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Do Cerrado a Gramado: Brasil avança no mapa mundial das viagens de luxo

Do Cerrado a Gramado: Brasil avança no mapa mundial das viagens de luxo

Com novas propriedades em Goiás e Gramado, país amplia presença em rede internacional que conecta viajantes de alta renda a residências e destinos exclusivos

Viajar com conforto já não é suficiente para uma parcela dos turistas de alta renda. Privacidade, atendimento personalizado, experiências autênticas e a possibilidade de se sentir em casa mesmo a milhares de quilômetros de distância passaram a fazer parte da lista de desejos desse público. É nesse cenário que o intercâmbio de luxo começa a ganhar mais espaço no Brasil.

O país ampliou de quatro para seis o número de propriedades afiliadas ao The Registry Collection, programa de viagens de luxo da RCI (Resorts Condominiums International).

As novas integrantes são as casas do InCasa Private Residence Club, em Rio Quente, Goiás, e o Owntime, em Gramado, no Rio Grande do Sul. Elas se juntam a Itacaré Paradise, My Mabu, Aguativa Privilege e Quintas Private.

Uma nova maneira de viajar com luxo

Criado em 2002, o The Registry Collection funciona como uma rede internacional de intercâmbio voltada a propriedades de alto padrão. Em vez da hospedagem tradicional, os associados podem circular por um portfólio que inclui residências de luxo, clubes residenciais, condo-hotéis, resorts, casas exclusivas e até iates fracionados.

Atualmente, são cerca de 130 propriedades em diferentes destinos, mais de 40 mil associados ativos e aproximadamente 9 mil intercâmbios realizados por ano, segundo os dados divulgados pela empresa.

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Na prática, a proposta acompanha uma transformação perceptível no universo das viagens sofisticadas: luxo deixou de ser definido apenas por instalações grandiosas. A experiência, o destino, a privacidade e a possibilidade de personalização ganham cada vez mais peso.

Brasil aposta na diversidade para conquistar o viajante de alto padrão

A chegada das duas novas propriedades também mostra como diferentes destinos brasileiros podem ocupar espaço nesse mercado.

Em Rio Quente, o InCasa Private Residence Club aposta em casas de alto padrão cercadas pela paisagem do Cerrado, combinando privacidade, natureza e serviços personalizados. O próprio material de divulgação do empreendimento destaca essa integração com o ambiente natural, característica que conversa diretamente com a procura por viagens mais imersivas.

Gramado segue por outro caminho. Já consolidada como um dos principais destinos turísticos do Sul, a cidade recebe o Owntime, que iniciou suas operações em julho já conectado à rede internacional.

As duas propostas se somam a experiências bastante diferentes disponíveis no portfólio brasileiro, passando por destinos como Itacaré, na Bahia, Foz do Iguaçu e outras localidades no Paraná.

Quem é o viajante desse mercado?

O perfil dos associados ajuda a explicar por que esse segmento desperta atenção. De acordo com dados globais apresentados pela RCI, a renda média anual desse público supera US$ 100 mil e a residência principal dos membros tem valor médio próximo de US$ 800 mil. Quase metade possui mais de uma propriedade de férias.

Viagens também ocupam uma parcela considerável do calendário: são cerca de 40 dias de lazer por ano, em média.

Para além de consumidores de hospedagens sofisticadas, portanto, são viajantes habituais e interessados em novas experiências. Para atendê-los, o programa também oferece benefícios que vão além da troca de propriedades, incluindo semanas adicionais de hospedagem, reservas de última hora e condições especiais para hotéis, aluguel de carros e passagens aéreas.

Luxo passa a significar experiência

A expansão acontece em um momento em que o turismo de alto padrão se aproxima cada vez mais de conceitos como bem-estar, autenticidade e personalização. No Brasil, esse movimento encontra terreno fértil na combinação de natureza, gastronomia, diversidade cultural e hospitalidade.

É justamente essa mistura que pode ajudar destinos nacionais a competir pela atenção de um viajante que já conhece muitos lugares do mundo e, por isso, procura algo além de uma boa suíte de hotel.

Para Fabiana Leite, diretora de Desenvolvimento de Negócios da RCI para a América do Sul, a entrada de novos empreendimentos brasileiros demonstra que o mercado nacional vem alcançando padrões internacionais de qualidade. Na avaliação da executiva, atributos como natureza, gastronomia e diversidade cultural ajudam a despertar o interesse de viajantes de alta renda.

Nesse novo mapa do intercâmbio de luxo, o diferencial brasileiro talvez esteja justamente fora do óbvio. Do Cerrado goiano ao clima de serra de Gramado, passando pelas paisagens da Bahia e de Foz do Iguaçu, o país começa a transformar sua diversidade em um ativo para conquistar um público que busca não apenas lugares sofisticados para se hospedar, mas experiências que dificilmente poderiam ser repetidas em outro destino.

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