição de criar seus próprios sapatos. Em 1890, fundou sua própria oficina em Northampton, na Inglaterra, com os artesãos mais renomados da cidade e os melhores materiais para produção. A marca homônima também utiliza a construção Goodyear Welted e conquistou clientes como Ernest Hemingway e Edward, duque de Windsor.

A produção mantém características tradicionais e continua sediada na mesma cidade, onde mais de 60 artesãos produzem cerca de 350 pares de sapatos por semana, posteriormente enviados às lojas da marca em Londres e Paris.

Os sapatos são finalizados manualmente sobre a forma do calçado para criar a pátina envelhecida, característica da marca. Além disso, as solas passam por um processo de curtimento em casca de carvalho durante nove meses, o que proporciona conforto e durabilidade aos calçados.

O modelo da foto é o Piccadilly Unlined, um loafer com sola leve de couro e acabamento interno refinado, vendido por £ 2.070.

Berluti

Imagem: Distribuição/@berluti

Criada em 1895 por Alessandro Berluti, um imigrante italiano em Paris, a marca que leva o sobrenome de seu fundador se consolidou como fornecedora de calçados de luxo para a elite parisiense.

A Berluti também se destacou pelo modelo Alessandro, um sapato do tipo wholecut, produzido a partir de uma única peça de couro e que se tornou um dos símbolos da marca. Grande parte da produção é feita artesanalmente com acabamentos exclusivos e os couros dos curtumes mais conceituados da Europa.

O modelo da imagem é o Andy Démesure Neo, um loafer inspirado em um clássico da marca e produzido com construção Blake, técnica em que a sola é costurada diretamente à parte superior do calçado. O modelo combina couro de bezerro Venezia com uma tira de couro de jacaré, além de acolchoamento traseiro, forro e palmilha em couro.

Santoni 

Imagem: Distribuição/@santoniofficial

A Santoni é uma empresa familiar fundada em 1975 por Andrea Santoni, na região de Marche, na Itália. A produção valoriza o trabalho artesanal, com profissionais envolvidos em diferentes etapas, da coloração do couro à fabricação dos calçados.

O modelo da imagem é um loafer em couro de jacaré, com bico afunilado, construção Goodyear welted flexível e sola de couro com salto parcialmente revestido de borracha. O calçado é vendido por € 5.200, valor que pode variar conforme o mercado e a cotação da moeda.

Crockett & Jones

Imagem: Distribuição/@crockettandjones_official

A Crockett & Jones foi fundada em 1879 pelos cunhados James Crockett e Charles Jones, que vinham de famílias ligadas à fabricação de calçados na região de Northampton, na Inglaterra. Essa combinação de tradição familiar e conhecimento técnico formou a base da Crockett & Jones, que se tornou uma referência na fabricação de calçados de luxo ingleses.

Desde a fundação, é administrada por sucessivas gerações da família, e atualmente está na quinta geração de descendentes diretos de Charles Jones. O século XXI marcou uma nova fase para a marca centenária, com crescimento da rede de varejo e consolidação da distribuição internacional, o que ampliou sua projeção global.

Em 2012, a Crockett & Jones ganhou ainda mais visibilidade ao fornecer calçados para James Bond no filme Skyfall. A marca também forneceu modelos para Spectre e No Time to Die. Posteriormente, lançou o modelo James, uma edição limitada criada em parceria com a EON Productions, produtora dos filmes.

O modelo da imagem é o Bury 2, um loafer da coleção Hand Grade, com bico de linhas marcadas e encaixe mais preciso no calcanhar, pensado para reduzir o deslizamento do pé durante o uso. No site americano da marca, o modelo é vendido por US$ 1.460.

Conheça os principais modelos de sapatos masculinos

Cada sapato, independentemente de ser de luxo ou não, possui características e indicações de uso diferentes. O modelo Oxford é um sapato social de amarração fechada, geralmente associado a ocasiões formais, como casamentos e reuniões executivas. Já o loafer é um dos mais versáteis da lista. Sem cadarços e com uma proposta mais despojada, consegue transitar entre o casual e o formal, combinando conforto e elegância.

O modelo monk strap é caracterizado pelo fechamento com uma ou duas fivelas, que conferem personalidade ao calçado sem perder a sofisticação. É uma opção para ocasiões que pedem elegância, mas não necessariamente a formalidade de um Oxford. Já o brogue é caracterizado pelas perfurações decorativas no couro, chamadas de broguing, que podem aparecer em diferentes modelos de sapatos.

O modelo Derby também tem uma história curiosa, com diferentes versões sobre sua origem, incluindo associações à aristocracia inglesa e aos calçados militares. Sua principal característica é a amarração aberta, que permite maior flexibilidade no ajuste e pode oferecer mais conforto a quem tem os pés largos.

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