O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, anunciou sua renuncia ao cargo na sexta-feira (28) por causa do agravamento de seu problema de saúde.
Abe, que tem 65 anos e serviu como primeiro-ministro por quase nove, luta contra a colite ulcerosa, uma forma de doença inflamatória intestinal, por anos. Mas, uma piora em seu estado desde o mês passado levou à seu pedido de demissão.
Oferecendo desculpas ao povo do Japão, ele anunciou que renunciará assim que o Partido Liberal Democrata, no poder atualmente, nomeasse formalmente um novo líder.
Em sua fala, o até então primeiro-ministro japonês disse que, com sua política econômica, conseguiu impulsionar os empregos e pôs fim a 20 anos de deflação.
Mesmo com a saída de Abe, os analistas esperam uma continuação das políticas deflacionárias do país, chamadas de Abenomics.
“A estrutura da Abenomics e a política monetária (do Banco do Japão) provavelmente permanecerão inalteradas apesar do primeiro-ministro Abe encerrar o expediente”, disse Peter McCallum, estrategista de taxas da Mizuho International, à CNBC.
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Economia mundial reage à notícia
Os investidores reagiram imediatamente aos primeiros relatórios da saída de Abe. O índice Nikkei 225 do Japão fechou em queda de 1,4%, enquanto o índice Topix fechou 0,7% abaixo.
“Vemos poucas vantagens futuras para o Nikkei 225 e não aconselharíamos a venda de títulos japoneses com esta notícia, embora a fraqueza (em títulos do governo japonês) possa persistir até que o novo primeiro-ministro japonês esteja em vigor”, comentou McCallum.
O iene japonês subiu após a confirmação das notícias, sendo negociado a 105,4 em relação ao dólar.
O dólar norte-americano caiu 0,6% em relação às principais moedas, prejudicado pelo anúncio de Shinzo Abe e a perspectiva de prolongamento nas taxas de juros mais baixas nos Estados Unidos.
Nos mercados asiáticos, o índice Kospi da Coreia do Sul e o índice Hang Seng de Hong Kong fecharam ligeiramente em alta na sexta-feira.
As ações chinesas lideraram os ganhos entre os principais mercados da região na sexta-feira, com o componente de Xangai subindo 1,6%, enquanto o componente de Shenzhen ganhou 2%.
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A Abenomics
“Com um grande trabalho ainda a ser feito para tirar o Japão da recessão induzida pela Covid-19, este é obviamente um momento difícil para uma mudança de primeiro-ministro. Mas advertimos contra pensamentos de que isso dará início a uma política ainda mais fácil do Banco do Japão”, disse Robert Carnell, chefe regional de pesquisa do ING para a Ásia-Pacífico, em nota de pesquisa citada pela CNBC.
A política da Abenomics de maciço apoio fiscal, monetário e reformas econômicas “pode não ter alcançado todos os seus objetivos, mas também não foi um fracasso absoluto, e o Japão fez alguns progressos importantes sob sua liderança”, afirmou Carnell à CNBC.
Os críticos das políticas econômicas de Abe argumentam que o primeiro-ministro que está deixando o cargo não conseguiu fazer mudanças duradouras em uma economia prejudicada pela baixa produtividade e pelo envelhecimento da população, disse à CNBC.
“As implicações econômicas são pequenas”, disse Tom Learmouth, economista japonês da Capital Economics, em reação à decisão de Abe de renunciar.
Ele concordou que a Abenomics sempre “provavelmente terminaria no nome” quando Abe se afastasse, dado que se esperava que seu sucessor viesse de dentro do partido governista LDP.
Novo primeiro-ministro japonês
A demissão de Abe irá desencadear uma corrida à liderança no LDP e o vencedor será eleito formalmente no parlamento. O sucessor servirá pelo resto do mandato, até a próxima eleição geral do país, marcada para ocorrer em outubro de 2021.
“Com o apoio público a seu gabinete em níveis recordes, Abe dificilmente pressionará por um quarto mandato como líder do LDP em setembro do próximo ano”, disse Learmouth em nota de pesquisa.
“E dada a oposição fraca e fragmentada, seu sucessor como líder do LDP e PM deve ser capaz de ganhar uma maioria confortável nas próximas eleições gerais”, concluiu.
“Não sabemos quem sucederá Abe em setembro, então claramente as políticas ainda estão no ar”, disse Martin Schulz, economista-chefe do Fujitsu Research Institute, ao Street Signs Europe da CNBC.
“O que sabemos é que o tipo de Abenomics que tivemos, com um afrouxamento monetário quantitativo muito forte, uma política fiscal relaxada – até mesmo um grande empurrão na política fiscal – e micro reformas profundas e corajosas, têm quase 100% de probabilidade de continuar”, acrescentou Schulz.
Schulz relatou sentir incerteza, no entanto, sobre questões políticas do país com a saída de Abe, uma vez que, antes dele, havia grande rotatividade no cargo de primeiro-ministro japonês.






