O ano de 2022 foi um ano considerado difícil para as commodities, de uma forma geral, principalmente para o petróleo e o minério de ferro. Isto porque, no cenário internacional, ocorreram a guerra da Ucrânia e a política de Covid zero na China. Fatores que pressionaram os preços e trouxeram dificuldades para a cadeia de suprimentos. Com isso, fica a questão: quais as perspectivas para as commodities para 2023?
O setor tem enfrentado dificuldades não apenas no que diz respeito a petróleo e minério de ferro, mas também para grãos, bois e as chamadas soft commodities. Confira o que esperar para 2023.
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Quais as perspectivas para as commodities: cenário atual
A flexibilização na China, de acordo com relatório do banco BTG Pactual (BPAC11), mesmo com deterioração do quadro sanitário, trouxe otimismo para as commodities metálicas.
A National Health Comission (NHC) listou outras dez novas diretrizes com o objetivo de “otimizar” os protocolos de prevenção e controle do Covid-19 na China.
Dentre elas, destaque para casos assintomáticos da doença e pessoas com sintomas leves podem ficar em quarentena em casa; o escopo e a frequência dos testes devem ser ainda mais reduzidos; áreas de alto risco sem novas infecções por cinco dias consecutivos devem ser liberadas dos bloqueios; todas as regiões devem se concentrar em melhorar a taxa de vacinação de pessoas acima de 60 anos. Além disso, o governo tem sinalizado que pode adotar medidas positivas para o setor imobiliário, o que poderia ditar nova rodada de alta das commodities metálicas.
“Acreditamos que o vetor de China também é positivo para o petróleo, mas o teto de preço para o bem russo reduziu a visibilidade dos players de mercado em relação aos fundamentos de precificação. Apesar do petróleo russo já ser vendido por valores próximos à US$ 65 o barril, a determinação do teto para o preço culminou em forte declínio das cotações do Brent, mesmo com vetores claramente altistas para a oferta”, diz trecho do relatório.

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Neste momento, o banco monitora de perto a situação das reservas estratégicas dos Estados Unidos, que estão próximas ao patamar do início do ano de 1984, isto é, há pouco espaço para novas liberações, o que, somado ao contexto de economia ainda aquecida, pode resultar em descasamento com a demanda doméstica do maior consumidor de petróleo do mundo e trazer de volta o viés de alta.
A USDA (sigla em inglês para Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe revisões relevantes para a Rússia e a Ucrânia, mas o quadro para grãos está concentrado na situação de plantio da América Latina. Conforme esperado pelo banco, os otimistas números do USDA para a cultura do milho da Ucrânia foram revisados para baixo, em 4,5 milhões de toneladas.
Commodities como o milho e a soja estão sendo negociadas com base nas plantações da América Latina, principalmente da Argentina, que vive complexo momento climático devido à incidência do fenômeno La Niña, que poderia resultar em novas quebras de safras, conforme avalia o banco.
“Seguimos vigilantes com a produção brasileira, mas os sinais para a safra de verão do milho e para a safra de soja seguem positivos, com a finalização do plantio no estado do Mato Grosso marcando janela favorável para a produtividade”, aponta outro trecho do relatório sobre quais as perspectivas para as commodities.
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No entanto, conforme avalia o documento do BTG, o indicador de preços de commodities do Banco Central, o IC-Br, apontou que as cotações em real apresentaram, em novembro, alta de 1,3%, primeira após cinco quedas consecutivas, que acumularam no período retração de aproximadamente 8%.
O real apresentou estabilidade no mês. Destaque para a reversão na tendência de queda nos preços do segmento de metal e pela continuidade da queda de energia, que apresentou novamente variação negativa devido à incerteza em relação à demanda”, aponta outro trecho do relatório.
Exportações de petróleo como destaque
De acordo com o BTG, o superávit comercial em novembro foi de US$ 6,7 bilhões, acima do consenso de mercado (que foi de US$ 5,4 bilhões) e da projeção do banco de investimentos, que foi de US$ 5,5 bilhões, e muito superior ao resultado do mesmo mês dos anos anteriores (em novembro de 2021, o saldo comercial foi deficitário em US$ 1,1 bilhão).
O maior saldo decorreu da expressiva aceleração das exportações (alta 37,4%) e do ligeiro recuo das importações (queda de 0,6%). As exportações novamente alcançaram patamar recorde para o mês.
