As perspectivas de aprofundamento da recessão mundial elevaram para 365 pontos (alta de 18,25%) o risco-país Brasil, medido pelo CDS (Credit Default Swap), nessa quarta-feira (18).
Esse patamar, impulsionado pela pandemia provocada pelo Covid-19, é o maior já registrado desde 11 de abril de 2016, antes, portanto, que a Câmara dos Deputados autorizasse a abertura do processo de impeachment contra Dilma Roussef (PT).
De modo geral, o índice CDS serve de referência para que o mercado financeiro avalie a capacidade de um país honrar suas dívidas. Quanto maior a pontuação, mais improvável é a perspectiva de adimplência.
Aversão cresce
Outro exemplo do aumento vertiginoso de aversão ao risco no plano internacional pode ser medido pelo risco-país Brasil CDS de cinco anos, que atingiu 301,7 pontos, também nessa quarta. Somente na última semana, a alta chegou a 71,71% e a 221,99%, em todo o mês de fevereiro.
Oscilação antiga
Desde 2013, quando o país ainda possuía o grau de investimento (espécie de garantia de bom pagador), o CDS vem registrando variações significativas.
Tanto que, em meados de 2018, o CDS ficou acima dos 280 pontos, como reflexo da greve dos caminhoneiros.
O contrário também ocorreu devido à aprovação, no ano passado, da reforma da Previdência, quando o cenário externo embutia uma expectativa de queda de juros nos Estados Unidos e na Europa.
Disparada
No início deste ano, porém, o CDS já havia chegado a 100 pontos, disparando, em seguida, para os 144 pontos, superando em 48,3 pontos a média dos países da América Latina.