Café
Home
Notícias
Para onde vai o dólar: BTG (BPAC11) projeta R$ 5,20 no 2TRI21 e R$ 5,40 até o final do ano

Para onde vai o dólar: BTG (BPAC11) projeta R$ 5,20 no 2TRI21 e R$ 5,40 até o final do ano

O BTG (BPAC11) reduziu sua projeção de para onde vai o dólar: R$ 5,20 no 2TRI22; e R$ 5,40 até dezembro. Confira a análise.

O BTG (BPAC11) reduziu sua projeção de para onde vai o dólar: R$ 5,20 no 2TRI22; e R$ 5,40 até dezembro. Mas a subida de juros nos EUA e as eleições presidenciais no Brasil seguirão pressionando a moeda para cima ao longo do ano.

Em novo relatório sobre o câmbio, o BTG Pactual (BPAC11) projeta o dólar a R$ 5,20 até o final do segundo trimestre de 2022, mas com a moeda chegando a R$ 5,40 até o final do ano, devido ao quadro eleitoral.

Até então, a projeção era de dólar a R$ 5,60 até o final do ano.

O forte fluxo positivo na conta financeira do balanço de pagamentos explica a apreciação recente do real.

O dinheiro estrangeiro foi atraído pela alta taxa de juros no Brasil (Selic atualmente em 10,75%), na comparação com demais países, e pelos papeis de empresas sólidas, mas negociadas descontadas na bolsa. O mercado brasileiro também foi favorecido pela alta nos valor das commodities.

Publicidade
Publicidade

No entanto, houve uma mudança no cenário macroeconômico internacional, com a guerra na Ucrânia, que explica a alteração na projeção para a moeda.

“O recente piso de R$ 5 do câmbio, impulsionado pelo forte fluxo financeiro estrangeiro, nos parece ter ficado no passado, mas isto não significa que o real ainda não encontrará patamares favoráveis neste ano”, explicam os analistas do banco.

E complementam: “Não contávamos com o conflito entre Rússia e Ucrânia neste conjunto de informações, o que, no primeiro momento, resulta em uma busca por ativos mais seguros – principalmente o dólar e os títulos do tesouro americano – e contrata preços mais elevados para commodities”.

Para onde vai o dólar: reunião do Fed à vista

A política monetária nos EUA ganhará novos capítulos na próxima quarta-feira (16), quando os juros devem subir 0,25 ponto porcentual.

Mas avanços mais significativos devem ser vistos dali em diante, já que os EUA enfrentam a maior inflação em quase quatro décadas.

E a guerra deve impactar ainda mais os preços, especialmente dos combustíveis e dos alimentos, devido à Rússia e Ucrânia serem fornecedores de tais produtos. A escassez e a formação de estoques pelos países tendem a forçar os preços para cima.

“O conflito entre Rússia e Ucrânia traz claro viés altista para os preços, devido ao impacto no mercado de commodities. Por outro lado, o impacto do conflito na atividade econômica dos EUA não parece ser, neste momento, suficiente para promover crescimento abaixo do potencial”, diz o banco.

“O Banco Central Europeu pode dar mais peso para o conflito dentre o conjunto de informações para a tomada de decisão sobre a política monetária, considerando que o viés deste evento para a atividade econômica do grupo é baixista e o impacto nos preços é mais significativo, principalmente no componente de energia”, explica.

Impactos no real

O crescimento da incerteza no quadro internacional tem reflexo direto no Brasil, principalmente pelo canal de preços.

A discussão predominante que envolve o Congresso Nacional e o poder Executivo neste momento é o preço dos combustíveis. Os congressistas tratam a questão desde o segundo semestre do ano passado, e prometem avançar com os projetos no Senado nesta semana.

O Executivo tem mais urgência para tratar o tema, dado que o impacto inflacionário está “batendo na porta” e o custo político de novos aumentos expressivos nos preços dos combustíveis pode ser muito elevado neste ano, que, lembramos, é de eleições presidenciais.

O aperto das condições monetárias dos países desenvolvidos e as ações do governo que podem ter impacto fiscal significativo tendem a limitar a entrada de dólares para a busca de ativos de valor no mercado de ações e para a realização de “trades de carrego”.

Além disso, novos desenvolvimentos na corrida eleitoral doméstica e possível crescimento da incerteza a partir do conflito na Europa sugerem que o real perca força nos próximos meses.

“Esperamos que a taxa de câmbio seja de R$ 5,40 no final deste ano e seguimos afirmando que o patamar atual representa uma oportunidade para proteger os portfólios das turbulências que os eventos no calendário deste ano devem trazer”, dizem os analistas.

dólar

Para onde vai o dólar: eventos que ainda vão impactar o câmbio

  • O encontro do Fomc, comitê de política monetária do Fed, que acontecerá no dia 16 deste mês, será marcado pelo início da alta de juros, provavelmente com um ajuste de 0,25 p.p. O BTG espera uma alta de 1,75 p.p. no total do ano, além do início da redução do balanço do Fed até o final do primeiro semestre, o que deve enfraquecer o real.
  • O conflito entre Rússia e Ucrânia provocou forte valorização do preço das commodities, principalmente petróleo, gás natural, trigo e milho. A oferta destes bens, que já estava apertada, pode se tornar mais escassa a partir das sanções econômicas à Rússia e aos problemas produtivos inerentes ao próprio cenário de enfrentamento militar.
  • A composição da bolsa brasileira, favorável para empresas de valor (value), e as altas taxas de juros domésticas seguem estimulando a apreciação do câmbio, através do superávit no canal financeiro da conta corrente do balanço de pagamentos. A política monetária dos países desenvolvidos e as eleições, no entanto, devem enfraquecer este canal de entrada.