As commodities seguem puxando as exportações – em novembro o destaque foi a significativa aceleração das vendas externas de petróleo e derivados. Como resultado, o superávit da balança de petróleo e derivados alcançou US$ 20 bilhões no acumulado em 12 meses até novembro (ante US$ 17 bilhões no mês anterior), de acordo com o BTG.
Minério de ferro: exportações abaixo do patamar
Segundo o relatório BTG, as importações de minério de ferro por parte da China seguem abaixo do patamar de 2020 e 2021, mas ainda bastante acima do intervalo histórico recente. Porém, o número apresenta desaceleração na margem.
“Vale ressaltar o crescimento dos estoques, contrário à sazonalidade histórica, o que pode indicar deterioração no consumo”, aponta trecho do relatório.
O documento aponta ainda que a flexibilização do isolamento social e medidas estatais de estímulo ao segmento imobiliário conduzem alta expressiva do minério de ferro.
O governo chinês optou por flexibilizar as medidas de isolamento social, inclusive permitindo que algumas pessoas com teste positivo para Covid-19 fiquem em quarentena em casa, e sinalizou que há intenção de redução nos testes em massa.
“Além disso, Pequim estabeleceu KPIs rígidos para os governos: até o final de janeiro de 2023, 90% das pessoas com mais de 80 anos que atendem aos critérios de saúde devem ser totalmente vacinadas e receber doses de reforço”, aponta outro trecho do relatório, no cenário do minério sobre quais as perspectivas para as commodities.

Grãos: soja desacelera e milho tem recuperação
A soja desacelerou o movimento de baixa e tem seu terceiro mês consecutivo de alta. O preço superou a média móvel de 21 períodos e formou fundo mais alto, sinalizando aumento do ímpeto comprador. O BTG acompanha o movimento com topo em R$ 39,30 e fundo em R$ 30,75 para definir as retrações de Fibonacci em R$ 33,10 (38,2%) e R$ 35,30 (61,8%), que devem atuar como resistências do movimento de recuperação.
“Acreditamos em um cenário de alta para as próximas semanas, com teste na média móvel de 200 períodos em R$ 34,00, caso o preço se mantenha acima da média móvel de 21 períodos”, aponta trecho do relatório.
Já o milho futuro ensaiou recuperação no mês de novembro, mas insuficiente para romper os extremos da lateralidade que acompanhamos entre R$ 84,15 e R$ 90,20. No curto prazo, acreditamos que o preço deve se manter nesses extremos nas próximas semanas, enquanto não houver uma melhor definição de tendência.
“A superação do último topo em R$ 90,20 tem objetivos em R$ 92,80 e R$ 97,30. A falha do movimento de recuperação encontra suportes em R$ 84,15 e R$ 79,50”, aponta parte do relatório BTG.
Performance dependerá do crescimento global
Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset afirmou que a performance das commodities para o próximo ano dependerá da dinâmica de crescimento global.
“Com as altas de juros ao longo de 2022, além de choques específicos, como a Guerra na Ucrânia, as perspectivas para no ano que vem são de baixo crescimento, com potencial de recessão nos EUA e na Europa”, explicou ele.
Assim, de acordo com Kautz, há importante pressão para uma queda adicional nos preços de commodities. “Vale lembrar que parte desse movimento já ocorreu em 2022”, disse ele.
A recessão nos EUA é explicada pelo ciclo de alta nos juros do país. Em dezembro, o Federal Reserve (Fed) promoveu mais um aumento na taxa, de 0,50 ponto. O que representou uma desaceleração, porém não significa necessariamente o fim do ciclo de alta.
Como esperado pelo mercado o Fomc, ligado ao Fed, decidiu elevar a taxa de juros para o intervalo entre 4,25% a 4,50%. A inflação continua sendo a principal preocupação do comitê, que está focado em levar a inflação norte-americana ao nível aceitável de 2%.
O presidente da instituição, Jerome Powell, confirmou que os níveis restritivos dos juros continuarão até que a inflação passe a cair de forma sustentada.
“A política monetária precisa ser restritiva o suficiente para levar a inflação para meta de 2%. A redução da inflação exigirá um período de crescimento baixo e alívio do mercado de trabalho”, avisou Powell, na ocasião da divulgação da taxa de juros.
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