A De Beers London começa a colher os resultados da renovação de sua principal boutique em Nova York. Reaberto em setembro de 2026, o endereço na Madison Avenue registrou crescimento de dois dígitos nas vendas, de acordo com informações divulgadas pela publicação especializada CPP-Luxury.
O desempenho foi observado nas primeiras semanas de funcionamento da loja, que recebeu um novo projeto arquitetônico e espaços dedicados ao atendimento privativo.
Com cerca de 200 metros quadrados, a flagship apresenta o conceito comercial inaugurado pela joalheria em Paris, no início do ano, e posteriormente adotado em Hong Kong.
A reformulação faz parte dos investimentos da companhia para ampliar sua presença entre consumidores de alta renda, especialmente nos Estados Unidos, onde a procura pelas coleções de alta joalheria tem apresentado resultados positivos.
Um novo endereço para a alta joalheria em Manhattan
A boutique ocupa um ponto da Madison Avenue, tradicional destino de compras de luxo em Nova York. O projeto reúne referências à África Austral, região associada à história da De Beers, e elementos da decoração residencial britânica.
Na fachada, uma estrutura escultural reproduz o movimento das correntes marítimas da Namíbia. No interior, as paredes douradas remetem às dunas do país, enquanto o piso de carvalho foi inspirado na cestaria tradicional de Botswana. Uma instalação do artista holandês Ward Strootman utiliza kimberlito, rocha vulcânica associada à formação de depósitos diamantíferos.
O ambiente inclui uma sala reservada para consultas, chamada Biblioteca, inspirada nas residências do bairro londrino de Mayfair. Sofás Chesterfield, tecidos da Liberty of London e uma fragrância desenvolvida por Roja Dove compõem a ambientação. O serviço de chá da tarde da Fortnum & Mason completa a experiência.
O segundo pavimento abriga exposições, eventos e encontros privados. A proposta permite receber colecionadores e clientes em ocasiões que não dependem de uma compra imediata.
Coleções exclusivas impulsionam os negócios nos Estados Unidos
A demanda por peças de alta joalheria está entre os fatores apontados pela De Beers London para explicar o desempenho da operação norte-americana. A empresa trabalha para estreitar o relacionamento com compradores habituais e alcançar novos colecionadores.
Parte dessa aposta está na coleção Vibrations, que introduziu diamantes com lapidação cabochão nas criações de alta joalheria da casa. O desenvolvimento da técnica exigiu cinco anos de pesquisa e resultou em peças que exploram novas possibilidades estéticas para as pedras naturais.
A companhia também avalia acordos com lojas de departamento selecionadas nos Estados Unidos. Os nomes dos possíveis parceiros ainda não foram anunciados.
De Beers London prepara expansão na Ásia em 2027
A previsão da joalheria é terminar 2026 com aproximadamente 24 boutiques em operação no mundo. No próximo ano, o novo conceito de loja deverá chegar a endereços importantes na China, dando continuidade ao projeto iniciado em Paris.
Japão e Coreia do Sul estão no radar da empresa como possíveis destinos para futuras operações. A escolha desses países acompanha o interesse da De Beers London por regiões com consumidores de alto poder aquisitivo e tradição no comércio de joias de luxo.
A distribuição geográfica também ajuda a reduzir a dependência de um único país, embora a companhia ainda não tenha divulgado metas financeiras específicas para as novas unidades.
O que a renovação revela sobre os investimentos no mercado de luxo
A movimentação da De Beers London merece atenção de quem acompanha o setor de luxo e os investimentos empresariais no exterior. A decisão de reformar uma flagship em Manhattan, seguida por planos de modernização de lojas na China, mostra onde a joalheria pretende concentrar parte de seus esforços comerciais.
O cenário, porém, exige cautela. A indústria de diamantes naturais enfrenta mudanças na dinâmica de consumo, influenciadas pelo avanço das pedras produzidas em laboratório e pela pressão sobre preços em determinados segmentos.
Nesse contexto, a De Beers London direciona seus investimentos para coleções de alto valor, serviços personalizados e experiências reservadas aos clientes. A procedência dos diamantes e o trabalho de criação também fazem parte do posicionamento da joalheria.
O movimento acontece durante um período de transformação do Grupo De Beers, que enfrenta discussões societárias relacionadas a uma possível venda de seus negócios de mineração. Essas negociações são distintas dos planos comerciais da De Beers London e não devem ser confundidas com o desempenho de suas boutiques.
Embora a unidade nova-iorquina tenha apresentado avanço nas vendas, a empresa não divulgou o percentual exato de crescimento nem o faturamento alcançado após a reforma.
Por enquanto, os resultados da Madison Avenue oferecem um retrato pontual da procura por alta joalheria nos Estados Unidos. A evolução das vendas ao longo dos próximos meses e a execução dos projetos na Ásia serão importantes para avaliar o alcance comercial dessa nova fase da De Beers London.






