O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em entrevista coletiva nessa segunda-feira (16) que se “ficar todo mundo em casa, a economia entra em colapso”. Para ele, entretanto, é preciso achar um meio termo para restringir o avanço do novo coronavírus, conhecido como Covid-19, no país.
“Se ficar todo mundo em casa (a economia) entra em colapso. Se ficar todo mundo na rua também tem problemas, deve ter um meio-termo”, afirmou.
Para ele, as indicações de isolamento devem ser seguidas especialmente pelos mais idosos, nos quais ele se inclui: “talvez se aplique até a mim”. O ministro nasceu em agosto de 1949 e em 2020 completará 71 anos.
Impacto econômico
Para o ministro, as pessoas precisam tentar levar a vida o mais “próximo do normal” possível.
O apelo de Paulo Guedes tem um horizonte: a provável estagnação da economia diante da pandemia que tem paralisado o mundo todo.
Os economistas da Morgan Stanley, nessa terça-feira (17), cortaram a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 1,6% para 0,3%.
Par ao mundo, os economistas vislumbram um crescimento de apenas 0,9% em 2020. Isso ainda é 0,4 pontos percentuais acima do nível conseguido em 2009, após a série crise de 2008.
Entretanto, há quem acredite em PIB negativo, diante das incertezas sobre quanto tempo a pandemia vai durar.
O colunista da Globonews, João Borges, escreveu em seu blogue, nessa segunda-feira, que, “nesse cenário, economistas do setor privado e até mesmo alguns do próprio governo, já consideram como provável que a economia brasileira volte para o campo negativo nos próximos meses. Não é certo se o país recairá na chamada recessão técnica, caracterizada quando ocorrem dois trimestres consecutivos de queda do PIB. Mas já se dá como certa a queda abrupta no ritmo da economia”.
Morrer de véspera
Paulo Guedes é mais cauteloso: “não vamos morrer de véspera, quem morre de véspera é peru e vamos lutar para botar o país de volta no trilho”, disse. “Fomos golpeados ano passado e reagimos, sofremos um golpe maior agora e vamos reagir”, completou.
“A economia é um organismo vivo, muito semelhante à biologia. São átomos e células que raciocinam, que se adaptam e têm capacidade de reação”, analisou.
O problema é que analistas têm enxergado pouca efetividade do governo em ações contra a crise.
Na tarde dessa segunda-feira, o governo anunciou um pacote de quase R$ 150 bilhões para tentar segurar a economia.
São R$ 147,1 bilhões para combater os impactos da pandemia do coronavírus sobre a economia brasileira.
O pacote é uma mistura de adiamento fiscal para as empresas com a liberação de recursos para as populações mais vulneráveis ao Covid-19.
Segundo o ministro, o pacote contra os impactos do Covid-19 inclui R$ 60 bilhões para a manutenção de empregos.
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