O primeiro debate entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump e Joe Biden, realizado na noite desta terça-feira (29), foi marcado por uma troca de acusações pessoais, interrupções e discussões acaloradas. Trump praticamente não deu espaço para Biden, que em certo momento chegou a mandar o adversário calar a boca. O moderador Chris Wallace teve que repreender o presidente várias vezes. Biden chamou Trump de idiota, palhaço e “o pior presidente da história”.
De acordo com a CNBC, os candidatos se revezaram proclamando suas qualificações para conduzir a economia durante a pandemia do novo coronavírus.
Enquanto Trump destacou cortes de impostos favoráveis aos negócios e ganhos no mercado de ações, Biden reforçou a criação significativa de empregos no período em que era vice-presidente no governo Obama.
Trump, por sua vez, afirmou que as altas nos mercados acionários representam mais empregos.
Já Biden acrescentou que durante seu governo, como vice, recuperou a economia e a entregou em expansão para a administração Trump.
Coronavírus
A discussão sobre o coronavírus foi um dos momentos mais tensos do caótico duelo. O ex-vice-presidente disse que Trump não tem um plano de combate à doença, destacando que mais de 200 mil americanos morreram desde o começo da pandemia.
Trump rebateu afirmando que China é a responsável por disseminar a doença e que não se sabe ao certo o número de vítimas no país asiático para se dizer que o EUA tem o maior número de casos no mundo. Disse também que os americanos estão “a algumas semanas de ter uma vacina para o coronavírus”. “Até pessoas que não são exatamente aliadas a mim dizem que fiz um trabalho fenomenal”, afirmou o presidente.
O republicano disse também que Biden irá paralisar o país novamente como medida de contenção do vírus, depois de seu governo começar a reabrir a economia.
Amazônia
A devastação da Amazônica entrou no debate. Ao abordarem a política ambiental e falarem sobre as recentes queimadas na Costa Oeste, Biden afirmou que a floresta está sendo destruída e prometeu oferecer, se for eleito, U$$ 20 bilhões para a preservação da região. Também disse que poderia fazer retaliações ao governo brasileiro se o desmatamento não for contido. O ex-vice-presidente prometeu recolocar o país no acordo climático de Paris.
Trump neste momento acusou o adversário de apoiar o “Green New Deal”, plano ambiental que é defendido por expoentes da esquerda norte-americana. Biden negou e disse ter seu próprio plano ambiental.
Questão racial
Com relação à política racial, Biden acusou Trump de acentuar a segregação e o racismo no país e de fazer um governo “desastroso” para os afro-americanos. O presidente respondeu dizendo que fez mais por essa população que qualquer outro presidente. Perguntado sobre ações contra supremacistas brancos, disse tomará medidas, mas que é preciso conter os antifas e a esquerda radical.
O democrata tentou se desvincular de acusações dos republicanos de que, se eleito, irá retirar recursos da polícia. Esse é um dos pedidos de manifestantes anti-racismo, que desde maio fazem protestos pelo país contra, entre outros pontos, os excessos da polícia contra os negros. “Policiais precisam de mais assistência”, afirmou o vice-presidente depois de negar o corte de verbas.
Suprema Corte
A indicação da juíza conservadora Amy Coney Barrett para a Suprema Corte, a pouco mais de um mês das eleições, também foi abordada. Biden afirmou que a indicação não poderia ter sido feita nesse momento, uma vez que a campanha eleitoral já está correndo, e deveria ficar para o próximo presidente. Mas Trump afirmou que foi eleito por quatro anos e não por três.
O debate foi realizado em Cleveland, Ohio e durou cerca de uma hora e meia De acordo com levantamento feito CNN americana e reportado pelo UOL, Trump teve a palavra na maior parte do tempo: foram 39 minutos e 6 segundos de fala, ante 37 minutos e 56 segundos de seu adversário. Para a emissora, este foi “o pior debate já visto”.
Os dois ainda tem outros dois debates pela frente antes das eleições de novembro, no dia 15 e 22 de outubro.
Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro respondeu às afirmações de Biden em suas redes sociais nesta manhã. Afirmou que o Brasil mudou e “seu presidente não aceita mais subornos, criminosas demarcações ou infundadas ameaças”. “Nossa soberania é inegociável”, disse.
Bolsonaro também disse que a cobiça de alguns países sobre a Amazônia é uma realidade, mas essa manifestação por “alguém que disputa o comando de seu país” sinaliza que vai abrir mão de uma convivência cordial.






