O mercado wellness deixou de ocupar apenas um espaço de tendência para se consolidar como parte do estilo de vida dos consumidores. A busca por mais saúde, longevidade e qualidade de vida vem transformando hábitos dentro e fora de casa, com reflexos diretos no varejo brasileiro.
Entre 2020 e 2022, o setor cresceu 12% no mundo e movimentou cerca de 5,6 trilhões de dólares, segundo o Global Wellness Institute. No Brasil, o mercado chegou a aproximadamente 96 bilhões de dólares, com destaque para cuidados pessoais e alimentação saudável, que juntos somam 69,6 bilhões de dólares. O desempenho coloca o país em 12º lugar no ranking mundial do segmento.
Mais do que uma mudança passageira, o avanço do wellness revela um consumidor mais informado e exigente. Hoje, a decisão de compra passa por fatores como composição dos produtos, origem dos ingredientes, valor nutricional, praticidade e confiança nas marcas.
Alimentação saudável ganha espaço no carrinho
A transformação no comportamento do consumidor tem pressionado o varejo a acompanhar novas demandas. A procura por produtos orgânicos cresceu 16% entre 2021 e 2023, enquanto o setor de produtos saudáveis avançou 33% entre 2015 e 2020.
De acordo com pesquisa de comportamento realizada pela APAS em parceria com a Scantech, 64% dos consumidores que mudaram seus hábitos passaram a priorizar produtos mais saudáveis. O dado reforça a força da saudabilidade como um dos principais vetores de mudança no consumo atual.
Para Fabiano Benedetti, diretor de Marketing, Negócios e CRM da APAS, o crescimento do mercado wellness está diretamente ligado a uma nova jornada de compra. “O consumidor hoje está mais atento à saúde, à origem dos produtos e às informações nutricionais. Esse cenário tem impulsionado o setor a investir em inovação, comunicação mais transparente e no desenvolvimento de linhas com ingredientes naturais, orgânicos e clean label”, afirma.
Praticidade também pesa na escolha
Embora a saúde seja um fator central, ela não caminha sozinha. A rotina acelerada mantém a praticidade como um atributo decisivo. Por isso, categorias que unem conveniência e valor nutricional vêm ganhando protagonismo nas prateleiras.
Um exemplo é o crescimento das frutas congeladas, que registraram alta de 48,9% em volume na comparação com o primeiro trimestre de 2025. O desempenho mostra que o consumidor quer comer melhor, mas sem abrir mão de soluções simples para o dia a dia.
A tendência também aparece na busca por alimentos funcionais, no aumento do consumo de proteínas e na redução de açúcar. São escolhas que indicam uma relação mais consciente com a alimentação, voltada não apenas à estética, mas também à energia, disposição e prevenção.
Longevidade amplia o movimento wellness
O interesse por bem-estar vai além da alimentação. A prática de atividades físicas também vem crescendo entre os brasileiros. Segundo dados da Scantech, nos últimos cinco anos, a frequência de exercícios aumentou 50%. Caminhada e corrida lideram a preferência, com 70%, reforçando a busca por atividades acessíveis e de baixo custo.
Esse novo estilo de vida também impulsiona o consumo de suplementos ligados à performance e à saúde. A creatina, por exemplo, lidera uma demanda que cresceu 672% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2022.
O avanço do mercado wellness mostra que o consumidor brasileiro está redesenhando sua relação com o varejo. Nas gôndolas, isso se traduz em mais espaço para produtos naturais, orgânicos, funcionais e com rótulos mais claros. Para as marcas e supermercados, o desafio é acompanhar essa transformação com inovação, transparência e soluções que conversem com uma vida mais saudável, prática e consciente.
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