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Empresas de commodities: vale a pena investir em 2022?

Empresas de commodities: vale a pena investir em 2022?

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

27 Fev 2022 às 19:00 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 5 min leitura

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27 Fev 2022 às 19:00 · 5 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

Pixabay

Em 2021, as commodities tiveram fortes elevações de preços, basicamente motivadas pela retomada da economia pós-pandemia e pelas baixas taxas de juros.

E, ao que tudo indica, esse movimento de alta continua em 2022. De acordo com levantamento realizado pela Economática para o Poder 360, mineração e petróleo e gás lideram as valorizações da bolsa, com alta de, respectivamente, 21% e 18,6%. Nesse sentido, os destaques foram Petrobras (+16%) e Vale (+15%). O período considerado para a pesquisa foi de primeiro de janeiro a 16 de fevereiro.

Além disso, outros setores de commodities também figuram entre as altas. É o caso da agropecuária (alta de 8,1%), energia elétrica (2%) e siderurgia (0,4%).

Mas o que esperar das empresas de commodities para o resto de 2022? Será que vale a pena investir hoje no setor? A seguir, veja o que pensam alguns especialistas sobre o tema.

Commodities em 2022: quais as perspectivas?

De acordo com especialistas, a tensão entre Rússia e Ucrânia não mexerá somente com o preço do petróleo, mas também com outras commodities.

Em entrevista à CNN Brasil, Pedro Serra, chefe de research da Ativa Investimentos, a tensão no leste europeu faz o investidor buscar proteção em ativos de menor risco de forma geral. Essa também é a opinião do economista-chefe do Modalmais, Álvaro Bandeira.

Segundo o economista ainda tem muito desdobramento para acontecer. Porém, até o momento, o petróleo acompanha a alta das demais commodities.

Petróleo

O preço do petróleo WTI finalizou o último trimestre de 2021 em US$ 73 o barril. Nesse sentido, a equipe da EQI Asset espera que os preços se mantenham em patamares elevados, inclusive ultrapassando US$ 100/bbl. Os principais motivos são o agravamento das tensões geopolíticas entre a Rússia e Ucrânia, a forte demanda mundial pelo commodity e a dificuldade dos países da OPEP+ em continuarem aumentando a sua oferta nos 400 mil barris/dia esperados.

Vale ressaltar que o aumento do petróleo impacta também o agronegócio brasileiro. Além de encarecer o diesel, combustível da maioria das máquinas agrícolas e caminhões de transporte, os insumos também podem ficar mais caros. Isso porque a maioria dos países que produzem defensivos agrícolas utilizam carvão e do gás natural na indústria.

Minério de ferro

Em 2021, o minério de ferro foi sendo gradativamente negociado a preços mais baixos. Nesse sentido, o preço médio do último trimestre foi de de US$ 110 a tonelada, contra R$ 160 no trimestre anterior e US$ 200 no 2T21.

Basicamente, isso aconteceu por causa das diversas restrições que a China impôs à produção do aço. Para tentar conter uma possível bolha imobiliária, o país tomou medidas para desestimular a produção.

Para os analistas da EQI Asset, incentivos do governo chinês para as siderurgias e construção civil serão fundamentais para definir qual será o patamar do minério em 2022. E, ao que tudo indica, a China já está afrouxando as restrições. Isso porque, no início de 2022, anunciou que estimulará investimentos para evitar a desaceleração econômica. Por isso, analistas acreditam que o preço do minério deve se estabilizar próximo a US$ 120 por tonelada nos próximos meses.

De acordo com a EQI, entre as mineradoras brasileiras, a Vale segue mais bem posicionada. Nesse sentido, os preços mais baixos devem ser parcialmente compensados por volumes maiores, custos menores e apreciação de outros metais básicos e do carvão comercializados pela cia.

Dessa forma, as ações das empresas do setor acabam se valorizando. No caso do petróleo, o conflito entre Rússia e Ucrânia também mantém a commodity em alta.

Alumínio

O o alumínio finalizou o último trimestre de 2021 a US$ 2.800/mt, Para  2022, a EQI Asset espera que o preço se mantenha elevado, devido à diminuição da capacidade de produção europeia causada pelos altos custos de energia.

“Vemos o cenário como positivo para a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), a qual será menos afetada pelo custo da energia. Isso porque ela gera a sua própria, e se beneficia dos preços valorizados”, afirma Aline Cardoso, da EQI.

A gestora ainda acredita que o resultado da CBA deve melhorar ainda mais até março, quando os ajustes contábeis de hedge começarão a diminuir.

Commodities agrícolas

De acordo com o Banco Mundial, as commodities agrícolas, que aumentaram cerca de 22% em 2021, devem cair um pouco esse ano. Isso porque crises climáticas (como La Niña) retardarão um pouco a normalização do abastecimento.

Outro fator a ser considerado é o aumento das taxas de juros em todo o mundo, para conter a inflação. Ao aumentar os juros, o governo desestimula o consumo, e isso tem impacto também nesses ativos.

Por fim, o possível aumento dos insumos, como vimos antes, é outro ponto de alerta em relação às commodities agrícolas para esse ano.

Papel/Celulose

O preço da celulose chegou em sua máxima de US$ 830 a tonelada em maio 2021. Depois disso, manteve-se entre US$ 650/t e US$ 800/t durante grande parte do ano.

Segundo a EQI Asset, em 2022 o preço deverá manter perto de US$ 750/t, por causa da forte demanda europeia e asiática.

“Vemos a Suzano como a empresa mais bem posicionada para desfrutar do cenário de altos preços. Isso por causa do real depreciado e da elevação do preço para os clientes asiáticos”, diz Aline Cardoso, da EQI.

O que considerar ao analisar empresas de commodities?

De acordo com Aline Cardoso, alguns dos principais pontos a analisar para escolher ações dessas empresas são:

– preço das commodities;

– volume de venda para o mercado interno e externo;

– medidas governamentais chinesas;

– custo de energia;

– depreciação do real em relação ao dólar e

– investimentos em infraestrutura.

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