O varejo brasileiro recuou 1% em janeiro deste ano frente a dezembro de 2019, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Já na série sem ajuste sazonal, na comparação com janeiro do ano passado, o comércio varejista cresceu 1,3% – décima taxa positiva consecutiva.
No acumulado nos últimos doze meses foi 1,8%. Com ajuste sazonal, a média móvel trimestral recuou 0,4% no trimestre encerrado em janeiro.

Setor vai despencar
Assessor da EQI Investimentos, o economista Luiz Moran afirma que os índices foram razoáveis até janeiro de 2020, mas que a tendência, a partir de agora, é despencar.
Isso porque ele leva em consideração os impactos do coronavírus e as medidas de contenção do vírus, como fechamento de comércios e indústrias e quarentena da população.
“Os números estavam bons [até janeiro] e confirmava recuperação gradual, mas, enfim, agora tudo isso desaparece, porque a partir de março a gente vai ver quedas bastante dramáticas nas vendas de varejo”, ressaltou.
Consultado, o IBGE informou, por meio de assessoria, que a instituição não faz projeção, mas pesquisa com números consolidados. Por isto, segundo o Instituto, uma análise para o setor varejista já com os impactos do coronavírus, somente quando sair a próxima pesquisa PMC.

Varejista ampliado
No comércio varejista ampliado, que inclui Veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o volume de vendas cresceu 0,6% em relação a dezembro de 2019, enquanto a média móvel foi -0,3%.
Já em relação a janeiro de 2019, o comércio varejista ampliado avançou 3,5%, décima taxa positiva consecutiva. O acumulado nos últimos doze meses foi de 3,9%.

Volume de vendas
De acordo com o Instituto, o volume de vendas no varejo, em janeiro de 2020, voltou a mostrar perda de ritmo, expresso não só pelo recuo de -1,0% frente a dezembro, mas também pela disseminação de taxas negativas entre as atividades investigadas.
“Com isso, o comércio varejista, em janeiro de 2020, permanece 5,4 p.p. abaixo do nível recorde alcançado em outubro de 2014”, diz o informe.
E acrescenta: “no confronto com janeiro de 2019, na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista cresceu 1,3% e no varejista ampliado a taxa foi de 3,5%.”
Porém, no acumulado em doze meses, o volume de vendas fica estável tanto para o varejo quanto para o varejo ampliado.

5 de 8
Conforme o levantamento, cinco das oito atividades pesquisadas tiveram quedas. Na série com ajuste sazonal, o recuo de 1,0% no volume de vendas do comércio varejista.
Para janeiro de 2020, as cinco quedas foram: Móveis e eletrodomésticos (-1,9%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,6%), Combustíveis e lubrificantes (-1,4%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,2%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,2%).
Por outro lado, diz o IBGE, tecidos, vestuário e calçados (1,3%), livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%), apresentaram avanço nas vendas frente a dezembro de 2019.

Varejista ampliado
Já no comércio varejista ampliado, em janeiro, o volume de vendas cresceu 0,6%, frente a dezembro de 2019, na série com ajuste sazonal, compensando, em parte, o recuo de 0,8% registrado no mês anterior.
Para essa mesma comparação, veículos, motos, partes e peças registrou crescimento de 8,5%, enquanto material de construção mostrou variação de -0,1%, ambos, após recuo, de 5,0% e 1,2%, respectivamente, registrados no mês anterior.
Em janeiro de 2020, em relação a janeiro de 2019, o comércio varejista cresceu 1,3%, com predominância de taxas positivas, atingindo cinco das oito atividades pesquisadas. Entre as atividades com crescimento, destacam-se móveis e eletrodomésticos (11,0%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (7,6%). Ainda em alta: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (7,1%), tecidos, vestuário e calçados (4,2%) e livros, jornais, revistas e papelaria (3,7%).
Em contrapartida, conforme o levantamento, hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,8%) exerceu a principal pressão negativa, seguido por combustíveis e lubrificantes (-2,3%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-6,7%).

Décima taxa positiva
Com avanço de 3,5%, frente a janeiro de 2019, o comércio varejista ampliado registrou a décima taxa positiva consecutiva. O resultado de janeiro de 2020 refletiu, principalmente, a contribuição vinda do desempenho de veículos, motos, partes e peças (10,2%).
ANÁLISE | Brasil: Vendas no varejo (janeiro)
As vendas no varejo apresentaram recuo de 1% no conceito restrito no mês de janeiro, desempenho abaixo da mediana da Bloomberg
Por outro lado, no conceito ampliado, que inclui venda de veículos e materiais de construçao, o desempenho foi um crescimento de 0,6%, acima da mediana da Bloomberg
O setor que contribuiu para essa discrepância entre os dois conceitos foram as vendas de veículos, que apresentaram forte de crescimento na comparação mensal (+8,5%). Por outro lado, a expectativa de um melhor desempenho das vendas de supermercados com a devolução do choque de preços de carnes, não se concretizou e o setor apresentou significativa queda pelo 2º mês consecutivo: -1,2%
Em resumo, o indicador de hoje é positivo pelo headline, mas com uma composição fraca. Destaca-se no entanto que o indicador é referente a janeiro, não contemplando portanto a forte contração que afetará a economia no final do primeiro trimestre e começo do segundo trimestre.







