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PIB surpreende, mas país cai sete posições no ranking global

PIB surpreende, mas país cai sete posições no ranking global

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou alta de 1,2% no primeiro trimestre e ficou acima do projetado pelo BTG Pactual (BPAC11) e mercado

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou alta de 1,2% no primeiro trimestre deste ano, com o resultado vindo acima das expectativas do mercado.

Entretanto, quando comparado a outros países, em termos de crescimento, o país perdeu espaço.

Conforme ranking de crescimento econômico mundial da agência classificadora de risco Austin Rating, o Brasil terminou período como a 19ª posição

Isto significa uma queda de sete posições com relação ao quarto trimestre de 2020. Com relação a outros países da América do Sul, o Brasil ficou atrás do Chile e Colômbia neste trimestre.

O Chile, neste ranking, ficou na quarta colocação, com um aumento de 3,2% em seu produto interno. Já a Colômbia, ficou na sétima posição, com um avanço de 2,9%.

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Porém, o resultado brasileiro ficou acima da média dos países que compõem os Brics. Estes registraram avanço de 0,9%.

Na zona do Euro, a média foi uma queda de 0,6%. O projetado para o ano que vem na zona dos Brics é uma elevação média de 7,2%.

PIB

PIB acima das projeções

Mesmo com a perda de posições, porém, o resultado veio acima do projetado pelo mercado.

O BTG Pactual (BPAC11), por exemplo, previa um avanço de 0,9%. No acumulado do ano, também ficou acima do esperado. O resultado divulgado foi de 1%, ante uma queda de 0,5% projetada pelo BTG.

No entanto, no acumulado de quatro trimestres, ficou em 3,8%, em linha com o esperado pelo mercado. Além disso, foi completada uma recuperação em V, esperada pelo mercado.

Pedro Moreira, Manager 3 da EQI Investimentos, afirmou que um PIB forte significa um estímulo aos investimentos. Isto pode ocorrer de duas formas: o aumento da arrecadação governamental, em velocidade acima da dívida; e o reinvestimento das sobras de capital por parte das empresas privadas.

Ele aponta também que o crescimento da soma das riquezas do país pode ser acompanhado pela elevação dos juros. De acordo com Moreira, o aumento do juros significa impacto nas empresas listadas em bolsa, por alguns motivos. Primeiro pelo incentivo ao rentismo, a renda fixa volta a ficar atrativa e retira interesse para que novos investidores acessem a bolsa.

Segundo, pelo dinheiro e credito que chegará nas empresas ser menos farto, já que o custo do dinheiro (crédito) para empresários e seus grupos ficará menos atrativo, por pagar um juros maior.

“Ou seja, com o Produto Interno Brunto crescente e inflação também acelerada pelo consumo de produtos e serviços, os juros tendem a aumentar para retirar dinheiro excessivo em circulação. Com o “dinheiro caro”, o empresário terá menos apetite ao expandir suas atividades e a tomar risco”, explicou.

Descompasso nos resultados

No entanto, há descompassos no resultado. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, explicou que por um lado, houve bom resultado nas exportações de commodities agropecuárias. Por outro, o consumo do mercado doméstico ainda está baixo, gerado por um desemprego muito elevado. Por isso, a Austin espera uma elevação de 3,3% para o fim de 2021.

“O mercado doméstico, que corresponde a 2/3 do PIB, anda de lado. Temos ainda um cenário de desemprego elevado e renda baixa. Estes itens não dão um impulso necessário para uma projeção melhor”, diz ele.

Aspectos positivos

O relatório do BPAC11 vê aspectos positivos no resultado divulgado na soma das riquezas produzidas pelo país. O setor agropecuário tem trazido expectativas positivas para o setor. Além da continuidade da retomada do setor de Serviços, principal prejudicado pelo isolamento social da covid-19.

Para o segundo trimestre de 2021, o banco espera a continuidade das medidas mais restritivas principalmente no mês de abril. O time de economistas espera um trimestre um pouco mais fraco. Contudo, a retração não deve ser semelhante à vista no 2T20 devido ao cenário de maior mobilidade social, apesar das restrições de circulação definidas pelos governos estaduais.

Setor de Transportes surpreende

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, prevê um crescimento de 4% para o fim deste ano. No trimestre, ele avaliou que o setor Transportes foi positivo, com alta de 3,6%. Com isso, a inflação também deverá ser revisada, a partir do atual patamar (de 3,4% para 2022), além da projeção da Selic.

“Vale pontuar que a ‘insensibilidade’ às restrições de mobilidade nesse trimestre removem marginalmente o otimismo com relação a recuperação no segundo semestre, mas nada que seja suficiente para reverter a grande surpresa observada”, avaliou.

Riscos para a retomada

No entanto, existem riscos para a retomada econômica. Relatório da Eleven avalia que uma possível terceira onda da pandemia da covid-19 ainda deverá afetar a economia. Em um contexto de escassez de vacinas avalia que pode prejudicar a mobilidade e a confiança.

Outro risco também o cenário de seca, prejudicando a geração de energia. A fraca hidrologia do chamado período úmido – que terminou neste trimestre abaixo do esperado – traz riscos para o suprimento e pode fazer o governo optar pelo uso de energia termelétrica, cujo custo é mais elevado.

Um terceiro risco apontado no relatório é a continuidade da aceleração da inflação e a presença de novos choques. Estes fatores podem reduzir a previsibilidade para investimentos e afetar as decisões de consumidores.

Recuperação em V

Apesar das dificuldades e riscos, relatório da Exame mostra que o resultado do PIB no trimestre revela a chegada da recuperação em V, esperada pelo mercado. Esse é um dado considerado positivo, mesmo em meio à segunda onda da covid-19 em março.

PIB

O dado mais relevante apontado pelo relatório é que essa alta, volta a colocar o Produto Interno Bruto de volta ao patamar pré-pandemia, completando a recuperação em V. “Cabe notar que, por outro lado, não devemos recuperar o mesmo nível implícito na tendência pré-covid nos próximos trimestre”, aponta um trecho do relatório.