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PIB 2020 pode cair até 1,8% como efeito do coronavírus, diz Ipea

PIB 2020 pode cair até 1,8% como efeito do coronavírus, diz Ipea

No cenário mais negativo em decorrência das consequências do coronavírus, o PIB (Produto Interno Brasileiro) de 2020 seria de -1,8%. A projeção é do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que divulgou carta de conjuntura nesta segunda-feira (30). Este seria o cenário para o PIB 2020 casa o país paralisasse durante três meses por conta da pandemia. Na semana passada, a previsão do Banco Central era de crescimento de 0% do PIB.

O Ipea projetou outros dois cenários menos pessimistas. Caso a economia brasileira ficasse paralisada por dois meses (abril e maio), o PIB sofreria retração de -0,9%. No cenário mais otimista, com isolamento só até o fim de abril, a queda seria de -0,4%. Os quadros consideram o tempo de isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus e, também, a efetividade das políticas econômicas mitigadoras adotadas no Brasil.

“Mantemos fixa a hipótese de rápida recuperação parcial da atividade econômica já no terceiro trimestre deste ano”, informa o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo De Castro Souza Júnior. Mas ele ressalta que essa hipótese depende da efetividade das políticas econômicas adotadas no Brasil e no mundo, e de um relativamente rápido avanço no controle da pandemia, que permitiria a retirada gradual das medidas restritivas.

O estudo do Ipea inclui uma revisão para baixo das projeções de inflação para 2020. Para o IPCA, a previsão passou de 3,3% para 2,9%. Já para os preços administrados, a expectativa recuou de 3,9% para 3,4%. Enquanto a projeção de inflação de bens livres (exceto alimentos), antes de 1,7%, passou para 1,5%. No caso da inflação de alimentos, a previsão foi ajustada de 4,2% para 3,8%. Para o setor de Serviços, mais impactado pela crise, a expectativa de alta de preços recuou de 3,3% para 2,8%.

 

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Atividade econômica em queda

O grupo de conjuntura do Ipea também faz uma análise dos indicadores mensais. Apesar do ritmo de aceleração da economia no início de 2020, deve haver queda no desempenho dos indicadores a partir do mês de março, por conta dos efeitos da pandemia do coronavírus.

Para fevereiro, cujos números ainda não foram divulgados, a previsão dos pesquisadores é de alta de 0,3% na produção da indústria na comparação com janeiro, na série com ajuste sazonal. Há estimativa de alta de 0,4% para o comércio e recuo de 0,3% para os serviços (segmento que deve ser mais fortemente impactado) no mesmo período.

A pandemia do Covid-19 também deve impactar as indústrias extrativas, que encerraram 2019 com queda de 1,1% no PIB, ainda influenciada pelo desastre ocorrido na barragem de Brumadinho. O Ipea trabalhava com um cenário de recuperação para o setor, mas revisou a projeção de crescimento de 6,5% para 2,5% em 2020.

Sob a ótica da produção, as principais commodities agropecuárias brasileiras deverão sofrer pouco impacto decorrente da Covid-19. Levando em consideração a previsão de safra do IBGE e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o PIB agropecuário deve fechar 2020 com um crescimento de 3,8%. Mesmo com a simulação do impacto de choques negativos na economia em razão do coronavírus, semelhantes à crise de 2008, a expectativa é positiva. A alta é prevista de 2,5% sustentado pela estimativa de safra recorde de soja.

 

PIB 2020 com recuperação parcial

O diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea destacou que nos três cenários de retração do PIB 2020 se considera uma recuperação parcial da economia já no terceiro trimestre, e continuada no quarto trimestre.

Ele considerou inevitável que haja algum aumento de demissões. Mas espera que as medidas econômicas possam minimizar esse impacto. “Mas é óbvio que deve haver algum aumento do desemprego, porque há setores que estão totalmente parados e algum ajuste acaba sendo necessário”. Lembrou, no entanto, que para conseguir financiamento com subsídio do governo, a empresa precisa se comprometer a não demitir. “Isso ajuda a minimizar o impacto”.

O diretor do Ipea admitiu que o instituto está navegando em um terreno desconhecido. O que está se vendo é uma parada mundial nunca antes vista. ”Nem em tempos de guerra a gente tem notícias do tipo no mundo moderno. É realmente algo novo. A gente tem dificuldade de conseguir fazer previsões”, diz ele.

 

Inflação sob controle e dólar abaixo de R$ 5

Em 2019 e início de 2020, a economia vinha de uma recuperação moderada, mas ainda assim recuperação. Mas agora, com a pandemia, é gerada uma perda bastante significativa.

“A gente deixa de ter esse período de recuperação, que é reduzir o desemprego, gerar renda, melhorar as condições de vida, e vai ter um período em que a gente vai tentar minimizar danos e tentar uma continuidade de recuperação depois. Mas é claro que é um baque grande em um momento que estava positivo finalmente”, diz José Ronaldo.

Por parte da indústria, alguns segmentos devem ter alta este ano. Entre eles estão: farmacêutica, química ligada a medicamentos, comércio de farmácias, supermercados, porque as pessoas substituem alimentação fora de domicílio por alimentação em casa. “Além dos serviços de saúde, que devem ter aumento de produção também, por motivos ruins, mas necessários”.

José Ronaldo disse que a Bolsa de Valores, como trabalha com expectativas, caso algum protocolo de tratamento contra o coronavírus tenha sucesso, conseguirá se recuperar com rapidez, porque o mercado financeiro é muito ágil.

Em relação ao câmbio, o diretor do Ipea acredita que deve haver um arrefecimento da trajetória de alta. As análises efetuadas pelos economistas do Ipea consideram um dólar menor que R$ 5. Souza Júnior disse que mesmo com desvalorização cambial, o Ipea trabalha com inflação sob controle em 2020. A alta deve ser de 2,9% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, abaixo do centro da meta de 4%.