Depois de um 2025 bastante positivo para a Bolsa brasileira, é natural que investidores passem a se perguntar o que esperar de 2026. O próximo ano traz desafios conhecidos, como o processo eleitoral, que costuma aumentar a volatilidade. Ainda assim, alguns fatores já mapeados permitem manter uma visão construtiva para a Bolsa ao longo do ano.
Na minha leitura, são três os principais motivos que sustentam esse otimismo.
O primeiro vem do cenário externo. Ao longo de 2025, vimos um movimento relevante de diversificação do capital global. Recursos que antes estavam muito concentrados na Bolsa americana passaram a buscar oportunidades em outras economias, especialmente em mercados menos desenvolvidos, como o Brasil.
Essa mudança tem relação direta com o comportamento dos juros no mundo. As taxas de juros globais vêm caindo de forma relativamente coordenada. Países desenvolvidos começaram esse processo antes, e economias como a brasileira tendem a seguir o mesmo caminho. Esse ambiente torna o apetite por risco maior e favorece o rebalanceamento das carteiras globais, com mais espaço para mercados emergentes. É um movimento que, na minha visão, não se encerra em 2025 e deve continuar influenciando positivamente a Bolsa em 2026.
O segundo ponto é doméstico e também passa pelos juros. Após voltarem a patamares elevados, próximos de 15%, os juros brasileiros tendem a iniciar um ciclo de queda já no começo de 2026. Historicamente, esse processo beneficia a Bolsa por dois canais. Primeiro, porque reduz o custo financeiro das empresas. Segundo, porque aumenta a atratividade da renda variável em relação aos investimentos mais conservadores.
Com juros menores, o investidor passa a aceitar mais risco em busca de retorno, o que ajuda a sustentar um fluxo positivo para a Bolsa. Esse fator, por si só, já cria um pano de fundo mais favorável para o mercado acionário.
O terceiro motivo tem uma natureza mais microeconômica e também está ligado à queda dos juros. Empresas endividadas passam a carregar um encargo financeiro menor, o que melhora seus resultados. Além disso, há um efeito direto sobre o valuation. Com taxas de desconto mais baixas, os ativos passam por uma reprecificação, o que tende a elevar os preços das ações.
Na prática, ocorre um efeito duplo: redução das despesas financeiras e melhora na avaliação dos ativos. Somado ao crescimento natural dos lucros ao longo do tempo, esse processo ajuda a sustentar uma dinâmica positiva para a Bolsa em 2026.
Em resumo, mesmo diante dos desafios do próximo ano, o cenário externo mais favorável, a perspectiva de queda dos juros no Brasil e a melhora nos fundamentos das empresas formam um conjunto de fatores que justificam uma visão mais otimista para o Ibovespa.
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